quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

UM DEDO DE PROSA

PRELÚDIO SOBRE A SAUDADE - II

Meses atrás, escrevi aqui que às vezes sinto saudades de um tempo que nunca vivi (se é que vocês me entendem!...).
Minha esposa diz que gostaria de entender como posso eu sentir saudades de uma época que não foi a minha, da qual nunca fiz parte; de um tempo distante do meu...
Não sei explicar!... Sei apenas que quando assisto a um filme de época (principalmente se for romântico), é como se eu estivesse lá, misturando-me às personagens; fazendo parte do elenco; vivendo naquele período; curtindo a nostalgia da época, adequando-me ao tempo, consumindo-me de saudades...
Me senti assim quando assisti às mini-séries globais "Anos Rebeldes" e "Anos Dourados". Talvez pelo fato de eu considerar-me um Romântico fora de época, um nostálgico assumido, um apaixonado inconsequente, um admirador dos tempos idos, alguém perdido no tempo cujos ideais muito se parecem com os daqueles que viveram aquela época...
Reitero o que disse naquela ocasião: tudo isso não quer dizer que eu não goste do HOJE, mas a impressão que se dá é a de que o ONTEM é muito mais interessante e bem mais apaixonante.
MEUS VERSOS LÍRICOS

QUANDO A SAUDADE INVADE
(Joésio Menezes)

Quando a saudade invade
o coração da gente,
o corpo todo sofre
e o peito logo sente
um fogo cujo ardor
assemelha-se ao dissabor
de ter a amada ausente.

Quando o coração da gente
é tomado pela saudade,
uma sufocante dor
nosso peito logo invade
feito o fogo da paixão
que nos queima em profusão,
sem demonstrar piedade...

Quando essa tal saudade
invade nosso coração,
o corpo fica debilitado
e a mente em confusão.
Mas quando ela inexiste,
não há nada mais triste
na vida de um cristão.


FOGO
(Joésio Menezes)

Teu fogo queima meu corpo,
Aquece minh´alma,
Esquenta meu ser,
Afogueia meus anseios,
Incinera meu pudor,
Abrasa minha libido,
Inflama meu tesão,
Ferve meu sangue,
Derrete meu juízo...
Acende meu fogo.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

SAUDADE
(Adenir Oliveira)

Saudade, porque me deixas?
Saudade, porque te vais?
Saudade de um amor,
Saudade não passa mais.

Saudade foi de mansinho,
Deixou-me na solidão
Saudade, minha companheira,
Não abandones meu coração.

Um dia a saudade volta
E começa tudo novamente:
Meu coração a chorar
E a saudade seguindo em frente.

A saudade anda no ritmo
Do giro de nosso mundo,
Ela vai e volta sempre
Deixando um vazio profundo.

Assim mesmo, prefiro a saudade
À dor da solidão,
Pois ela enche-me de lembranças
Dando forças ao meu coração.


RAZÃO
(Geralda Vieira)

Será que para viver
É preciso ter razão?

Será que para morrer
É preciso ter perdão?

Será que para sorrir
É preciso ser feliz?

Será que para chorar
Tem que viver na solidão?

Será que tudo isso
É a vida do cristão?
CRÔNICA DA SEMANA

DE COSTAS O ROSTO É BUNDA
(Vitalves, in www.vitalves.com)

De costas o rosto é a bunda, para muitos o rosto é a própria bunda, para outros o rosto é uma bunda, seja como for, a bunda prevalece!
A bunda merece o status que tem, convenhamos: “Não há nádegas melhor que uma boa bunda”.
Uma divisão de glúteos que se forma em um todo, grande responsável pela existência humana na terra, atiça a reprodução do homem, enfeitiça, enlouquece, adormece...
E o melhor, todos temos uma (uns mais que os outros, tudo bem), a diferença está em como a usamos, você já parou pra pensar em como você usa a bunda?
Pois vejam só, o mundo hoje gira em torno da bunda: Arte só faz sucesso se tiver bunda, bunda é o maior barato entre os jovens bundas, os meninos bundas não falam em outra coisa, as meninas bundas também não, nas TVs bundas só há programas bundas apresentados por bundas que só mostram bundas ( e no intervalo tem bunda!), nos telejornais notícias dos políticos bundas com a cabeça na bunda (e bunda na cabeça), nas Rádios bundas só tocam bundas que só falam de bunda pra vaga bunda dançar, e o show bunda tem que continuar, nos outdoors bundas com seus textos bundas, nas revistas bundas com caras e bundas, nos jornais bundas com notícias bundas (Ih! Até nos Classificados bundas, quem quer comprar bunda?).
A bunda só é assim tão valorizada porque existem pessoas bundas, aculturadas e com o cérebro na bunda!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

UM DEDO DE PROSA

E O ANO NOVO CHEGOU...
2012 chegou!... e com ele, os velhos e já conhecidos problemas de outrora, decorrentes das chuvas que não são a principal causa das frequentes tragédias anunciadas.
Todo ano a história se repete: alagamentos, enchentes, desmoronamentos de encostas, desabamentos de casas, centenas de milhares de desalojados e desabrigados, inúmeros mortos e promessas e mais promessas de soluções imediatas e preventivas a fim de que isso não mais ocorra, entretanto, apenas o ano mudou...
O discurso dos governantes e das autoridades competentes é sempre o mesmo: “vamos buscar recursos financeiros junto ao Governo Federal para minimizar o sofrimento dessa pobre gente”.
Que esses recursos são liberados todos nós sabemos!... Mas, em que e de que forma são aplicados?
O certo é que essa sofrida gente só pode contar mesmo a ajuda de Deus e com a solidariedade do restante da população não atingida pelas catástrofes naturais, que se mobiliza e arrecada donativos para as famílias desabrigadas e desalojadas, e - na medida do possível – faz mutirões na limpeza de algumas casas e na reconstrução de outra. Já o conforto e a reconstrução psicológica de cada indivíduo vitimado pelas cheias do início do ano ficam a cargo Dele.
MEUS VERSOS LÍRICOS

MEUS OLHOS
(Joésio Menezes)








Meus olhos, secos como deserto,
Lágrimas não produzem mais
Nem choram dores irreais,
Assim, do lamento me liberto.

Eles mantêm-se abertos
Às maravilhas universais,
Mas às questões emocionais
Seu pranto é quase incerto.

Não mais choram por coisas quaisquer,
Nem mesmo pelo desprezo da mulher
Que insiste em não falar comigo...

Meus olhos choram somente
Pelo que o meu coração sente:
A falta daquele ombro amigo.


VERSOS EM SILÊNCIO
(Joésio Menezes)

Antes que no céu surgisse a Lua,
Meus versos calaram-se de repente.
E esse silêncio, aparentemente,
Foi provocado pela ausência tua,

Pois desde que de nós te despediste
Meus versos encheram-se de saudade
E, perdidas na taciturnidade,
Ouvi suas rimas soarem tristes.

Mas o silêncio logo foi quebrado
Quando a mim foram solicitados
Aqueles versos de rimas sonoras...

Peço-te, então: considera atendido
Esse teu irrecusável pedido
E lê os versos que te fiz, agora!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL

AS SEM-RAZÕES DO AMOR
(Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


DEDUÇÃO
(Vladimir Maiakóvski)

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.
CRÔNICA DA SEMANA

O RÁDIO APAIXONADO
(Moacyr Scliar)

Minha querida dona, sei que você anda se queixando de mim, publicamente, até. Você não pode imaginar o sofrimento que isto me causa, mesmo porque você provavelmente acha que rádios são objetos inanimados, sem vida própria.
Você está enganada. Ao menos no meu caso, você está enganada. Ao contrário do que você pensa, tenho sentimentos, tenho emoções. É em nome desses sentimentos e dessas emoções que lhe falo agora, tanto em AM como em FM. Na verdade, eu nem tinha tomado conhecimento de minha própria existência, até que fui instalado em seu carro.
Você estava muito feliz; tinham lhe dito que minha marca é ótima, e que você contaria com um som maravilhoso para lhe ajudar no estresse que é esse trânsito. E, eu colocado no meu lugar, você me acariciou, você tocou os meus botões. Senti um verdadeiro choque, eu que já deveria estar acostumado com eletricidade. Você fez de mim um ser vivo.
Vivo e apaixonado. Daquele momento em diante, passei a ansiar por sua presença. Era para você que eu queria transmitir as melodias que recebia por meio de tantas canções. Você ao volante, minha felicidade era completa.
Acontece que você não se deu conta disso, ou fingiu que não se dava conta disso. Você me ligava, você sintonizava uma emissora qualquer e pronto, voltava à sua vidinha. Pior: tratava-se de uma vidinha partilhada. Amigas embarcavam em seu carro. Amigos também. Você conversando com um homem, aquilo me dava ciúmes, ciúmes terríveis. O Bentinho, do Machado de Assis, aquele que desconfiava da Capitu, não sofreu tanto. Lá pelas tantas eu tinha ciúmes até do seu MP4.
Agora: o que poderia eu fazer? Humanos têm como demonstrar seus ciúmes, têm como descarregar a frustração. Mas eu sou um rádio, um bom rádio, mas rádio, de qualquer maneira. A mim não estava facultado fazer cenas. Recorri, então, àquilo que estava a meu alcance: o som.
Quando você estava com alguém de quem eu não gostava, eu aumentava meu volume -e volume, você sabe, é coisa que não me falta- até chegar a níveis insuportáveis, uma avalanche de decibéis. E aí, subitamente me calava. Para lembrar a você que o silêncio também fala, especialmente o silêncio dos traídos. Ah, sim, e queimei o seu MP4. Tinha de queimar: era ele ou eu.
Você foi se queixar com um técnico, achando que eu estava desconfigurado. Num certo sentido você está certa: estou desconfigurado, estou desfigurado, estou perturbado -mas tudo isso por causa do sofrimento que você me causou.
Querida dona, estas são minhas derradeiras palavras, antes de sair definitivamente do ar, antes do silêncio final. Minha última mensagem é esta: nunca brinque com os sentimentos de um rádio apaixonado. Você vai ter, no mínimo, surpresas desagradáveis.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

UM DEDO DE PROSA

ANO NOVO, VIDA NOVA... SERÁ?

Passada a ressaca do Natal, eis que se aproxima o réveillon... E mais uma vez renovam-se as esperanças de um novo tempo. Tempo de paz, de amor e de fartura. Tempo de tolerância às diferenças religiosas, sociais, raciais e culturais. Tempo de fraternidade, de fé, de doação, de agradecimentos... Em suma, tempo de consonância harmoniosa entre os povos e de reaproximação do homem ao seu Criador.
Entanto, percebe-se que, a cada virada de ano, mais cética, mais violenta e mais desarmoniosa torna-se a humanidade. E a ganância, certamente, é a principal responsável por essa falta de Amor fraterno, pois o vil metal é colocado em primeiro lugar na lista das prioridades para o ano que se inicia. Muitos, inclusive, o colocam antes da saúde ao fazerem seus pedidos a Deus quando da chegada do Ano Novo.
É!... entra ano, sai ano, e os homens continuam os mesmos: adeptos do egocentrismo e adoradores do deus Cifrão, o que faz com que a raça humana - nociva a ela própria – se aproxime cada vez mais da sua auto-extinção.
Mas como “a esperança é a última que morre” - e a minha é persistente -, desejo a todos um 2012 de muita PAZ, SAÚDE, PROSPERIDADE e inúmeras REALIZAÇÕES.
MEUS VERSOS LÍRICOS

QUIMERAS
(Joésio Menezes)

Até mesmo de olhos fechados
Vejo-te ante mim diariamente
E sinto-me no paraíso, rodeado
De arcanjos divinos, sorridentes...

És, também, dona dos inusitados
Sonhos que tenho constantemente.
E mesmo estando eu acordado,
Tenho contigo sonhos envolventes.

E assim a vida eu vou levando:
De sonhos em sonhos, alimentando
Minha’alma cansada de tantas eras.

E a cada despertar de um novo dia,
Vejo em tudo brotar poesia
Gerada do pólen das minhas quimeras.


JESUS, O ÚNICO CAMINHO
(Joésio Menezes)

- aos corações aflitos –

Se estás precisando de cura,
De um pai, um amigo, uma luz,
Não precisas ir longe com a procura,
Tudo isso encontrarás em Jesus.

Somente Ele será capaz
De tudo oferecer-te e nada cobrar.
Ele perdoa, salva e leva a paz
A quem muito pede e pouco sabe dar...

Não te aflijas, ó meu bom amigo!
Quando estiveres em perigo,
Ele nunca te deixará sozinho.

E quando ao Pai precisares ir,
A Jesus, com devoção, deves pedir,
Pois Ele é o único caminho.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

ESPELHO MEU
(Vivaldo Bernardes)

Conheço-te e sei da tua fidelidade.
Artísticos detalhes ornam o teu cristal.
Refletes o meu rosto e as minúcias da idade
mostrando que a vida escoa o seu final.

Mudaste-me até a cor dos meus cabelos,
cumprindo, fielmente, o teu papel no tempo.
Tampouco esqueceste as gelhas, em teu zelo,
negando que a vida é simples passatempo.

Porém, “quem vê cara não vê o coração”,
ferido de saudade ou morto de paixão,
pulsando no compasso da desilusão.

Por isso, Espelho meu, não ouses refletir
os ais dum coração sujeito a explodir,
pois os estilhaços bem podem te partir.


PEITO VAZIO
(Graciele da Silva Rodrigues)

Há tempos este vazio peito
não sabe o que é amor,
pois quero lhe entregar meu coração
mas você não...

Quero tanto você que nem sei...
Meus doces lábios ferem o seu nome
como abelhas,
mas você me desdenha,
me confunde, me ilude...

Seu corpo é paixão sobre o meu...
Seus lábios, seu toque, seu rosto....

Enfim, este vazio peito
não sabe o que é amor,
apenas sente amor...!
CRÔNICA DA SEMANA

ANO NOVO!?
(Airton Gondim Feitosa)

O entardecer se torna mais belo, sonoro e envolvido com o vento soprando rumo ao litoral, o canto de despedida das aves marinhas, o marulhar das ondas e as espumas que se tornam mais alvas, à proporção que o crepúsculo desce sobre a terra e cai sobre nos, amantes obstinados na arte de amar, querendo um amor que nunca tivemos, e assim, se vai mais um dia e morre mais uma esperança de uma lembrança que gostaríamos de ter...
Mais um ano termina, cumprimos mais uma etapa, percorrendo a estrada da vida, vivenciando outras existências, assistindo aos vivos e socorrendo aos mortos na derradeira hora da passagem pelo túnel do grande nevoeiro que leva-nos ao paraíso, oxalá.
O grande mistério, o estranho hábito de viver sobre pressão, de que somos maus, pecadores, e abominadores das leis divinas, faz com que essa passagem curtíssima nessa dimensão seja coroada de medos, de um Deus mau e vingativo que nos pune a cada momento, quando na realidade Vossa Divindade é simplesmente maravilhoso, complacente e, que mesmo tendo nos deixado três leis básicas: evolução, livre arbítrio e causa e efeito, ainda nos premia com varias oportunidades, para que atinjamos o ideal e assim, possamos atingir as dimensões da excelência de toda a espiritualidade.
O amor é o único caminho para a verdade, não existem atalhos, não se escreve a vivencia com entrelinhas ou com acentuações cósmicas do retalho extraído de um manuscrito do mar morto descoberto por Dan Brow que modificaria a religiosidade planetária e abriria outros horizontes palpitantes de credulidade, e medo. Não seriam as profecias Astecas que fariam com que fossemos diferente do que somos, talvez, ficássemos ainda piores porque haveríamos acordado de um grande engodo que durara milhares de anos. Assim os cientistas decepcionados resolvessem construir uma nave que comportasse toda a inteligência terrena e as levasse a uma viagem com destino indefinido e improvável fim. Mais quantas divagações e paranóias ainda teremos até saber o que já deveríamos nascer sabendo, ou melhor amando e que o amor acompanhasse todas as nossas etapas e que jamais pudéssemos conhecer sentimentos tão mesquinhos, como a ganância, a inveja, o ódio e, quem sabe, assim, talvez a violência nem existisse e pudéssemos todos nós, amar uns aos outros.
Mais agora o sol se foi por completo, eu olho ao meu redor e vejo tanta coisa que já existia desde a minha infância, lembro de um sonho da adolescência, de uma amor de mulher, de passear de mãos dadas, de beijar aqueles beijos ardentes e de sentir o teu calor mesmo quando já em meu quarto recolhido me encontrava. Passaram-se tantos anos e não viestes, e porque? Será que não me amastes o suficiente para enfrentar o mundo ao meu lado, ou caístes nos impedimentos de outros sentimentos, aqueles que eu não os senti? Mais te lembra mulher que eu ainda espero por ti, na passagem do ano, no limiar de outro amanhecer, que venhas, vestida de branco e com a grinalda das noivas prometidas...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

UM DEDO DE PROSA

E O NATAL CHEGOU...

E o Natal chegou!...
Chegou trazendo consigo velhas e repetidas esperanças de um mundo melhor, mais harmonioso e com menos desigualdade social. Um mundo sem miséria e sem violência, em que seus habitantes possam viver como irmãos.
Chegou renovando nossos votos de PAZ, SAÚDE e PROSPERIDADE aos nossos parentes, amigos e “agregados”. Chegou enchendo nossos corações de alegria, pois é no Natal que celebramos o nascimento do menino Jesus. Chegou fazendo-nos crer que a humanidade ainda tem salvação; que o Amor ainda existe (e resiste); que devemos ter fé; que Deus jamais se esqueceu de nós e que Ele sempre estará conosco.
Sim!... o Natal mais uma vez chegou, mas não sem nos fazer lembrar de que nem tudo é alegria, pois muitos são os que nada têm para comer; muitos são os que gostariam de ter ao menos um prato de arroz com feijão para servirem aos filhos na noite de Natal. Também, muitos são os que se encontram num leito de hospital esperando a hora da morte; incontáveis são as pessoas que sequer têm um chapéu para servir-lhes de moradia. E contrastando-se a isso, nessa época do ano, os grandes shoppings da cidade parecem formigueiros humanos preparando-se para a incessante batalha do consumismo exagerado, em que o Comércio é o principal vencedor.


Que o verdadeiro espírito natalino faça morada no coração de todos nós!!!


Lindo Natal
MEUS VERSOS LÍRICOS

NOBRE VISITANTE
(Joésio Menezes)

Naquela manhã de sol radiante,
Na lida eu estava concentrado
Quando, de repente, fui contemplado
Co’a presença dum nobre visitante.

Ele chegou silenciosamente
E, como se estivesse procurando
Suas flores, ficou sobrevoando
A sala em qu’eu estava presente.

Aproximou-se de mim e, parado
No ar, mostrou-se decepcionado
Por não encontrar sequer uma flor...

E não encontrando suas amantes,
Acabrunhado e num voo rasante,
Foi-se embora o nobre beija-flor.


ENTRE DORES E RISOS
(Joésio Menezes)

- ao amigo Vivaldo Bernardes -

Teu sofrimento, meu velho amigo,
Nada mais é que a manifestação
Do Amor em busca de um abrigo
Que te traga menos sofreguidão.

Mas, tal sofrimento é um castigo
Às coronárias do teu coração,
Que sempre foi solidário contigo
Nas dores causadas pela paixão.

Entanto, teu Amor é muito forte
E há de tanger pra longe a morte,
Que nos espera sem constrangimento.

E, juntos, daremos muitas risadas
Das dores que te foram provocadas
Pela paixão e outros sentimentos.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

UM BEIJO
(Olavo Bilac)

Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...


ANJOS DO CÉU
(Álvares de Azevedo)

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?
CRÔNICA DA SEMANA

O NATAL DE CADA UM...
(Taís Luso de Carvalho)

Apostamos que nossos melhores Natais aconteceram na infância, como se nela tivesse ficado, também, o melhor de nossas vidas. Mas Natal é emoção: e o que conta são nossas carências, nossas buscas, nossas frustrações ou nossos sonhos. Querendo ou não, o 25 de Dezembro é o receptáculo para todas as emoções reprimidas. Os sentimentos afloram como se estivessem na primavera... Tempo e lugar não importam diante da verdade de cada um.
Muitos gostam do Natal, outros preferem as festanças do Ano-Novo. Não importa o motivo. Importante é se queremos comemorar ou ficarmos quietos e pensativos, apenas. E isso também é saudável; dar liberdade aos nossos sentimentos e às nossas manifestações. Cada um faz o seu Natal. E isso é respeito.
Repensando a minha infância, percebi que coloquei nela mais o concreto do que o teórico; mais os presentes do que os sentimentos. Muita coisa foi fora de medida, mas esse rebuliço é normal. Depois cresci e o equívoco se desfez.
Lembro-me, ainda, que na véspera do Natal passado recolhi várias roupas fora de uso, coloquei-as numa sacola e saí. Andei com o sacolão por vários quarteirões. Encontrei uma florista arrumando sua humilde banca, com um nenê no colo e um menino excepcional deitado sobre um capacho sujo. Perguntei-lhe se queria as roupas e, com um acanhado sorriso, respondeu-me que sim. Coloquei a sacola pertinho da criança doente, sobre o capacho sujo. O menino me olhou e sorriu como se estivesse vendo uma fada-madrinha. Passei minha mão sobre sua cabecinha, comovida com aquele sorriso ingênuo e sem mágoa da vida. E retomei meu caminho. Mas minha retina já havia fotografado a imagem daquela criança, e num dia de Natal.
Antes de atravessar a rua senti um leve toque em meu ombro. Era a florista; num gesto tímido e agradecido, ofereceu-me uma singela rosa branca desejando-me um Feliz Natal e com muitas bênçãos de Deus. Minha garganta ardeu: no esforço de sufocar uma lágrima engoli uma amarga saliva. Se isso tivesse acontecido num dia comum, penso que minha reação teria sido diferente. E talvez a dela também. Mas era Natal! Por si só esta data é mágica e nos conduz aos mais nobres gestos e sentimentos.
Saí pensando na atitude da florista e o quanto seu gesto me sensibilizou. E voltei pra casa com os olhos marejados.
Diante disso não tenho o porquê pensar nos Natais de minha infância. Quando adultos, a troca afetiva é o prato principal; os presentes passam a ser apenas o molho...
À noite, coloquei a minha rosa branca num lugar de destaque: marcou presença e enfeitou a minha noite de Natal.
E este ano... Por onde andará a minha florista?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

UM DEDO DE PROSA

VI ENCONTRO ARTÍSTICO-CULTURAL DA APL
Era noite do dia 09 de dezembro, sexta-feira. Ansiosos, aguardávamos os convidados para começar a festa. Os ponteiros marcavam vinte horas, e nenhum convidado ainda havia chegado para o evento, marcado para as dezenove e trinta.
Finalmente, com quarenta minutos de atraso, chega o primeiro convidado. Poucos minutos depois, mais um e mais outro, e outro mais. O mestre de cerimônia dá início ao VI ENCONTRO ARTÍSTICO-CULTURAL da Academia Planaltinense Letras. Eram vinte horas e trinta minutos... Na plateia, apenas meia dúzia de convidados. Também pudera!... Naquela noite aconteciam, simultaneamente, três festas de grande porte.
E com tanta “coisa boa” na cidade, quem se interessaria por um Sarau de Poesias seguido de uma NOITE DE AUTÓGRAFOS?... Aquelas duas dezenas de pessoas que se fizeram presentes ao nosso evento e lá permaneceram até o último verso declamado.
Na ocasião, o poeta Vivaldo Bernardes e eu lançávamos nossos mais recentes trabalhos poéticos: Coisas da Vida e Viagem pelo Brasil-canção, respectivamente. Com relação ao público, disse o octogenário poeta: “o que torna o evento agradável e bem sucedido não é a quantidade de pessoas presentes, mas a qualidade do seu público”.
Sábias palavras!... pois as poucas pessoas presentes ao nosso evento fizeram aquela festa inesquecível para todos nós, os organizadores, tendo em vista o entusiasmo e a cara de satisfação de todos os convidados.
Deixo aqui registrado o nosso MUITO OBRIGADO a todos que lá estiveram!...
MEUS VERSOS LÍRICOS

O PASSARINHO
(Joésio Menezes)

Canta triste o passarinho,
Aprisionado na gaiola,
Com saudade do seu ninho
Lá no alto da graviola.

E o seu triste cantar
É um apelo à liberdade,
É vontade de voar
Pelos bosques da cidade,

É desejo de sair
Da gaiola e sentir
Nas suas asas o vento...

Voa livre o passarinho
- Que não mais está sozinho -
Sob o olhar do firmamento.


VERSOS PERDIDOS
(Joésio Menezes)

Versos perdidos são os que não fiz a ti,
Pois neles estava todo meu sentimento,
Por isso, tenho certeza: eu os perdi
E não mais adianta esse meu lamento.

Versos perdidos não se recuperam mais
Tampouco deles se tem notícias quaisquer,
Mas são versos... e deles me esqueço jamais,
Principalmente quando feitos à mulher.

Versos perdidos... esses jamais os terei,
Pois onde e como encontrá-los, eu não sei,
Mas serão eles os meus versos preferidos!

E toda vez que me faltar inspiração
Ou a saudade invadir meu coração,
Me lembrarei daqueles meus versos perdidos.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

UM DIA, SOMENTE
(Andrea Joy)

Traga a minha vida de volta.
Me abrace e nunca me solte!
Me aceite como sou.
Preciso de você, desse amor.
Eu tento, juro! Não quero invadir sua vida,
Mas sua vida me interessa,
Você é o meu objetivo maior.
Eu não quero morrer sem ter
O toque de suas mãos em meu corpo,
Sem seus beijos, sem ter você
Nem que seja por um dia somente!...


VOCÊ NO CORAÇÃO
(Patrícia Ximenes)

Eu preciso dizer que te amo
Um amor daqueles cheio de sonhos.
Eu preciso dizer que te preciso
Uma necessidade bem dolorida.
Eu preciso dizer que te quero
Um querer mais que bem querer.
Eu preciso dizer que talvez eu desista
Uma renúncia pra te ver feliz.
Eu preciso dizer-te que te amarei sempre
Mesmo quando o teu beijo for mera lembrança.
CRÔNICA DA SEMANA

O PAVÃO
(Rubem Braga)

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.