O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA
Eu sou o que eu sei,
mas nem sempre eu sei o que eu sei,
às vezes o que eu sei é muito pouco,
com isso me acho insuficiente,
com tudo me sinto fraco,
com nada me sinto forte,
eu sou o silêncio de um grito forte,
eu sou as lágrimas de um sorriso nos olhos,
eu tenho Dólares, eu tenho damas,
fui a última inspiração de um
poeta suicida,
eu tenho vida e tento conviver,
eu tenho um barril de mágoas
e um pequeno cofre cheio de
perdão,
mas aqui não vejo ninguém nessa
multidão,
mas estou tranquilo, tranquilo...
Eu sou tranquilo, tranquilo...
PEDRA
DO TROPEÇO II
(Expedito
Gonçalves Dias)
Um
ribeiro manso corre em serenos sobressaltos,
sem
estardalhaço, se torna em baixo pequeno açude,
e
do alto desce feito intensa e imponente
cachoeira.
Mês
a mês, ano após ano, a vida inteira exigente,
mas
não entendemos, infelizmente seu feroz apelo.
Na
correria atroz do dia a dia deixamos de lado
o
que é mais importante, estátuas de gelo, seguimos
por
caminhos tortuosos e desconcertantes iludidos,
desde
a expulsão inequívoca e atroz do paraíso
atrás das facilidades pensamos obter sabedoria.
Assim,
nossos sonhos silenciosos pelo tempo,
seguem
perdidos, dissonantes e sem esperança,
sem
a receita que permita sua concretização,
até
que nos colocam contra a parede, de repente;
desta
feita com vigor, reclamando a sua inclusão.
E
nos cobram com juros altos o dízimo esquecido.
A
criança perdida no tempo surge à nossa frente
em
busca dos nossos planos guardados na gaveta.
Apela
para o coração, usa todas as artimanhas,
Ganha
força, faz birra, impõe de novo sua presença.
Desfaz-se
a ilusão que nos impedia de enxergar
a
verdade, a ver a idade, o passar do tempo...
Nossos
sonhos nos mostram que estão vivos
como
altos pinheiros, em verde e oiro se agitam,
aves
que gritam, em bebedeiras de azul do céu.
Este
painel que nos espreita e parece nos deter
é
o medo nos assalta que sobrevém de longas eras.
Pobre
de nós, pensamos que ele nos vela e protege
mas
na verdade nos atropela e intimida os passos
e
nos leva aos atalhos da vida, evitando a via estreita.
O
sonho é tela, cor, pincel, contraponto, sinfonia,
taça
de mel que desce macio, inspiração do artista,
fanal
que exige uma alma, porto a ser iluminado.
o
sol se desvanece se não percebemos sua sombra
se
o tiramos de nossa lista, de nossa receita trivial.
Se
nos quedamos diante do medo, o mal se agiganta,
atrofia-se
a garganta e a palavra mágica se cala,
fecha-se
o céu, estanca-se a magia de amor e verdade.
A
noite exige de novo seu reinado de dor e falsidade;
fazendo-se
açoite, cobre-nos com seu véu em pleno dia...
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