quarta-feira, 10 de junho de 2009

O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



O VELHO
(Vivaldo Bernardes de Almeida)


Canta o galo no muro do vizinho,
madrugada surgindo devagar.
No beiral pousa triste passarinho.
Eis que é hora do sono debandar.


Já cansada, encurvada no cantinho
a bengala espera pendurada.
Vai fazer outra vez mesmo caminho
e voltar à parede escavada.

Os seus planos, tecidos com carinho,
são fugazes e são de arribaçã,
só fumaças saídas do cadinho.

Só do hoje imutável vive o velho,
Não tem hoje, não tem nem amanhã.
Diferença não há para o revelho.


ENSAIO SOBRE A VELHICE
(Félix Ventura)

A velhice... não está longe,
não está perto.
Não obedece a cronologias.
Não tem a cor grisalho-acinzentada,
nem rugas, nem doenças.
Apenas, tempo em desinência,
proclamador hirto da descrença
a lançar fagulhas e desilusão,
contra os peitos inocentes.
Se o espírito envelhece
no amargor da juventude,
perde-se na plenitude
desse imenso viver.
Recluso e pequeno,
vive a rastejar,
blasfemar, reclamar.
desgastar a essência
que nos faz sempre jovens.
A velhice está perto dos céticos,
desesperançados...
Perto dos pântanos
e das lamas morais.
Das mentes ígneas
e seus incêndios de insanidade.
Está perto da idade
Onde deixamos de sonhar.

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