CRÔNICA DA SEMANA
(Taís Luso de
Carvalho)
Começo este
texto dizendo como é bom e também difícil escrever. Fico a imaginar certos
cronistas que escrevem diariamente para jornais, também. Sei quais são, sou boa
leitora de jornais. Na maioria das vezes eles escrevem crônicas excelentes,
outros dias, nem tanto. Mas há de se dar um desconto: não é fácil lançar um
texto por dia, com hora marcada e com contrato a cumprir. O jornal não espera;
a revista tem prazo pra fechar a página. É uma luta contra o tempo. Tenta-se
tirar assunto até de pedra. Mas o pior é que nem tudo tem importância para se
levado ao leitor. Então existe mais esse critério a seguir: o que realmente é
relevante para ser contado. Como ficam os escritores profissionais com tempo se
esgotando? Esses, são os heróis da escrita.
Estava há 5
minutos revendo e corrigindo uma crônica e parei: vi que minhas ideias estavam
se embaralhando; Quanto mais mexia, pior ficava. Que maçaroca!...
Pulei pra
outra folha, branquinha e fria, louca pra que eu me danasse novamente. Todas as
folhas brancas são iguais: nos desafiam a escrever algo que preste.
Algumas vezes
começo um texto, e na metade... cai! Ué, por que caiu? Uma palavra é o bastante
para puxar uma lembrança e o negócio se mistura. Qualquer coisa que se escreve
tem o seu tempo de maturação, muita coisa se desarruma. Deixo em banho-maria.
Mas... e quem não tem tempo para esperar?
Cada vez
exercito mais a objetividade. Enxugar um texto se faz necessário pra não cansar
o coitado do leitor, ainda mais com a Internet que requer textos curtos e
objetivos. Não dá pra ficar enfeitando, usando adjetivos desnecessários num
país que já lê pouco.
Por que não
paro por hoje? Por que não fecho o computador e recomeço outro dia? Só tenho
uma resposta: escrever vicia. Insisto, tento. Não me entrego. Faço um esboço do
assunto e paro. Volto, releio, enxugo, modifico. Troco de assunto no meio do
caminho porque surgiu uma nova ideia. É como se estivesse pintando uma obra e
vejo que não acertei o tom, o traçado, o equilíbrio, a harmonia, sei lá!... Dá
uma agonia. Mas uma agonia diferente, não de dor, mas de procura. Tudo que é
bom e que gostamos, vicia! Uma parte do cérebro dita a regra: faça porque é bom!
Mas, nem tudo
o que se pensa deve ir para a mídia. Pode ser importante para alguns, mas não
para outros. E principalmente quando falamos de sentimentos. Aí pode ser
desastroso. Enquanto me sensibilizo e sofro por algo, para o leitor pode ser
galhofa.
Ninguém
escreve para si; se assim fosse não sairia da gaveta. Penso que na era da
informática, da escrita livre e rápida dos blogs, sites, Facebook... as gavetas
ficaram limpas. Todos querem se manifestar, porque o ser humano sempre tem algo
para dizer. E cada um se manifesta e se expressa de seu jeito: uns na escrita,
outros na arte, outros na oratória, na dança, na mímica... Enfim, queremos
criar.
E essa
comunicação livre, essa liberdade que temos na Internet, é que deve ser
preservada. Naturalmente com qualidade e com respeito; escrever por prazer,
exercitar nossa mente e colocar ordem nas ideias.
Não tenho
dúvida de que escrever é um vício tanto quanto gostar de ler ou praticar
esporte. Os que gostam de escrever sabem o quanto é viciante e desafiador olhar
para uma folha em branco.
É trabalhoso,
mas como é bom!...
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