terça-feira, 16 de junho de 2009

UM DEDO DE PROSA


REALMENTE, A JUSTIÇA É CEGA (MAS QUANDO LHE É CONVENIENTE)!...

No último final de semana, um Subprocurador Geral do GDF dirigia embriagado e envolveu-se num acidente de trânsito, fugindo logo em seguida do local. A condutora do veículo atingido pelo carro do infrator seguiu-o até as proximidades da sua residência e cobrou-lhe explicações além da reparação dos danos. O subprocurador, cheio de "Autoridade", agrediu-a, tanto física quanto moralmente.
A Polícia Militar foi chamada pela vítima e, chegando ao local, tentou fazer o teste do bafômetro com o "Representante da Justiça do DF", que se recusou a fazê-lo. Os policiais deram-lhe voz de prisão. Consternado, o Subprocurador desacatou os PMs e, em seguida, foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos.
Não se dando por satisfeito, o infrator, dizendo ser um Advogado, fez ameaças de morte aos policiais que o prenderam, isso debaixo do nariz do Delegado. Após ser autuado em flagrante, o "meliante" disfarçado de Autoridade Embriagada foi liberado sem pagar fiança.
Depois do ocorrido, a Procuradoria Geral do GDF disse não haver motivos para que o "bom sujeito" seja punido, pois ele não ofendeu, em nada, a Instituição, que é superior a "qualquer ser humano".
Com isso, fiocu provado, mais uma vez, que a Justiça brasileira somente beneficia os "Meretíssimos", os "Doutores", os "Coronéis" e os que têm dinheiro para comprá-la.


MEUS VERSOS LÍRICOS


AO POETA ILTON GURGEL
(Joésio Menezes)

É com grande satisfação
Que venho apresentar
A quem gosta de poesia
Um poeta potiguar
Natural de Caraúbas,
Homem simples, popular...


Homem simples e popular
Em Brasília residente,
Católico carismático,
Casado e pai presente
Na vida dos dois filhos
Que ama incondicionalmente.

Ama incondicionalmente
Também a seu Criador
Que lhe deu tudo na vida:
Saúde, paz, amor
E uma Sagrada família,
Como a de Jesus, o Salvador.

Foi em Jesus, o Salvador,
Que buscou inspiração
Para escrever seus versos
Com esmero e dedicação
E para falar aos amigos
Com a voz do coração.

Com a voz do coração
Ele passa a seus leitores
A palavra do Senhor
Melhor que os Pregadores
Cuja fé afugenta,
Seus fiéis seguidores.

Os fiéis seguidores
Do poeta em questão
Percebem em seus versos
O amor e a devoção
Que o nosso menestrel
Descreve com paixão.

Descreve com paixão
E com fidelidade
A vida do Messias
Na sua totalidade
E através dos seus versos
Conhecemos a verdade.

Conhecemos a verdade
Muitas vezes distorcida
Pelos que leram a Bíblia
Grande parte da sua vida
E ainda não perceberam
Que ela deve ser seguida.

Ela deve ser seguida,
Ainda que nos cause dor,
E mostrada ao mundo
Com sapiência e rigor
Para que a humanidade
Conheça o seu valor...

E conhecendo seu valor,
O poeta potiguar,
Por meio dos seus versos,
Faz questão de relatar
A verdade nua e crua
Sem medo de errar.

Sem medo de errar
O poeta vai seguindo
O que diz seu coração
E os versos vão surgindo
E revelando o artista
A que estou me referindo.

Estou me referindo
Ao nobre menestrel,
Cantador da popular
Literatura de Cordel,
Apresento a vocês
O poeta Ilton Gurgel.


O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


TRADUZIR-SE
(Ferreira Gullar)

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?


TANAJURA
(José Geraldo Pires de Mello)

Por conta de um bom descanso
A que o meu gosto se inclina,
Para o banho de água quente,
Fui procurar a piscina.
Dentro d’água estava bom
Mas vi, na manhã tão linda,
Que a coisa na passarela
Bem melhor estava ainda.

Uma garota maciça
Entre as demais encontrei,
Com trajes tão reduzidos
Que juro que me espantei.
Usava um biquíni escasso,
Do qual, num critério justo,
Uma gravata far-se-ia,
Ligando as peças, a custo...

O sutiã não cumpria
Sua missão, que é de escora:
Escorava o que podia,
Deixando o resto de fora...
E a tanga-miniatura,
Numa dona tão rotunda,
Era assaz incompetente
Para conter tanta bunda...

Melhor de frente ou de costas?
Francamente, eu não sabia,
Porém, na terceira volta,
Jurei que a frente perdia,
Que a dona, pelo argumento
Das ancas fartas e duras,
Devia ser diplomada
- Rainha das Tanajuras!

Deixo o registro fiel,
De todo isento de enganos,
Que a pequena rebolava
Mas não cabia nos panos.
E vendo-a por trás, de novo,
No molejo em que ela ia,
Eu lhe dei, sem duvidar,
O grau dez que merecia!...


CRÔNICA DA SEMANA


UMA CRÔNICA QUALQUER
(Joésio Menezes)

Hoje, eu gostaria de escrever uma crônica. O fato é que não me veio nenhuma idéia do que pretendo falar, apesar de que assunto em nosso país é o que não falta.
O leque de temas e problemas no Brasil é amplo e nos facilita descrevê-los enquanto os escrevemos, mas também nos complica porque, quase sempre, queremos “abraçar o mundo com as pernas”, e “quando muito se quer, pouco se tem”.
É assim comigo e com muitos outros que se atrevem a dar uma de cronista: começamos a escrever sobre algo, de repente não mais é aquilo que queremos falar, pois outro fato nos chamou a atenção. Às vezes, a ideias nem surgem!...
Posso citar o dia de hoje como um bom exemplo ilustrativo do que falei há pouco. Sentei-me diante do computador com uma ideia na cachola e de repente outras surgiram, no entanto, nenhuma delas eu consegui levar adiante. Eu queria ter escrito uma crônica que abordasse um tema não muito específico, mas que prendesse a atenção do leitor.
Primeiro pensei em escrever sobre a estreia do Brasil na Copa das Confederações, mas como não sou cronista esportivo, deixei essa ideia de lado. Depois, tentei enveredar na direção do Voo 477, do Airbus 330 da Air France; achei muito sensacionalismo para um assunto já tão discutido, questionado e longe de ser resolvido. Em seguida, comecei a rascunhar algo a respeito do Subprocurador Geral do GDF, envolvido num acidente de trânsito no último final de semana; também não o levei adiante por achar que minhas palavras a nada levariam. Já no desespero, tentei arriscar alguns vocábulos sobre as eleições do Irã, e mais uma vez abortei a ideia, pois pouquíssimo sei sobre aquele país. Enfim, resolvi falar sobre as sensações libidinosas que se apossam de nós quando sentimos um perfume feminino de aroma afrodisíaco, porém, não me lembrei de como são essas sensações tampouco o motivo do meu esquecimento. Resultado: não tive sobre o que escrever, o que resultou neste texto insosso.
Hoje, eu gostaria de ter escrito algumas linhas; um texto, por mais simples que fosse, ou seja, eu gostaria de ter escrito uma crônica qualquer.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

UM DEDO DE PROSA


PRELÚDIO SOBRE A VELHICE

O tempo é implacável e imparcial.
Implacável porque enquanto seus ponteiros giram numa velocidade incontrolável, os seres (animados ou inanimados) se desgastam a tal ponto de não mais se revitalizarem. Imparcial porque não escolhe sexo, cor, nacionalidade ou classe social.
Tudo nessa vida envelhece com o passar do tempo, a menos que se acabe precocemente. Daí a preocupação de muitos de nós: a velhice, “o último quartel da vida”, pois não sabemos como lidar com ela, o que fazer quando da sua chegada, como nos preparar para essa hora...
Muitos maldizem a velhice devido aos problemas de saúde que vêm junto com ela; e dizem não querê-la, mas só se escapa desse estágio da vida morrendo ainda jovem. Portanto, devemos nos colocar no lugar dos idosos e tratá-los como gostaríamos de ser tratados, pois um dia seremos velhos, a não ser que morramos antes.
E o que mais me preocupa é que em nosso país os idosos não são tratados como merecem: com muita atenção, dedicação e respeito por tudo que eles fizeram em prol da nação e o que ainda podem fazer com a experiência adquirida ao longo do tempo.
Alguns anos atrás, foi criado o Estatuto do Idoso, porém são notórios a desobediência a seus artigos e o desrespeito a seus beneficiários, principalmente por parte do Estado, que nada faz para que o documento criado por ele seja seguido à risca. O abandono e o descaso para com nossos idosos ocorrem, muitas vezes, dentro das suas próprias casas e estende-se por toda a sociedade.
Que bom seria se os idosos de todo o mundo recebessem o tratamento respeitoso que recebem os do Japão!... Lá eles são reverenciados e tratados como mestres pelos mais jovens e, principalmente, pelo Estado, pois são eles ícones da sabedoria e do conhecimento, os quais podem ser repassados aos mais novos.
É como bem disse Séneca, filósofo romano nascido no ano 4 a.C: “quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres”.
MEUS VERSOS LÍRICOS



SAUDOSA MOCIDADE
(Joésio Menezes))


Às vezes sinto uma insana vontade
De correr os quatro cantos do mundo
Em busca da minha mocidade
Adormecida em seu sono profundo,


Pois dela tenho forte saudade,
Não a esqueço sequer um segundo,
Apesar da dura realidade:
Estou velho, fraco, moribundo...

Às vezes sinto-me invadido
Pelo desejo saudoso e atrevido
De tê-la novamente comigo.

Mas logo esse desejo dá lugar
À certeza de que o tempo vai me dar
O prazer de ser meu fiel inimigo.


*O VELHO E O NOVO
(Joésio Menezes)

Ambos dividem o mesmo espaço...
O novo, com mais ou menos cinco anos,
Sozinho não sabe fazer planos
Ou andar sem qualquer desembaraço.

O velho, representante digno do cansaço,
Envolto em seus maltrapilhos panos
Descansa o corpo em trajes desumanos;
O novo firma-se em suas “pernas de aço”.

O velho, insensível e egoísta que é,
Dorme; e ao seu lado permanece em pé
O novo, que cochila mas não cai...

O velho, também de coração maltrapilho,
Não se lembra que um dia já foi filho
Nem o que é ser protegido pelo pai.


*Soneto escrito dentro do ônibus, às três horas da manhã, quando eu viajava para Salvador (em julho/99) e presenciei, na rodoviária de uma cidadezinha baiana, a cena descrita nos versos acima.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



O VELHO
(Vivaldo Bernardes de Almeida)


Canta o galo no muro do vizinho,
madrugada surgindo devagar.
No beiral pousa triste passarinho.
Eis que é hora do sono debandar.


Já cansada, encurvada no cantinho
a bengala espera pendurada.
Vai fazer outra vez mesmo caminho
e voltar à parede escavada.

Os seus planos, tecidos com carinho,
são fugazes e são de arribaçã,
só fumaças saídas do cadinho.

Só do hoje imutável vive o velho,
Não tem hoje, não tem nem amanhã.
Diferença não há para o revelho.


ENSAIO SOBRE A VELHICE
(Félix Ventura)

A velhice... não está longe,
não está perto.
Não obedece a cronologias.
Não tem a cor grisalho-acinzentada,
nem rugas, nem doenças.
Apenas, tempo em desinência,
proclamador hirto da descrença
a lançar fagulhas e desilusão,
contra os peitos inocentes.
Se o espírito envelhece
no amargor da juventude,
perde-se na plenitude
desse imenso viver.
Recluso e pequeno,
vive a rastejar,
blasfemar, reclamar.
desgastar a essência
que nos faz sempre jovens.
A velhice está perto dos céticos,
desesperançados...
Perto dos pântanos
e das lamas morais.
Das mentes ígneas
e seus incêndios de insanidade.
Está perto da idade
Onde deixamos de sonhar.
CRÔNICA DA SEMANA


O POETA E SUA MEIGA HEROÍNA
(Joésio Menezes)

Não poderia eu encerrar minhas narrativas sem antes dedicar algumas linhas àquele mineiro de Santa Juliana, ex-seminarista de olhos azuis e amante da filosofia que, em troca de uma paixão arrebatadora pela sua “meiga heroína”, abandonara seus planos de dedicar-se à vida religiosa.
Apesar de as mães do casal serem contrárias à união matrimonial dos dois, pois ambos eram primos e, além disso, o jovem rapaz tinha vocação para padre, eles lutaram, enfrentaram muitos obstáculos e casaram-se. Na época, ele estava com 23 anos; ela, com 17. E mesmo sendo muito jovens, estabeleceram que nunca se separariam e que os filhos que Deus permitisse que tivessem, não importando quantos fossem, todos estudariam e seriam “alguém na vida”.
Sentindo que Santa Juliana ficaria pequena para criar, educar e formar seus filhos, ele mudou-se para Ituiutaba, depois para Uberaba e aqui chegou nos idos de 1968 na companhia da sua jovem esposa e dos filhos que tiverem ao longo das 71 primaveras em que viveram juntos. Na bagagem, trouxe apenas sonhos e projetos traçados quando do seu casamento com a prima e eterna companheira, Thereza.
Incansavelmente, trabalhou até os 88 anos de idade, e durante 33 anos da sua vida ia e voltava de ônibus a Planaltina de Goiás, pois era funcionário da Câmara daquele município. Mas antes de sair para o trabalho preparava o café e o levava para sua “meiga heroína”, na cama. Assim ele fazia todos os dias, durante quase toda a vida em que juntos estiveram.
Além de ser um marido eternamente apaixonado e um dedicado pai, ele era também um semeador de doces e alentadoras palavras, um cultivador de sonhos, um idealizador de fantasias, um realizador de projetos, enfim, um grande e refinado poeta.
Aos 90 anos, um coágulo no cérebro deixou seus firmes passos mais lentos e desequilibrados. Pelo quadro clínico que apresentava, era para nunca mais falar, porém, como se um milagre tivesse acontecido, ele deu uma rasteira no destino, nos médicos e nos prognósticos: falava como nunca. Seus passos não mais eram firmes como outrora, no entanto, a fala parece ter-lhe voltado com mais corda, com mais vigor, de bateria nova...
Em 2008, quis o destino que o acordo estabelecido entre ele e sua eterna companheira, sete décadas antes, fosse quebrado: separaram-se, mas não por muito tempo. Primeiro se foi Thereza, que partiu quando ele mais necessitava dela. Dezoito dias após, ele não resistiu à ausência da amada e partiu ao seu encontro, levando no peito a dor da saudade e a certeza de que a sua “meiga heroína” o esperava de braços abertos.
Hoje, os dois circundam de mãos dadas os bosques e jardins do Paraíso. Ele recitando versos aos querubins e aos anjos da guarda que o acompanharam durante os 71 anos de matrimônio com sua Thereza; ela, espalhando pelas brancas nuvens pétalas de determinação, paciência, dedicação e sabedoria a fim de que elas possam chegar, através da atmosfera do amor, aos corações dos filhos que lhe dera Elpídio da Cunha Rezende, seu fiel amante e inseparável amigo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

UM DEDO DE PROSA


MEDO DO SONHO DE ÍCARO

Mais uma tragédia aérea deixa o mundo consternado e em polvorosa. Um Jumbo da Air France, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris na noite do último domingo, levou mais de duzentas pessoas ao último voo de suas vidas, sumindo dos radares poucas horas após a decolagem. Nenhuma notícia se tem sobre o que de fato aconteceu com a aeronave. Sabe-se, apenas, que desapareceu sem deixar sinais.
Ultimamente, está muito difícil assistir aos telejornais visto que uma enxurrada de más notícias jorra pelos nossos televisores: crise econômica, mortes no trânsito, ameaças nucleares, ataques terroristas, enchentes no nordeste brasileiro, acidentes aéreos...
Eu, que jamais viajei de avião, nunca tive a mínima vontade de “voar”, e hoje, diante dos últimos acontecimentos, essa vontade passa a 500 anos luz distante de mim... Vou pedir, inclusive, que meu nome não mais seja listado na “farra das passagens aéreas” promovida pelos nossos parlamentares!... O sonho de voar deixo a cargo de Ícaro; e o ato, aos pássaros.
Prefiro viajar através dos versos que leio e dos que escrevo, pois é bem mais emocionante e seguro, disso tenho certeza.
Eu gosto mesmo é de sentir o chão sob os meus pés!!!
MEUS VERSOS LÍRICOS



CORDEL AUTOBIOGRÁFICO
(Joésio Menezes)

Nasci em Tobias Barreto,
Lá pras bandas do agreste,
Interior de Sergipe,
Terra árida do Nordeste,
Onde os “fio” da seca
São “chamado caba da peste”.

Meu pai era alfaiate;
Minha mãe, “custurera”;
Meu avô fazia de tudo;
Minha avó, “mulé rendera”;
E eu, que “num” fazia nada,
Levava a vida na “brincadera”.

Desde pequeno, inda “minino”,
Eu sonhava ser “dotô”
E minha mãe sempre dizia:
‘Siga os “passo” do seu avô,
Ele fazia de tudo,
Foi um “home trabaiadô”.

Era muito respeitado
E por onde ele “passô”
Tinha fama de “home” sério,
Educado e “respeitadô”.
Era “isperto” e tinha “curtura”,
Porém nunca “istudô”’.

As “palavra” da minha mãe
Inda “soa” nos meus “ovido”,
Mas o que ela me disse
Foi quase tudo perdido,
Pois “num sigui os passo”
Do meu Vozinho querido.

Alguns anos mais tarde,
Quando ainda era “minino”,
“Acompanhano” minha mãe
“Dexei” o solo nordestino
E noutra terra fui morar,
Onde ”iscrivi” o meu “distino”.

“Apiamo” em Brasília,
No Centro-Oste “brasilero”,
Terra “disconhecida”,
Habitada por “forastero”,
Inclusive meus “irmão”
Que aqui “chegaro primero”.

“Viemo” prá Planaltina
E investi nesse chão
Os “sonho” de “minino”
Que habitava meu coração,
Sem “m’isquecê”, porém,
Do meu querido torrão.

Os anos “fôro passano”
E eu “ficano” mais “criscido”;
O bigode foi “nasceno”
E “aumentano” minha libido;
O “amô”, intão, surgiu...
Já era “home maduricido”!

Uma namorada aqui,
Um namorico acolá,
Conheci Benedita
Lá pras bandas do Guará,
“Cum” ela me casei
E vi minha vida “miorá”.

Ela, intão, me deu dois “fio”,
Um casal de bons “minino”,
Hoje já bem “criscidos”
E “traçano” seus “distino”
Prá “tê” uma vida “mió”
Que a do pai nordestino...

Não realizei meu sonho
De me “formá em dotô”,
Mas escrevo alguns versos
Como se fosse “iscritô”
E levanto as “mão” pro céu,
Pois hoje “sô um professô”.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


EU NÃO SINTO A SOLIDÃO
(Gabriela Mistral)

É a noite desamparo
das montanhas ao oceano.
Porém eu, a que te ama,
eu não sinto a solidão.
É todo o céu desamparo,
mergulha a lua nas ondas.
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.
É o mundo desamparo,
triste a carne em abandono
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.


SEGREDO
(Mariana Lima)

Não devo te querer, bem sei
Porque não posso te amar;
Ainda que o amor em meu peito
Esteja a dilacerar
Insistindo com o coração
A idéia de te procurar.

O desejo de teus beijos, eu sinto
É uma verdade, não minto
Mas sei que é um amor impossível
É um querer sem razão;
Apenas um sentimento ingênuo
Do meu pobre coração.

Noites sem fim em minha cama
Penso em ti minha dama,
É difícil adormecer!
Não consigo entender
Esse amor que me invade a alma
Tirando-me o sono e a calma.

Ainda assim, preciso ponderar,
Estamos tão longe um do outro
Como o sul está do norte,
Tu, és dama da corte
E eu, um plebeu sem sorte.

Guardarei só para mim
O desejo de te amar,
Não saberás de mim,
Nem das minhas ansiedades
Ficarei no anonimato
Com minha infelicidade.
CRÔNICA DA SEMANA


O AMANHÃ PODE NEM EXISTIR...
(Aíla Sampaio)

Desde criança, eu gostava de coisas boas. Morava no interior do Ceará e meu pai, que criava gado para vender ao FRIFOR, viajava constantemente para a capital e, quando voltava, trazia pacotes de presentes... os mais preciosos eram os de calcinhas “bunda-rica”, acho que nem mais existem hoje. As pessoas da minha época lembrarão que era uma calcinha cheia de babadinhos na parte de trás, em um material delicado, acho que jérssei... eu erguia a peça para a luz e olhava através da malha para identificar se eram ou não da marca Valisére... se não fosse, eu não usava. Os meus cabelos longos eram divididos em duas “Maria-Chiquinhas” amarradas com laços de seda que deveriam ser da mesma cor da calcinha e da meia. Papai ria das minhas manias e repetia: “que menina mais vaidosa!!!”. A mamãe ficava enfurecida. Achava-me exigente demais. Era um vestido para cada dia, todos de cambraia ou organdi, sem uma repetição durante a semana. Lembro muitas vezes que saíamos para o Brejo-Santo, cidade vizinha, para comprarmos roupas na boutique da Pitoquinha. A mamãe não aprovava, porque havia muitas costureiras que poderiam fazer roupas com o preço bem menor lá mesmo em Abaiara. Mas o papai fazia tudo para me agradar. Mesmo assim, eu era uma criança antipática, arredia, não gostava de muito chamego, não suportava pessoas negras dentro de casa... e meu pai era político, gostava de casa cheia. Recebia qualquer pessoa com o mesmo olhar sereno e me apresentava com orgulho: “essa é a Ailinha, minha bonequinha”. Muitas vezes eu saia correndo, com raiva e me isolava. Eu sabia que deixava o papai triste com aquele comportamento, mas agia sempre do mesmo modo. Nunca pedia desculpa... não sabia expressar meus sentimentos, achava que isso me fragilizaria. Era orgulhosa demais, gostava de ser paparicada, que me implorassem as coisas.
À tardinha, eu ficava sempre na minha cadeirinha de balanço, na calçada, a pretexto de olhar a rua, mas ficava mesmo era esperando que ele voltasse da Fazenda. Um dia anoiteceu sem que ele voltasse. Eu já estava impaciente, peguei a biclicleta do meu irmão e sai tentando pedalar, caindo, me arranhando, quando vi um carro estranho parado à porta da nossa casa. Corri para saber a novidade, o coração apertado sem eu saber por quê... Vi minha mãe na sala, com sua barriga de sete meses – carregando a irmãzinha que eu tanto pedia – perguntando como acontecera o acidente. O seu primo dizia onde ocorrera e que devíamos ir vê-lo. Mamãe estava calma, acreditando, mas eu, atônita, gritei: “meu pai morreu, eu sei, eu sinto” e fiquei com aquela dor seca sem conseguir chorar. Naquele momento eu tive a certeza de que havia perdido a pessoa que mais me amou na vida. Todos negaram o fato, afinal precisavam poupar a mamãe. Só no dia seguinte vi seu corpo e despedi-me para sempre. Eu tinha 6 anos e 6 meses...
Hoje, 37 anos depois, guardo seu sorriso limpo, seu olhar de sonho e seu amor. Mesmo com minha mãe e meus irmãos, senti que estava irremediavelmente sozinha. Nunca mais ganhei vestidos de organdi nem calcinhas Valisére... Mas não foi isso o que me fez mais falta na vida, não foi. Carreguei para sempre sua voz me pedindo cafuné e eu correndo pra me esconder, fugindo dos seus abraços, fazendo-me antipática para os seus amigos. A vida foi cruel... não me deu tempo para dizê-lo o quanto ele era importante para mim, o quanto eu o amava, o quanto me orgulhava de sua integridade. Hoje, 14 de fevereiro de 2009, se estivesse vivo, ele faria 75 anos. Vi-me de repente chorando, me sentindo só como quando era criança e ele demorava a voltar. Cresci e ele não viu. Transformei-me numa pessoa mais humana, mais sincera e ele não viu. Hoje, digo que amo quem amo, não perco tempo... abro a minha alma, me desnudo, tentando matar o orgulho e a vaidade, sem medo das consequências de expor o coração, afinal, o amanhã pode nem existir...

terça-feira, 26 de maio de 2009

UM DEDO DE PROSA


“FALEM MAL, MAS FALEM DE MIM”

Confesso que fiquei muito surpreso e chocado com o comentário do(a) leitor(a) I. A. Vilella (postado justamente no dia do meu aniversário, 16/05). Talvez pelo fato de ele(a) sugerir que meus textos sejam engavetados visto que não têm “voz própria” (não conseguem ”livrar-se da tão alardeada angústia da influência”) e “não acrescentam absolutamente nada de novo ao mundo”.
Para quem escreve amadoramente (e não está acostumado a esse tipo de comentário), às vezes, essas críticas vêm como uma bomba. E comigo não foi diferente: a primeira leitura da “crítica” deixou-me em estado de choque e abatimento, pois a rudeza com que o(a) leitor(a) foi sincero(a) me pegou de surpresa.
Apesar do meu amadorismo, escrevo já faz alguns anos, e pela “experiência” que tenho no vasto universo da literatura (primeiro como estudante, depois como professor e, finalmente, como “aspirante a escritor”), já não era sem tempo uma “Crítica” desse nível. Inda mais porque sempre falei aos amigos que meu sonho era ver meus livros nas mãos de um renomado e respeitado Crítico Literário. Se ele os classificasse como sendo “os piores” trabalhos já postos diante dos seus olhos, certamente grande parte dos livros que tenho estocado em casa sairia como água, pois os verdadeiros amantes da literatura buscariam saber o porquê de tão depreciadora crítica.
Publicamente, peço desculpas ao(à) crítico(a) leitor(a) Vilella pela aspereza das minhas palavras, publicadas no texto PREPOTÊNCIA À PARTE (em 19/05), mas reitero aqui o que por mim foi dito naquela ocasião: JAMAIS ENGAVETAREI MEUS ESCRITOS, mesmo não sendo eles unânimes entre os que têm bom-gosto pela leitura... “O que seria do branco se todos gostassem do azul?”
E no embalo das “ponderações”, aproveito a oportunidade para, também, justificar a utilização do termo “jargão” (em vez de “provérbio”, “dito popular” ou “máxima”) cujo significado não me é desconhecido (linguagem própria de certos grupos ou profissionais). O termo foi por mim utilizado no soneto A “NÃO SEI QUEM” VILELLA com o intuito de instigá-lo(a), uma vez que me vi na obrigação de “forçar” uma rima (coração/jargão).
MEUS VERSOS LÍRICOS(?)



MÁXIMAS
(Joésio Menezes)


“Enquanto há vida, há esperança”,
Por isso, “falem mal, mas falem de mim”,
Pois “após a tempestade vem a bonança”
E enquanto ela não vem vou vivendo assim:


“Nem tanto ao mar nem tanto à terra”,
“No meio é que está a virtude”
Dos que fazem versos em vez da guerra
E vivem o amor na sua plenitude.

Então, “é melhor prevenir que remediar”
E “entre mortos e feridos alguém há de escapar”
Dos “males que vêm para o bem”...

E já que tempo me custa dinheiro,
"Farinha pouca, meu pirão primeiro",
Pois “quem dá o que tem, a pedir vem”.


JOSÉ
(Joésio Menezes)

Meu nome é José...
Não sou vagabundo,
Mas sou para o mundo
Um Zé “qualqué”.

Um Zé Ninguém
Sem eira nem beira,
Sem nada na algibeira...
Sem sequer um vintém!

Meu nome é José...
José sem amor, sem paixão;
José sem Deus, sem religião;
José sem credo... José sem fé.

Um José sem moradia,
Sem emprego, sem felicidade,
Sem sorte, sem dignidade,
Sem vida, sem cidadania...

José é o meu nome.
Sem Gênio, sem Fada,
Sem mágicas, sem nada...
Sem ao menos um sobrenome.

Um José que a vida pariu
Sem cara, sem identidade,
Mas o exame de paternidade
Diz que sou José do Brasil!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


DEUS
(Casimiro de Abreu)

Eu me lembro! eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?!”

— Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus
E respondeu: — “ Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! meu filho, é — Deus!”—


LEDA SERENIDADE DELEITOSA
(Luís Vaz de Camões)

Leda serenidade deleitosa,
que representa em terra um paraíso:
entre rubis e perlas, doce riso;
debaixo de ouro e neve, cor de rosa.

Presença moderada e graciosa,
onde ensinando estão despejo e siso
que se pode por arte e por aviso,
como por natureza, ser fermosa:

fala de quem a morte e a vida pende,
rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
repouso nela alegre e comedido.

Estas as armas são com que me rende
e me cativa Amor; mas não que possa
despojar-me da glória de rendido
CRÔNICA DA SEMANA


CÚMPLICES
(Pedro Brasil Júnior)

Fixei meus olhos na folha branca de papel. Branca e pura!
Clamei por palavras... mas nenhuma me ouviu!
Gritei por versos simples! E permaneci enroscado em invisíveis estrofes.
Que fazer? Perguntei-me...
Respirei fundo, olhei pela fresta da janela... Só havia as luzes das ruas rabiscando a escuridão. Mas havia o silêncio... tão profundo que, quase o toquei!
Então acendi um cigarro e fiquei contemplando argolas de fumaça. Uma por uma foram subindo em direção à lâmpada, juntando-se em interessantes elos. Dissipando-se depois da ideia... Ideia! Finalmente uma! E crivei dois pontinhos naquela folha, agora, já não tão pura assim. Opostos naquele retângulo ficaram como eu, esperando por alguma coisa. Então, os liguei, lembrando daqueles exercícios de ligar pontos. Não vi figura alguma!
Mas ... não é que inventei uma linha? Justo eu que nada entendo de geometria?
Bem; agora que já tinha uma linha, podia inventar qualquer palavra, qualquer frase, qualquer estória...
Agora, palavra inventada, éramos, a folha alva, a escuridão e o silêncio, cúmplices de uma emoção: acabara de nascer mais uma parte do meu ser !

terça-feira, 19 de maio de 2009

UM DEDO DE PROSA


PREPOTÊNCIA À PARTE...

Semanas atrás aqui publiquei um texto sobre a hipocrisia. Tal texto surgiu porque me deram oportunidade e motivos para fazê-lo. E hoje cá estou eu tentando falar sobre a prepotência.
Algumas pessoas se dizem “prepotentes” sem ao menos saberem o que significa a palavra e buscam, por meio da dialética (que pensam saber usá-la melhor que as demais pessoas), intimidar ou ridicularizar os que as ouvem ou as leem.
Penso que para se autodenominarem “prepotentes”, essas pessoas têm a "obrigação" de ser melhores que as outras. Caso contrário, são só “mais um na multidão” tentando se esconder na suposta submissão dos outros.
Meus textos aqui estão para serem abertamente compartilhados entre todos os internautas, com direito, inclusive, às críticas. Jamais me autodenominei “grande” em nada (grande homem, grande pessoa, grande poeta, grande isso, grande aquilo...). Pelo contrário, sempre fiz questão de frisar que sou um "aprendiz de poeta", um "aspirante a escritor", um "estagiário de boa pessoa"... No entanto, nunca fui de esconder o que penso e o que escrevo. Se meus textos são “água com açúcar”, apimentados ou de “pequena grandeza”, cabe aos leitores classificá-los. Mas engavetá-los, isso não farei.
São muitos os grandes escritores que eu conheço, leio e admiro, porém nunca busquei copiar nenhum deles. Espelho-me sim no poeta José Geraldo Pires de Melo, porém copiá-lo não. Primeiro porque cada artista tem seu estilo; segundo porque quem tenta ser igual a outras pessoas não tem personalidade própria. Mas fico muito lisonjeado quando dizem que meus versos não passam de “uma cópia mal-disfarçada de Neruda”. Quem me dera conseguir copiar Neruda, ainda que mal-disfarçadamente!!!
Como já mencionei aqui mesmo nesse espaço, sei que meus textos não são unânimes no que se refere ao gosto dos leitores tampouco são os mais rejeitados, mas quem os lê e critica ou elogia, deixa sempre, às claras, meios de receber os meus agradecimentos. Esses leitores não se escondem numa “camuflada prepotência”, a qual prefiro chamar por outro nome: covardia, pois quem assim o faz tem medo de ler ou ouvir o que não lhes interessa.
Não me chateia receber críticas (por isso o Portal da Poesia está aberto a todos)!... Chateia-me, sim, saber que ainda há pessoas que se dizem “prepotentes” quando na verdade não passam de meros “aprendizes de Crítico”, assustados com o que lhes possa acontecer na busca da sua auto-afirmação.
Mais uma vez meus textos aqui estão. Leiam, comentem, critiquem... e perdoem-me, amigos, se estou sendo grosseiro, mas se meus escritos não lhes agradam, procurem outros sites, pois melhores que este tem aos montes na net. É claro que sua ausência me deixará triste, mas mais triste ainda ficarei se eu souber que aqui estão somente para agradar-me.
MEUS VERSOS LÍRICOS



A “NÃO SEI QUEM” VILELLA
(Joésio Menezes)


Uns dizem que escrevo muito bem;
Outros, que sou um péssimo escritor.
Há quem costuma dizer, também,
Que não sei rimar “dor” com “dor”.


Escrevo, mas sei que estou aquém
Dos que fazem dos versos o fio condutor
Que leva a alma ao nirvana, porém
Faço meus versos sem nada impor.

E entre uma crítica e um elogio,
Sinto aumentar o pudor do meu brio,
Pois sei: nenhum dos dois é ruim.

Críticas não afligem meu coração
Uma vez que sou adepto do jargão:
“Falem mal, mas falem de mim”.


TERRA SANTA
(Joésio Menezes)

Na Terra Santa
Não é santa a terra
Que aterra seu povo
Em conflitos de guerra.

Homens que buscam
Chegar à perfeição
Derramando sangue
Do seu próprio irmão
Em troca do nada
Em busca da fé
Sem saber quem é
Seu Deus na religião

Na Guerra Santa
Não é santa a guerra
Que enterra os filhos
De outras Terras.

O homem perfeito
É imagem e semelhança
Do seu Criador
Que deposita confiança
Sem pedir nada
Ao homem sem fé
Que não sabe o que é
Viver com esperança
Na Terra Santa...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


RECADO PARA UM ANJO
(Marcial Salaverry)

Se chegas como anjo,
um lugar a meu lado te arranjo...
Traga essa doce emoção,
alegrando-me o coração...
Amor... Carinho... Amizade...
Sempre uma doce felicidade...
Um anjo para me proteger,
trazendo-me carinho e bem querer...
Que mais posso querer?
Apenas dizer: Obrigado Amigão,
por mais essa doce proteção...
Esse anjo surgiu do espaço sideral,
para livrar-me do mal...
É um anjo cheio de doçura,
que me trouxe muita ternura...
Para meu anjo, um recado...
Sob suas asas, sinto-me protegido,
muito amado e querido...


CÁRCERE
(Clay Regazzoni)

Há tempos tenho vivido
Num estado de cárcere permanente
Mas não me importo com essa prisão
Aqui não existe sofrimento
Não há tristeza ou dor
Nem medo ou solidão
Nada me fere ou corrompe.

Não estou cercado pelo frio do metal
Pois as grades dessa prisão foram forjadas
Nas chamas indeléveis de meu sentir
Algemas não envolvem meus pulsos
Mas as doces teias de uma paixão
Acorrentam meu coração.

Sinto-me livre aprisionado aqui
Sinto-me leve, sem pesar algum
Em paz, sem temor nenhum
Aqui tenho regalias
Que os anjos me concederam
Posso voar pelo tempo e espaço
Sem nunca me afastar do que mais louvo.

Ansioso ainda espero minha sentença derradeira
Pedindo que minha pena seja perpétua
Não me arrependo do meu crime
Não me envergonho do meu pecado
Quero pagar por tudo que fiz
O crime que cometi foi amar-te tanto
Posso mereço ficar até o fim dos tempos
Encarcerado em teus abraços.
CRÔNICA DA SEMANA


A IMPORTÂNCIA DO LEITOR
(Jorge Humberto)

A liberdade de escolha (concordando ou não), quanto às preferências de leitura, de nossos leitores só a eles lhes assiste, enquanto a nós, poetas, cabe-nos persistir, entre o amor e as injustiças, nada omitindo ou floreando ao deixar de tratar as coisas pelos seus próprios nomes, por mais que doa o retrato fiel e doloroso que está por todo o lado, para onde quer que nos voltemos.
Confesso (de maneira a ficar de bem com a minha consciência) que lendo as estatísticas, certo desgosto apodera-se de mim ao reparar de punho cerrado que os leitores deixam de lado, sistematicamente, poemas que falam ao mundo sobre a triste e vergonhosa realidade de muitos países assolados pela fome e pela guerra, ficando assim sem saberem o que se passa de fato para poderem formarem uma ideia mais concreta do mundo, do qual todos nós fazemos parte, disso não olvidando nunca.
E ante a natural indignidade, espalharem a palavra pelas escolas, trabalho e amigos, lembrando-lhes que todos os cinco minutos, na África, morrem quatro crianças inocentes por má nutrição e falta de medicina, que nós no Ocidente e outros países desenvolvidos temos de sobra.
Vejo também que tudo que seja reflexão ou pensamento, que apenas expõe a opinião do poeta, e, a quem lê, toda a liberdade de dialogar consigo mesmo, reafirmando ou ajustando, o que têm por certo é coisa sem importância para a grande maioria dos leitores.
Assim, mais inconformado fico quando, perante o que eu acho, por injustificado (quem não lê sobre todos os temas fica a meio caminho), consternado, vejo-me obrigado a aceitar que apenas se dá atenção a poemas sobre sexo e amor, de alcova.
Mas como disse, livre é o leitor ante aquilo que resolve ler ou simplesmente ignorar. Ao poeta, a responsabilidade de um dia vir a mudar tal situação e escrever sem parar a complexidade desse nosso pequeno mundo, mas que tanto tem para nos dizer.
Por fim, para os mais acérrimos nessas coisas da leitura, dizer-lhes que “sim senhor, também escrevo sobre o amor, que de amor, seria o mundo”. Mas não é. Penso, pois, caber-me algum respeito ao por mim delineado sobre o que penso, deveria ser a conduta, a ter de agora em diante por todo o leitor, de poesia e demais escritas.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

UM DEDO DE PROSA


O TEMPO NOS ENSINA A ARTE DE AMAR

Amanhã. 16 de maio, mais um outono cai sobre meus ombros.
Cada dia que passa, mais me aproximo do "meio século". Não que isso seja ruim, mas está mais do que comprovado que o tempo deteriora até as pedras. E como não só pedra (tampouco meu coração o é!), sinto que a ação do tempo age sobre mim: Não mais enxergo como antes; não mais tenho a força de outrora; meu raciocínio está cada vez mais lento; os cabelos, mais brancos; a pela, mais enrugada, a barriga... Bem!... Deixemos de lado esse item, pois há algo mais interessante a ser falado... Mas o quê, por exemplo:
A ação do tempo pode nos tirar tudo, mas a capacidade de amar e de ser paciente ah!... isso não!...
É essa a maior vantagem que levamos sobre os mais jovens: amamos com maior intensidade e com melhor qualidade (estou referindo-me ao senrimento "amor", e não ao ato sexual) e temos muito mais paciência que eles, ou seja, o Tempo nos dá o tempo necessário para esperarmos as coisas acontecerem.
Quanto mais o tempo passa, mais ele nos ensina as artes de "amar" e do "saber esperar".
Então, que venha logo esse meio século!...
MEUS VERSOS LÍRICOS



ESFINGE
(Joésio Menezes)


Me encantam teu corpo dourado,
Teus olhos claros, teu jeito sério,
Teu riso raro com ar de mistério
E a sensualidade do teu rebolado.


Me fascinam teu falar moderado,
Sem meio termo, mas com critério,
Teu modo de atuar em teu ministério
E os enigmas do teu Ser reservado...

E teus mistérios, enigmas, encantos,
São inúmeros, são infindos, são tantos,
Que sabedoria a Deus imploro,

Pois, o magnetismo do teu olhar
Parece que está querendo falar:
“Decifra-me ou te devoro


ENQUANTO VIDA EU TIVER
(Joésio Menezes)

Enquanto vida eu tiver
A ti me dedicarei,
E a Deus agradecerei
Por seres minha mulher.

Ao teu lado hei de estar
Dedicando-te o que preciso for:
A minha vida, o meu amor,
As estrelas, o céu, os raios do luar.

E por ti meu velho coração,
Muito feliz, cheio de paixão,
Estará apostos para o que der e vier...

Aos teus pés me ajoelharei,
Qual um súdito ao seu rei,
Enquanto vida eu tiver.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL





SONETO DA INTIMIDADE
(Vinícius de Moraes)



Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.


LIVROS E FLORES
(Machado de Assis)

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?