terça-feira, 11 de outubro de 2011

MEUS VERSOS LÍRICOS
A PIPA
(Joésio Menezes)

Voando alto, lá no Céu
Alegre a pipa dança
No bailar do carretel
Que maneja a criança.

E quando bem alto ela está,
Nosso olhar só a alcança
Se seguir a linha do carretel
Que segura a criança.

A pipa sobe, a pipa desce,
Porém nunca se cansa...
E lá de cima sente-se feliz
Com a alegria da criança.


A ARTE DE SER PROFESSOR
(Joésio Menezes)

Trago nas mãos um pedaço de giz,
E com ele vou traçando metas,
Desenhando signos, riscando retas
E descobrindo o quanto sou feliz.

Vou ensinando que nos vários brasis
Tivemos guerras, violentas e discretas;
Tivemos reis, escravos e poetas
Que fizeram a história do nosso país.

Trago em minhas calejadas mãos
A responsabilidade de formar cidadãos
E a esperança de um futuro promissor.

E em meio a tantos me vem a certeza:
Surgirá alguém que tenha a nobreza
De seguir a arte de ser professor.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

O PROFESSOR
(José Ventura Filho)


Em qualquer canto da página da vida
Ali está o grande e o sábio professor,
Dono de uma sabedoria reconhecida
E dos ensinamentos para onde for.



Ele não se cansa e não para de lecionar
Não tem qualquer privilégio na profissão,
Mas tem os seus planos e projetos no ar
Ao realizar os sonhos da sua imaginação.

Ao plantar o futuro nas mãos das pessoas
Não aufere qualquer benefício ou regalia.
E a história de vida de cada um se torna boa
E a dele se enche de orgulho com mais valia.

Embora a sua remuneração não seja compatível
Com o trabalho incansável que ali desempenha
Corre ao mundo da descoberta do impossível
Feito uma chama do fogo querendo mais lenha.

Assim, ele é o nosso mestre maior por vocação.
É a sombra dos nossos passos e da nossa luta.
É a força bruta da resistência contra a exploração
É a voz verdadeira que a gente sempre escuta.


AS BORBOLETAS
(Vinícius de Morais)

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!
CRÔNICA DA SEMANA
QUERO SER PEQUENO
(Ruleandson do Carmo)

Eu descobri que não era mais criança no dia em que meu pai veio me visitar e eu estava triste. Pedi a ele: "Pai, posso sentar no seu colo?" e já fui sentando. Nunca esqueci o olhar dele. Parecia ter visto a pior aberração do mundo, a mais assustadora de todas as criaturas, ali, ao vivo, à frente dele e sentado em seu colo. Minha mãe disse "ele está carente". Acho que nada machuca mais do que alguém ter que explicar a quem você pede carinho que você precisa de atenção. Não culpo meu pai. Ele nunca teve um. E com a idade que eu tinha acho que ele esperava que o filho triste o convidasse para tomar uma cerveja no bar da esquina e não pedisse um cafuné sentado em seu colo.
Corri para o meu quarto e peguei meu urso azul de pelúcia. A pelúcia não era azul, mas ele era. Sempre gostei de azul. Eu olhei para o meu urso e ele não me reconheceu. Ele pertencia à criança que todas as noites o desejava "boa noite" e ficava torcendo para ele ganhar vida enquanto fingia que dormia. Ele era daquela criança, não meu. Foi então que eu percebi que havia uma lacuna, entre quem eu achava que era e quem eu havia me tornado. Brigadeiro não podia mais ser meu prato favorito, e nem "Vou de táxi" a canção da minha vida e eu teria que achar uma atriz melhor do que a Priscila da TV Colosso.
Tive que crescer sem ninguém perguntar se eu queria e muito menos me ensinar como seria. Nunca, nada me doeu tanto quanto crescer. Trocaram minhas figurinhas de chicletes por contas a pagar, meu celular de borracha que tocava músicas foi substituído por vozes que me lembram dos meus compromissos, meu relógio de plástico que sequer marcava as horas me mostra a todo momento que o tempo passou. Não posso mais nem ir aonde eu quero. Antes, me bastava um barquinho de papel, o tanque cheio d'água e alguns minutos de silêncio para eu dar a volta ao mundo. Hoje, me cobram R$2,10 para ir de um bairro ao outro.
A verdade é que eu nunca quis crescer e com isso aprendi a brincar de viver. E eu brinco tanto que nunca canso. Estou sempre com um sorriso no rosto, pronto para o que der e vier. É que eu guardei dentro de mim a criança, e dou vida a ela sempre que preciso. Quando está tudo ruim eu fecho os olhos, fico em silêncio, me escondo na minha mente, coloro meu dever de casa e imagino que tudo vai ficar bem. Pego meus lápis de cor e coloro o mundo, levo alegria a quem chora e arranco risada de quem queria chorar. Infantil? Não! Só a maturidade lhe permiti ser menor do que você é. E não há jeito melhor de crescer.
Ontem, eu olhei no espelho e vi a barba em meu rosto. Lembrei da primeira vez em que eu fiz a barba, aos sete anos e minha mãe me disse: "Você não tem barba, menino". Ontem, eu corri na sala sorrindo ao chorar e gritei: "Mãe, mãe. Eu tenho barba". Ela não entendeu. Mas eu vi, os cabelos brancos que hoje estão na cabeça dela, os cabelos que não mais estão na cabeça do meu pai e descobri que agora não posso mais correr para a cama deles quando eu tiver com medo. Vou ter que guardar um espaço na minha cama para quando eles tiverem medo.
Estava terminando este texto, quando minha mãe me gritou: "Menino, você vai se atrasar para o trabalho" e me entregou a marmita. Antes era a merendeira e eu ia para a escola... Pensando bem, não é a gente que cresce. É o mundo que muda de tamanho e esquece de nos avisar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

UM DEDO DE PROSA

EIS QUE CHEGA A CHUVA!...

Após uma longa estiagem, enfim chega a chuva!...
Agora os problemas são outros: inundações provenientes de bueiros entupidos; acidentes de trânsito causados pelas pistas escorregadias aliadas à imprudência de grande parte dos motoristas; enchentes causadas pelo transbordamento dos rios; deslizamento de encostas; pistas esburacadas tendo em vista a péssima qualidade do asfalto e à falta de drenagem para escoamento do grande volume de água oriunda das chuvas; goteiras irritantes espalhadas pela casa, bolores espalhados pelos rodapés das paredes...
À parte esses problemas (pequenos quando comparados aos incêndios ocorridos durante a seca), a chuva será sempre bem-vinda, pois a sua chegada promove grandes espetáculos da Natureza.
Após os primeiros pingos vindos do céu, a vegetação logo começa a ganhar coloração esverdeada e, consequentemente, a esbanjar vida e a trazer esperança aos que da chuva necessitam para sobreviver; os pássaros cantarolam alegremente enquanto se banham com os primeiros chuviscos; e, como num passe de mágica, os ipês florescem da noite para dia, deixando mais alegres as ruas, vias e alamedas.
É assim que a Natureza agradece as bênçãos vindas do céu!...
Mal agradecidos são os homens, que nunca estão satisfeitos com o que recebem gratuitamente de Deus: se chove muito, pedem a estiagem; se o estio se prolonga, clamam por chuva, porém nada fazem para se prevenir de qualquer uma das situações adversas.
MEUS VERSOS LÍRICOS

FLOR-MORENA
(Joésio Menezes)

Observando um pequeno beija-flor,
Entendi porque ele é tão invejado:
É porque co’o seu beijo delicado
Todos os dias conquista uma flor.

No seu cortejo, o galanteador
Prossegue, dia após dia, deslumbrado,
Pois ele, um galante apaixonado,
Consegue, em cada beijo, um novo amor...

Ser esse beija-flor em bem queria
E com o meu beijo eu tentaria
Conquistar minha florzinha amada.

Dia a dia eu repetiria a cena
Beijando a linda Flor-Morena,
Dentre as flores, a mais cobiçada.


LEVITAÇÃO
(Joésio Menezes)

Sinto minh’alma flutuar,
Sinto que estou no céu
Quando beijo os teus lábios
Doces como favos de mel.

Sinto meu corpo levitar
Com teu olhar penetrante,
Com teu jeito meigo de ser,
Com teu riso provocante.

Sinto-me o mais feliz dos homens
Quando por ti sou acariciado,
Quando sinto pousar nos meus
Os teus lábios adocicados.

Sinto-me dono do mundo
Quando sussurras que és minha,
Quando me pedes que te ame
E que jamais te deixe sozinha.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

LA TROUPE
(Tania Melo)

Eu, pierrô, encubro a alma
com trapos de fantasia.
Sob a máscara do rosto
mudo o pranto em alegria,
disfarçando a dor que sinto
por esta pesada sina
de não ser, na contradança,
par da linda Colombina.
Pelos salões, vejo em mim,
insano frangalho branco
com mil cores camufladas,
outro doido saltimbanco:
um caricato Arlequim
a bailar sem sua amada.


SEM HOMOFOBIA
(Rosa Pena)

Amarrado num canto
de cabeça para baixo.
Que espanto!
Fitas coloridas enlaçam...
O pedido: Um cabra macho.

Banho de ervas
feitiço pelo cheiro.
Serve qualquer cavalheiro.
Tanto faz bonito ou feio.
No pastel o que vale
é o big recheio.

Ó bendito Antônio!
Olha com simpatia
para essas titias.
Junho foi o seu mês.
Passou com rapidez
As mulheres?
Em jejum.

Será que você virou
padroeiro dos gays?
Droga de armário!
Todo dia sai mais um.
Fêmea virou secundário.
CRÔNICA DA SEMANA

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
(Rosa Pena)

O cursinho de admissão que fazíamos para enfrentar o ginasial nos colégios da rede pública, Instituto de Educação, Pedro II, Colégio de Aplicação, nessa época eram os mais visados. Puxadíssimos.
A aula de história da bela professora Marisa, cabelos longos e negros, estilo Perla (cantora de sucesso na época), dava o maior ibope entre a garotada. Não só pela sua beleza, mas por suas aulas ricas em informações.
Lembro-me, como se hoje fosse, o dia em que ela começou a falar dos piratas. Após explanar o que definia pirataria, começou a nos contar histórias. Sabíamos muito pouco, somente das proezas do Capitão Gancho e olhe lá, então o assunto ficou interessante.
Tínhamos um colega de sala que adorava holofotes nele, acha-se “o poderoso” dentro da nossa galera constituída essencialmente de classe média, pois seu pai tinha um carrão. Bento, em outras aulas, já havia sido parente do Marquês de Pombal por parte de mãe, do Visconde do Rio Branco por parte de pai. Desta vez resolveu que alguns de seus antepassados haviam sido poderosíssimos piratas. Roubou a cena e com uma enorme euforia começou a narrar aventuras incríveis de seus primos em vigésimo grau, cometendo mil maldades, afinal todo flibusteiro tem que ser muito mau segundo o conceito Peter Pan!
A professora tentou, com seu jeito meigo, voltar à pauta da aula, mas Bentinho não permitia e extrapolou geral, persistindo em falar da coragem e audácia dos seus primos caribenhos. Muitos roubos, inúmeros assassinatos. Crueldade exposta como vantagem. Rios de tesouros legados a sua família. Nós, com nove ou dez anos, acreditávamos em quase tudo.
Bobinhos, graças a Deus!
Num certo momento afirmou que corsários não choram jamais, mesmo ficando meses isolados do mundo em alto-mar. Ó dó! Tão cedo e já com o conceito, ou melhor, preconceito contra as lágrimas masculinas. Dona Marisa, tranqüila, aproveitou o gancho (não o capitão) e disse:
— Os piratas, por viajarem muito tempo e conviverem somente entre homens, muitas vezes acabam por praticar a homossexualidade. A sala destacou-se pelo silêncio. Não se ouviram risos, mesmo porque a professora conduziu o assunto com seriedade.
Se fosse hoje teria dito ao Bento com ironia:
— Se piratear já é crime, olha mais um motivo para não fazê-lo.
Acho que não teria dito nada não, pois tenho certeza de que o menino naquele dia aprendeu muito mais do que ele imagina. Aprendeu que basta ser Bento da Silva e que homem pode chorar o quanto quiser. Chorar até porque não se é mais criança quando ainda se é.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

UM DEDO DE PROSA
MONOVIDÊNCIA

Alguns anos atrás, quis o destino que eu me tornasse monovidente: um descolamento de retina deixou-me cego do olho direito, e, mesmo após três intervenções cirúrgicas, não mais voltei a enxergar.
Naquela ocasião, cheguei a duvidar da existência de Deus, a questionar a Sua bondade, a renegá-Lo...
Eu não conseguia entender porque Ele escolheu-me para receber tamanho “castigo”. Justamente eu!... Eu, que nunca matei, jamais roubei nem estuprei, tampouco fiz algum mal a quem quer que seja!... Eu, que sempre me dispus a ajudar a quem de mim precisasse!... então, por que eu?
E sabe o que Ele fez? Simplesmente permitiu-me conhecer pessoas em situação pior que a minha. Pessoas sem vida própria. Pessoas que necessitam da ajuda dos outros para fazer suas necessidades básicas, tais como: irem ao banheiro (quando possível), se alimentarem ou se locomoverem. Pessoas que me fizeram perceber que o meu problema é tão somente um grão de areia num imenso deserto.
Sim!... Deus tirou-me a visão do olho direito, mas em troca concedeu-me a capacidade de melhor enxergar a vida. Antes eu via, perfeitamente, tudo à minha volta, porém não conseguia enxergar a essência do saber viver.
Por incrível que pareça, hoje, com um olho apenas, enxergo melhor do que há alguns anos, pois Ele ensinou-me a ver com os olhos (no meu caso, com um olho) e a enxergar com o coração. E quem enxerga com o coração, vê com maior clareza os caminhos que levam ao amor e, principalmente, à felicidade.
MEUS VERSOS LÍRICOS
BELEZA ENCANTADORA
(Joésio Menezes)

A tua beleza muito me encanta...
E sob seu efeito encantador
Meu sangue fervilha, minh’alma canta,
Bate meu coração feito tambor.

E da minha voz, presa na garganta,
Nada se ouve... sequer o clamor
Deste poeta que em versos decanta
Os teus encantos e o teu fulgor.

A tua beleza me encanta tanto
Que muitas vezes esse forte encanto
Faz de mim um lascivo pecador:

Peco por não conseguir te olhar
Sem o desejo de poder tocar
Em teu corpo transpirando pudor.


TROCADILHOS
(Joésio Menezes)

O oco produz o eco,
O eco ressoa no oco,
O troco não paga o treco,
O treco não tem mais troco.

Se fito aquela fita,
Se a fita eu sei que fito,
Meu fito te deixa aflita,
A fita nos causa conflito.

O fraco não abre o frasco,
O frasco guarda refresco,
Ar fresco não causa asco,
O asco requer ar fresco.

O centro do coco é oco,
A água do coco eu seco
E deixo o oco do coco
Um oco sem água, sem eco...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

A MULHER NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE
(Henrique Pedro)

A mulher não é ventre
Nem vagina
Nem teta
Nem bunda
Nem coxa
Nem flor que se cheire
Tudo isso é treta

A mulher é mãe
É esposa
É filha
Tia
Irmã
Amiga
Amante
Avó
Ou só
Cidadã
Solteira

Sem ela o homem
Nem sequer seria apenas

A mulher é amor
É tristeza e dor
Alegria e penas
Sonho
Poesia
Virgem Maria

Nem o Homem-Deus sem Ela
Existiria
Sem a mulher
O amor
Se existe
Não tem seguramente sabor
E é
Pela certa
Monocolor


LAMENTOS
(Vivaldo Bernardes)

Eu lamento os meus tempos já passados,
quando ainda de amor não conhecia,
guiado por eunucos antiquados,
e de sexo pouco ou nada se sabia

Entretanto,aprendi co'a própria vida
que o princípio do amor está em tudo
e penso que o amor não tem guarida
se o coração se faz de surdo-mudo.

Distanciam-se os tempos que vivi,
bajulado e por muitas desejado,
e o remorso futuro não previ.

Remorso por não ter retribuído
mil beijos com que fui agraciado,
e afagos que eu podia ter sentido.
CRÔNICA DA SEMANA


SOMOS TODOS FILHOS DA MÃE
(Cecília Egreja)

Se há coisa que ninguém entende é o fato de uma mulher não querer ter filhos. Não entendem e não perdoam.
É tão grande a incompreensão que já tive o desprazer de ouvir que jamais vou me realizar como mulher se não tiver filhos. Então ser mulher se resume, unicamente, ao fato de poder gerar outro ser? Ah, que bobagem! Poder eu posso, mas não quero e nem devo.
Antes de gerar um filho é necessário saber-se uma boa mãe, ter a certeza, ou ao menos a desconfiança, de que será capaz de desempenhar esta tarefa, que acredito ser, a mais difícil da vida.
É fundamental dar bons exemplos. Nunca beber além de uma taça de vinho e ainda assim, ficar risonha e rosada. Fumar, nem em sonho. Quanto aos jogos, está liberado o dominó, aos domingos. É imprescindível que uma mãe durma sempre antes das 23h e nunca acorde depois das 7h, que goste de cozinhar, lavar, passar, limpar remelas e trocar fraldas. Isto, claro, sem contar as insuportáveis apresentações de balé do final de ano.
Não. Não é por egoísmo que não quero crianças. E sim por amar demais, mesmo que em projeto, o suposto filho. Além do mais, meus irmãos já fizeram isso por mim, me dando sobrinhos adoráveis.
Uma mulher só deveria ser mãe após os sessenta anos, quando o seu maior problema já não é mais o rosa ou o vermelho do esmalte. Deveria ter mestrado, doutorado, ser PHD em vida. Saber a medida exata entre o excesso e a carência, mimar sem estragar. Mas o que vejo são crianças brincando com crianças. Seus filhos são as Barbies e os Kens, com certa dose de veracidade.
No mais das vezes, nem é preciso amor para gerá-los. Basta um encontro casual, uma camisinha furada e pronto! Nove meses depois vem o choro de arrependimento e inépcia.
Ser mãe não é para mim. O mundo não precisa de mais humanos. Precisa de poesia e meus poemas são meus filhos. E estes sim, para gerá-los, só com amor.
Ser mãe não é pra qualquer uma. É preciso ser uma mulher fora do comum pra poder ensinar uma pessoinha a ser gente. A maioria põe crianças no mundo para, mais cedo ou mais tarde, enriquecer os psicólogos.
Alguns casos deram certo. Maria, por exemplo. A mãe de Gandhi também deve ter se empenhado... Mas ainda assim, não puderam defender seus filhos dos outros filhos da mãe.
Minha mãe é uma mulher que acredita piamente no amor. Se o amor não transforma, nada mais no mundo resolve, diz ela. Talvez esta seja a minha real razão de não querer filhos. Perto dela serei sempre uma aprendiz despreparada e sem jeito. E quem a conhece, sabe que a tarefa, por melhor desempenhada, nem sempre é garantia de sucesso. Coração de filho é invariavelmente menor que o da mãe, o que só colabora pra deixar ainda mais estreita a humanidade.
Ah, mas eu não. Não quero deixar frutos, frutas ou sementes. Não tenho idade pra isso, nunca tive e nunca vou ter.
Definitivamente não quero filhos. Quero ser avó. Disto não abro mão. Darei um jeito.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

UM DEDO DE PROSA


ROCK IN RIO: ONTEM E HOJE

Lembro-me muito bem quando, há 26 anos, foi realizado o primeiro Rock in Rio. Naquela época, fiquei assistindo aos shows à distância, pois a grana estava curta, e mesmo que não estivesse, a eterna fobia a multidões (companheira de longa data) não me permitiria fazer parte do público.
Naquele ano, Herbert Viana ainda usava óculos e exibia um corpo delgado e madeixas encaracoladas. Também naquela ocasião, as bandas que se fizeram presentes eram todas de rock, fazendo jus ao nome do evento: Rock in Rio.
Mesmo de casa e pela TV convencional (nada de TV a cabo, 3D, de Plasma ou HDTV), curti à beça quase todas as apresentações. Mas as que mais marcaram (e ficaram na minha memória) foram as da banda australiana AC/DC, cujo vocalista - sob o efeito de sei lá o quê – abaixou as calças e mostrou a bunda para a plateia, que foi ao delírio; e da banda inglesa Quenn, em que Freddie Mercury, como se fora um maestro, comandou um coro de quase 100 mil vozes (ou mais!) ao som da música LOVE OF MY LIFE. Simplesmente emocionante!
Naquele festival (o melhor de todos, que seja dita a verdade) também subiram ao palco: Scorpions, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Whitesnake, e muitas outras bandas de grande porte.
Hoje se inicia mais edição do Rock in Rio, e serão muitas as atrações de 1ª linha que se apresentarão nos palcos espalhados pela cidade do rock, porém nem todas pertencem ao fantástico mundo do rock, o que pode não deixar a boa impressão de um excelente festival deixada em 1985, quando da primeira edição.
Aquela velha companheira de outrora (a fobia) ainda não me deixou, e mais uma vez ficarei só na vontade de me fazer presente ao Rock in Rio, porém, estou sendo muito bem representado, pois em meio às centenas de milhares de fãs do rock, meus filhos se fazem presentes, e, tenho certeza, eles se lembrarão de mim quando “as feras” subirem ao palco.
MEUS VERSOS LÍRICOS

O BEIJA-FLOR
(Joésio Menezes)


Chega o beija-flor
E beija sua amada
Que espera, sem pudor,
Por ele ser beijada.

Voa o beija-flor
Em disparada
Sentindo o odor
De outra flor perfumada.


Regressa o beija-flor
Em busca da flor
Por ele trocada...

Triste, o beija-flor
Chora sua dor...
Perdeu sua amada.


UM TEU SONETO
(Joésio Menezes)

- ao poeta Vivaldo Bernardes -

Sim, meu amigo!... é nosso costume
- após a vida queimar seu pavio
e a vela derreter seu cerume -
enterrar quem daqui se despediu.

Porém, velho amigo, eu prometo
que, antes de descerem teu caixão,
em teu peito deixarei o soneto
que desejas ler na escuridão...

Não acho que seja exorbitante
esse teu pedido que, doravante,
atenderei, pela nossa amizade.

E sobre teu peito hei de deixar
um teu soneto a te sussurrar:
-“Enfim sós, por toda a eternidade...!”
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

LÁGRIMAS DA VIDA
(Álvares de Azevedo)

Se tu souberas que lembrança amarga
Que pensamento desflorou meus dias,
Oh! tu não creras meu sorrir leviano,
Nem minhas insensatas alegrias!

Quando junto de ti eu sinto, às vezes,
Em doce enleio desvairar-me o siso,
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...
Mas da lágrima em troco eu temo um riso!

O meu peito era um templo - ergui nas aras
Tua imagem que a sombra perfumava...
Mas ah! emurcheceste as minhas flores!
Apagaste a ilusão que o aviventava!

E por te amar, por teu desdém, perdi-me...
Tresnoitei-me nas orgias macilento,
Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma
Tentei me suicidar no esquecimento!

Como um corcel abate-se na sombra,
A minha crença agoniza e desespera...
O peito e lira se estalaram juntos...
E morro sem ter tido primavera!

Como o perfume de uma flor aberta
Da manhã entre as nuvens se mistura,
A minh'alma podia em teus amores
Como um anjo de Deus sonhar ventura!

Não peço o teu amor... eu quero apenas
A flor que beijas para a ter no seio...
E teus cabelos respirar medroso...
E a teus joelhos suspirar d'enleio!

E quando eu durmo... e o coração ainda
Procura na ilusão tua lembrança,
Anjo da vida passa nos meus sonhos
E meus lábios orvalha d'esperança!


PROCUREI
(Graciela da Cunha)

Procurei um sorriso,
mas só encontrei lágrimas.
Procurei a felicidade,
enxerguei a tristeza.
Procurei o amor,
só encontrei a solidão.

Estou aqui sozinha
sem saber o que fazer,
de meu olhos jorram
lágrimas de dor.

Trilho caminho solitário
a busca de uma luz
que cure me coração sofredor,
trazendo para ele novos sonhos
com amor verdadeiro.
CRÔNICA DA SEMANA

O QUE QUEREM AS MULHERES
(Brena Braz)

Desde que o mundo é mundo, nós mulheres tentamos entender os homens. Tentamos minimizar as diferenças descobrindo o que se passa na cabeça desses outros seres tão diferentes da gente. Na maioria das vezes, caímos em estereótipos do tipo “homem é assim”, “mulher é assado” e limitamos toda a humanidade dentro das nossas próprias percepções do mundo. Como se nossa percepção fosse única e absoluta.
Eu ando treinando o “desestereótipo”. Treinando ver o mundo de outra forma. Explico: não é porque eu comi uma maçã podre do pacote que todas estão podres (como eu achava até então). Ando tentando ouvir com menos atenção os casos corriqueiros de homens cafajestes e dando mais importância aos raros casos de homens do bem. Sim, eles existem. E quando minhas amigas começam com “ah, é porque homem é assim mesmo” eu ligo o mute interno e começo a pensar na lista de maquiagens que quero adquirir no momento. Não, gente, homem não é “assim mesmo” e eu cansei de engolir esse papo. Tem mulher pirigueti, tem mulher do bem. Tem homem babaca e tem homem do bem. É exceção? Pode ser. Mas existe. O grande lance é que não dá pra julgar por antecipação. Aquele cidadão bom moço pode te decepcionar e aquele outro que você não dava nada por ele pode te surpreender.
E enquanto nós, mulheres, não entendemos os homens (e nem eles entendem a gente), acho que deveríamos ser mais claras no que queremos, ao invés de fazer joguinho. Grande parte dos homens não tem criatividade ou sequer paciência pra ficar decifrando nossos códigos. Ao contrário da gente que acha que tudo que eles falam são códigos secretos e querem dizer muito mais do que o que foi dito. (Eu já superei essa fase da interpretação faz tempo, mas tenho amiga que interpreta cada palavra que o cidadão fala).
Ainda vamos demorar pra decifrar o que os homens querem. Mas entender o que nós queremos não é nem um pouco complicado se eles prestarem atenção. Não queremos anel de brilhante. Um anelzinho de papel de bala feito na hora resolve nosso problema. Não queremos dormir num palácio, só queremos deitar a cabeça num ombro que nos acolha. Não queremos a presença física o tempo todo, mas queremos saber com quem podemos contar se precisarmos. Não queremos a senha do email, mas queremos alguém em quem possamos confiar de verdade. Não queremos vigiar o celular, mas queremos alguém que não nos surpreenda com telefonemas suspeitos. Queremos alguém com quem possamos passar nosso aniversário. Passar o Natal. O reveillon. A vida. Queremos alguém que nos inclua nos planos, ainda que esse plano seja apenas a comemoração de alguma coisa banal. Queremos alguém pra quem não tenhamos que contar nada, pois esse alguém simplesmente sabe porque faz parte da nossa vida. Queremos alguém cuja prioridade é a própria vida, porém a própria vida nos inclui. O que nós, mulheres, queremos é tão simples que esse texto nem precisaria existir pra explicar isso. Tão simples que parece tão óbvio. Mas não é. Ainda existem homens que ignoram o básico. Alguns. Não são todos. Porque, como eu estava dizendo, os homens não são todos iguais.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

UM DEDO DE PROSA

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE POLÍTICA

Incontáveis foram as vezes em que aqui publiquei textos relacionados à política e, principalmente, aos políticos que envergonham o nosso país. Daí, eu me pergunto: de que valeram minhas palavras se no cenário político tudo continua do mesmo jeito?...
Sei que nada do que por mim aqui foi dito surtiu efeito (pelo menos no que diz respeito à honestidade e à boa índole dos parlamentares!), mas com certeza consegui fazer uma ou duas pessoas pensarem melhor com relação às próximas eleições. E se essas duas pessoas também se manifestarem e fizeram outras duas refletirem acerca da situação política do Brasil - e assim sucessivamente -, creio que num prazo não muito longo teremos no poder pessoas que saibam discernir Política de politicalha.
Escreveu Rui Barbosa que “política é arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto de funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada”.
Voltando à ideia da corrente a que me referi anteriormente, isso acontecendo, talvez tenhamos um país bem melhor do que é hoje; um país politicamente higienizado e “moralmente sadio”, em que palhaços sejam apenas artistas de circo que divertem o público com pilhérias e momices.
MEUS VERSOS LÍRICOS

TOMARA-QUE-CAIA
(Joésio Menezes)

Estávamos nós ali reunidos
Numa sala pequenina e quente...
Éramos treze, todos espremidos:
Onze mulheres, dois homens somente.

Uma delas tinha um só sentido:
Evitar que, sob o olhar da gente,
Os seios se mostrassem atrevidos
E se expusessem, repentinamente...

Ela vestia, além das justas calças,
Uma blusa sem mangas e sem alças,
A conhecida tomara-que-caia.

E enquanto a blusa ela ajeitava,
Cá com os meus botões eu suspirava:
“Oxalá, meu Deus!... tomara que caia!”


REFÉM
(Joésio Menezes)

Toda vez que tu me abraças,
Teu cheiro suave me passa
A impressão que és uma flor
À espera do colibri
Que sonha receber de ti
As delícias do teu amor.

E ao receber teu abraço,
Sinto bater em descompasso
O meu aflito coração.
Não sei se por causa do medo
De vir à tona seu segredo
Ou pelo fogo do tesão.

Sei apenas que o teu cheiro
Dá vida ao meu corpo inteiro
E instiga a minha libido,
Fazendo de mim um refém
Do teu perfume que me vem
Trazer desejos proibidos.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

MINHA ESTRELA
(Vital Alves Neto - Vitalves)

Lá no horizonte, distante, encontrei
numa constelação dos meus sonhos.
Meu mundo, há tempos, a ti dediquei,
luz dos meus olhos em todos os anos.

Minha estrela, te ver assim radiante
careço todo instante poder te sentir.
Já todas as noites comigo, brilhante
quero por toda a vida estar junto a ti.


Se não te vejo, desejo, corpo flutua,
mas, se te ouço, tamanho alvoroço,
minh'alma se despe, fica toda nua.

Minha estrela, tamanha a saudade tua
Sem ti, acredites, me perco de mim...
Na madrugada, sem ti, pra que lua?


NÃO ME PRENDO A NADA QUE ME DEFINA
(Clarice Lispector)

Não me prendo a nada que me defina.
Sou companhia, mas posso ser solidão,
Tranquilidade e inconstância,
Pedra e coração...

Sou abraços, sorrisos, ânimo,
Bom humor, sarcasmo, preguiça e sono,
Música alta e silêncio...
Serei o que você quiser,
Mas só quando eu quiser.

Não me limito, não sou cruel comigo!
Serei sempre apego pelo que vale a pena
E desapego pelo que não quer valer…
“Suponho que me entender não é uma questão
De inteligência e sim de sentir,
De entrar em contato... Ou toca, ou não toca."
CRÔNICA DA SEMANA

TEMPO CERTO
(Paulo Coelho)

De uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas; tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo e aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca, por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: Qual é esse tempo certo?
Bom, basta observar os sinais! Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer... Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento certo, diante da situação ou da pessoa certa.
Basta você acreditar que nada acontece por acaso.
Talvez seja por isso que você esteja agora lendo estas linhas. Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns desses sinais já estão por perto e você nem os notou ainda.
Lembre-se: o Universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.

domingo, 11 de setembro de 2011

UM DEDO DE PROSA

DEZ ANOS DEPOIS

Passados dez anos do atentado de 11 de setembro, o mundo ainda se pergunta quantos mais ainda deverão morrer até que alcancemos a paz. E quantos mais pagaremos às indústrias bélicas para que elas fabriquem e forneçam armas às grandes potencias mundiais, armas estas usadas contra aqueles que nada têm a ver com a guerra entre o império capitalista e o decadente socialismo.
Enquanto se gastam bilhões de dólares no financiamento dessas guerras que só trazem desgraça e sofrimento à humanidade, milhares de crianças morrem de fome na Etiópia, no Haiti e noutras partes do mundo, inúmeras doenças ainda estão muito longe da cura, milhares (ou milhões) de hectares de florestas nativas do mundo inteiro estão desaparecendo ante a ação devastadora e gananciosa dos homens, o planeta Terra sucumbe diante da irresponsabilidade e da falta de zelo e de compromisso dos seus habitantes para com ele...
Hoje, dez anos depois, o mundo ainda está de olhos voltados para os Estados Unidos, rezando pela memória dos milhares que foram dizimados pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, porém, nada está sendo feito para amparar os milhões de famílias iraquianas e afegãs que perderam seus entes queridos, os quais nada fizeram para merecer uma morte de forma tão brutal quanto a imposta pela guerra que não é deles. O único erro cometido por essas famílias foi terem nascidos em terras cujos lideres são psicóticos alienados e/ou extremistas religiosos em busca da Salvação espiritual deles próprios, e para isso, usam como moeda de troca a vida alheia.
Rezemos pela memória dos que foram mortos no World Trade Center, porém, não nos esqueçamos de olhar para o outro canto do mundo, em que pessoas estão sendo extintas pela fome e, principalmente, pela ignorância dos que se acham superiores a tudo e a todos, inclusive a Deus.