terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


EU ESCREVI UM POEMA TRISTE
(Mário Quintana)

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!


SONETO LXXXVIII
(William Shakespeare)

Quando me tratas mal e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.

Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.

Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,

Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
CRÔNICA DA SEMANA


CRÔNICA DO AMOR
(Arnaldo Jabor)

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem. Caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa por que ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá ou elo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que e revela quando menos se espera.
Ah, o amor essa raposa!... Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim. Amor não requer conhecimento nem consulta ao SPC. Ama-se pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim ó!...
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor de sua vida é.
RESENHA LITERÁRIA


MEMÓRIAS DO CÁRCERE
(www.jayrus.art.br/Apostilas/LiteraturaBrasileira)

Memórias do Cárcere é um livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado postumamente (1953) em dois volumes. O autor não chegou a concluir a obra, faltando o capítulo final.
Graciliano havia sido preso em 1936 por conta de seu envolvilmento político, exagerado por parte das autoridades ditatoriais após o pânico insuflado com a chamada Intentona Comunista, de 1935. A acusação formal nunca chegou a ser feita.
Em Memórias do Cárcere, publicação póstuma, Graciliano Ramos ocupou seus últimos anos, tornando públicos, “depois de muita hesitação”, acontecimentos da sua e da vida de outras pessoas, políticos ou não, intelectuais ou não, homens e mulheres, presos durante o Estado Novo.
Nos três primeiros parágrafos do livro ele se explica, justificando a demora de dez anos. E, depois, resolvido a escrever, sabe que sua narrativa será amarga: “Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze”.
O intuito de Graciliano se realizou. Fiel aos acontecimentos, não escondeu, não negou, não exagerou: “Escreveu, realmente, com exatidão espantosa, com rigor excepcional. Tudo o que é negro, em sua narração, é negro pela própria natureza, o que é sórdido porque nasceu sórdido, o que é feio é mesmo feio. Não há pincelada do narrador no sentido de frisar traços, de agravar condições, de destacar minúcias denunciadoras.”(Nélson Werneck Sodré, prefácio de Memórias do Cárcere).
Em 1936, quando esteve preso no pavilhão dos primários, na Casa de Detenção, Graciliano conheceu Vanderlino, “um homem útil”, habilidoso, capaz de esculpir peças de um jogo de xadrez depois de dividir um cabo de vassoura em 32 pedaços iguais. Criminoso comum, homem humilde, foi ele quem, mais tarde, na Colônia Correcional, apresentou um amigo a Graciliano. “Admirou-me a franqueza de Vanderlino ao dizer o nome e o ofício do personagem: -Gaúcho, ladrão, arrombador.”
Gaúcho virou amigo de Graciliano, querendo aparecer em seus livros (“Eu queria que saísse o meu retrato”) e, além de personagem em Memórias do Cárcere, é citado também no conto “Um Ladrão”, de Insônia, história da ineficiência de um aprendiz seu num roubo que fizeram juntos. Esta foi uma das muitas histórias que Gaúcho contou a Graciliano, ouvinte atento. E assim a amizade entre eles cresceu, dentro dos muros, desinteressada e sincera.
GRANDES NOMES DA LITERATURA


GRACILIANO RAMOS
(www.releituras.com/graciramos)

Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrângulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das surras que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência. Em seu livro autobiográfico "Infância", assim se referia a seus pais: "Um homem sério, de testa larga, dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza, olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura".
Em 1894, a família muda-se para Buíque (PE), onde o escritor tem contacto com as primeiras letras. Em 1904, retornam ao Estado de Alagoas, indo morara em Viçosa. Lá, Graciliano cria um jornalzinho dedicado às crianças, o "Dilúculo". Posteriormente, redige o jornal "Echo Viçosense", que tinha entre seus redatores seu mentor intelectual, Mário Venâncio.
Em 1905 vai para Maceió, onde freqüenta, por pouco tempo, o Colégio Quinze de Março, dirigido pelo professor Agnelo Marques Barbosa.
Em 1938, publica seu famoso romance "Vidas secas". No ano seguinte é nomeado Inspetor Federal do Ensino Secundário no Rio de Janeiro. Em 1942, recebe o prêmio "Felipe de Oliveira" pelo conjunto de sua obra, por ocasião do jantar comemorativo aos seus 50 anos.
O romance "Brandão entre o mar e o amor", escrito em parceria com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz é publicado pela Livraria Martins, S. Paulo.
Em 1946, publica "Histórias incompletas", que reúne os contos de "Dois dedos", o conto inédito "Luciana", três capítulos de "Vidas secas" e quatro capítulos de "Infância". Os contos de "Insônia" são publicados em 1947.O livro "Infância" é publicado no Uruguai, em 1948.
Em janeiro de 1953 é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem a falecer, vitimado pelo câncer, no dia 20 de março, às 5:35 horas de uma sexta-feira. É publicado o livro "Memórias do cárcere", que Graciliano não chegou a concluir, tendo ficado sem o capítulo final.
Postumamente, são publicados os seguintes livros: "Viagem", 1954, "Linhas tortas", "Viventes das Alagoas" e "Alexandre e outros heróis", em 1962, e "Cartas", 1980, uma reunião de sua correspondência.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

UM DEDO DE PROSA


"PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE"

2009 chegou!... e com ele as sequelas deixadas pelos homens no decorrer do tempo em troca de nada.
O Ano Novo mal teve início e já estamos assistindo nos noticiários aos bombardeios entre Israel e Gaza; às milícias agindo nos morros; ao tráfico de drogas fazendo mais vítimas inocentes; à polícia comentendo os mesmos erros de outrora; à natureza enfurecida com a ação dos homens...
O Ano pode ser Novo, mas o filme a que assistimos é reprisado. Com uma diferença apenas: as personagens, às vezes, são outras. Mas sou otimista e acredito que ainda há esperança!...
Tenho certeza que os filhos dos meus netos conseguirão festejar a chegada de um Novo Ano sem ouvirem falar em catástrofes naturais e sem conflitos políticos, religiosos, diplomáticos, étnicos e/ou sociais, ou seja, em harmonia.
Enquanto essa HARMONIA não chega, enquanto a PAZ não reina, ofereço-lhes algumas poesias e tomo como minhas as palavras da poetisa Lília Diniz:
"quem sabe me encontro nalgum lugar aonde o amor restaura as chagas e segue restituindo a morte e o sempre cada vez que respirar, cada vez que o mundo acordar cantando, cada vez minha velha alma criar alma nova e queira voar pela boca e sair por aí".
MEUS VERSOS LÍRICOS



A HERANÇA
(Joésio Menezes)


Sonhei que eu recebia uma herança,
A qual foi noticiada nos jornais...
Era uma tela que os meus queridos pais
Herdaram quando ainda eu era criança.


Quando vi, eu quase não acreditei!..
Era um quadro muito raro e valioso
Pintado por um artista grandioso:
Picasso, das pinturas o grande rei.

Mas, esse sonho infelizmente teve um fim
Quando, sorrateira, você chegou a mim
E me disse: “- dessa vez eu te laço”...

Acordei angustiado, pois não sabia
Se realmente a mim você queria
Ou se estava de olho em meu Picasso.


ESTRELA-GUIA
(Joésio Menezes)

Você é o néctar da minha flor,
Do meu céu é a Estrela-Guia,
Da minha canção, a melodia,
Do meu arco-íris, a mais linda cor.

Você é a força do meu amor,
Da minha vida é a energia,
É o sol que aquece o meu dia,
É o meu ciúme devastador.

Você é a canção que canto agora,
É o raio mestre da luz da aurora
Da minha vida reticente...

Você é a luz que sempre brilha
No decorrer da longa trilha
Do meu destino contundente.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


MULHER II
(Vivaldo Bernardes)


Tu és pura e nobre, origem do homem;
da Terra és rainha, do lar segurança;
aos entes do mundo não tens semelhança;
carinhos tens muitos que não se consomem.


És luz que se acende no escuro das noites;
farol que indica o roteiro a seguir;
bonança que trazes no rosto a sorrir
depois da borrasca, no fim dos açoites.

És fonte segura d´amor desvelado;
cansaço não queixas ou dores quaisquer,
só tendo por mira o amor acendrado.

O amor genuíno que trazes no peito
é próprio de ti, pois te chamas mulher,
por mais dores sintas não mudas teu jeito.


AQUELA TRISTE E LEDA MADRUGADA...
(Luis de Camões)

Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrado.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu a postar-se de uma outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas.
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.
CRÔNICA DA SEMANA


TRANSFORMAR LÁGRIMAS EM CANÇÃO
(Lília Diniz)

“Coração do homem-bomba faz tum-tum/ Até o dia em que ele fizer bum...”

Enquanto milhões celebravam a chegada do ano novo, perante as luzes dos fogos de artifício, o povo palestino contava “seus mortos” massacrados por Israel.
Por alguns instantes fiquei também encantada pensando na beleza das formas iluminadas, ali às margens do Rio Tocantins, na expectativa pelo show tão esperado de Zeca Baleiro, entretanto, o barulho da explosão dos fogos me levou novamente à Faixa de Gaza.
E se a profecia do poeta nos diz que é mais fácil cultuar os mortos que os vivos, que é mais fácil viver de sombras que de sóis, ou ainda que é mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro, confesso que não foi fácil me concentrar e renovar minhas esperanças na humanidade.
Eu canto, danço, celebro a vida sem convencer nem a mim mesma... E quando menos espero, ele dispara: Se não eu? Quem vai fazer você feliz? GUERRA. E novamente vou eu à Faixa de Gaza. Penso nas mulheres e homens que sofrem pela estupidez de quem justifica o genocídio, como a moça que justifica, de modo simples, a cerveja derramada em minha blusa durante a canção “alma não tem cor”.
Quase nada me concentra por muito tempo. Tenho a memória de tudo que existe. Tudo que é triste.... Eu que vagueio entre as luzes do ano novo e o estrondo das bombas de Israel desconheço meus amigos e me pergunto: Eu já vi esse rosto antes? Nas sombras de outras luzes, eu já vi esse rosto antes? Esses olhos já me olharam?
Olho meu filho que contempla o palco sem mover sequer um passo, daqui pra lá, nem de lá pra cá. E lá vou eu, novamente à Gaza, pensar nas mulheres que olham seus filhos inertes, paralisados por bombas, estilhaçados por balas. Mortos!
Deixo-me levar pelos versos que teimosos me queimam a alma: mesmo na luz não há quem possa se esconder do escuro. Eu estou ali desnuda!
Nada basta à minha alma que reclama sem paz por um grito da humanidade. Humanidade que desfia discursos de esperança, desejando paz ao vizinho, defendendo a Amazônia, salvando espécimes em extinção, se preplexa perante as explosões artificiais e não explode seus reclames pelos corpos que são estilhaçados por bombas, pela Aids, pela fome...no Iraque, no Brasil, em Moçambique, na China...
Beijo meu amado, e de olhos fechados, vejo os beijos que não mais serão dados entre os amantes enamorados, apartados cruelmente.
Ouço as juras segradadas nalgum lugar em que eu nunca estive, sob chuvas de lágirmas e medos, sussurradas... -Eu sei que você tem medo de não dar certo. Eu quero que você não pense em nada triste, pois quando o amor existe não existe tempo pra sofrer...
E mesmo desabando minhas dores, quero lançar nas estrelas canções e poemas que reinventem a alegria, a esperança, o amor e a solidariedade, ainda que hoje eu só queira chorar como poeta do passado.
E quem sabe me encontro nalgum lugar aonde o amor restaura as chagas e segue restituindo a morte e o sempre cada vez que respirar, cada vez que o mundo acordar cantando, cada vez minha velha alma criar alma nova e queira voar pela boca e sair por aí.
RESENHA LITERÁRIA


RITA, RITINHA, RITONA
(Por Wilson Prata)

Até esse livro era completamente leigo em Dalton Trevisan. Fica difícil fazer uma crítica do autor por apenas uma obra, não da para saber se evoluiu, se experimentou novos rumos ou se se encontra num estado de autofagia literária. Mesmo que passasse a consumir e pesquisar sua obra, o que esta um pouco longe de ser minha prioridade, dificilmente faria uma resenha melhor que esta.
Livrando minha culpa na minha ignorância sobre Trevisan, conjunta com a preguiça mental, posso dizer o que realmente achei do livro, e achei bom.
O que me incomodou um pouco na leitura é o fato que de eu nunca nem ter estado em Curitiba. O autor não chega a ser um bairrista, mas sem dúvida há uma percepção parcial do livro para quem não conheça Curitiba, visto as várias referências que o autor faz à cidade e as pessoas que lá residem.
O mais valoroso no livro é a abordagem tupiniquim da sexualidade, explicito e cru. Trevisan escreve sobre pedofilia, fetichismo, homossexualismo com uma narrativa simples e direta sustentada por eventos plausíveis.
O poema sobre prostituição é quase um tratado sobre direitos e deveres de quem consome e quem fornece na comercialização do sexo, por uma questão de bom senso e pelo bem da poética na literatura esse não é título.
Existem dois ou três contos que são contos eróticos, de sacanagem mesmo, escritos de uma forma erudita, semi-parnasiana e, consequentemente, cômica.
No caso da pedofilia faz uma abordagem nem pró nem contra o polêmico tema, o caso acontece como acontece realmente, uma menina de nove anos sai de casa para fazer compras um cara mais velho a abordar com aquele papo “vem cá ver o que tenho para você” que só uma criança de nove anos cairia, e é o que acontece. O cara abusa da menina, que não faz nem idéia do que ta acontecendo, e depois vai embora sem peso na consciência. Cruel, estúpido e desumano com só a realidade consegue ser.
GRANDES NOMES DA LITERATURA


DALTON TREVISAN
(www.releituras.com)

Dalton Jérson Trevisan nasceu a 14 de junho de 1925, em Curitiba-PR. Antes de chegar ao grande público, quando ainda era estudante de Direito, costumava lançar seus contos em modestíssimos folhetos. Em 1945 estreou com um livro de qualidade incomum, Sonata ao Luar, e, no ano seguinte, publicou Sete Anos de Pastor.
Entre 1946 e 1948, editou a revista Joaquim, "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil". A publicação tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais.
Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: "A Polaquinha"), Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Em 2003, divide com Bernardo Carvalho o maior prêmio literário do país — o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira — com o livro "Pico na Veia".

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

UM DEDO DE PROSA


ADEUS, ANO VELHO!...

A poucas horas da virada do ano, ainda não tracei minhas metas para o novo ano que se aproxima. Talvez seja isso um ponto favorável a mim, pois não correrei o risco de, ao final de 2009, ficar frustrado por não ter conseguido atingi-las; e talvez seja esse o motivo de eu sentir-me uma pessoa feliz, realizada... pois jamais tracei metas para os anos que se aproximam. Apenas acredito que posso concluir o que idealizo e começo a fazer.
Tenho certeza que não sou o único a agir dessa forma, a pensar desse jeito, a acreditar na realização de um ideal... Tenho certeza que agindo dessa forma, outras pessoas são, inclusive, bem mais felizes que eu, mas não as invejo, apenas as admiro.
E pensando assim, torço para que todos (familiares, "agregados", amigos e desconhecidos) sejam felizes e tenham um 2009 repleto de realizações, regado a muita SAÚDE, recheado de muita PAZ, surtido de muito AMOR e adornado com muita POESIA.
MEUS VERSOS LÍRICOS



SOB O CÉU ESTRELADO
(Joésio Menezes)


Sob o céu estrelado
Eu passo a noite te esperando,
E acordado fico sonhando
Com o cheiro do teu corpo suado.


Enquanto isso, o céu, angustiado
Por ver a noite terminando,
Lindas fábulas vai me contando
Para que eu permaneça acordado.

Ele fala-me da lua e das estrelas,
Do medo que tem de perdê-las,
E do Astro Sol, seu grande amigo.

E quando já está amanhecendo
E do céu as estrelas desaparecendo,
Adormeço e sonho contigo.


TU ÉS
(Joésio Menezes)

Tu és das flores a mais formosa,
Das estrelas, a mais incandescente,
Das pedras, a mais preciosa,
Dos desejos, o mais atraente...

Tu és das musas a mais grandiosa,
Das aventuras, a mais envolvente,
Das conquistas, a mais gloriosa,
Dos lamentos, o mais contundente...

Das deusas és a mais idolatrada,
Das mulheres, a mais invejada,
Dos sentimentos, o mais encantador...

Das dádivas és a mais querida,
Das ilusões, a mais cheia de vida,
Dos poemas, o mais cheio de amor.
O MELHOR DA POESIA BRSILEIRA E UNIVERSAL


TECENDO A MANHÃ
(João Cabral de Melo Neto)

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele deu
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


ESPERANÇA
(Vivaldo Bernardes de Almeida)

O que sinto no peito aqui guardado,
é o último trunfo com que conto
com carinho e amor mui bem velado,
na esperança de ver-te me apronto.

Dos tormentos de estar longe de ti,
só me resta agora a esperança
de te ver como um dia já te vi:
como eras e plena de pujança.

Só Deus sabe o tempo que inda nos resta,
pra de novo abraçar-nos como outrora,
esperando com ânsia a grande festa.

E enquanto esse dia não chegar,
não soar o relógio a justa hora,
só nos fica o infindo esperar.
CRÔNICA DA SEMANA


FELICIDADE REALISTA
(Mário Quintana)

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num Spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem possamos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário,queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente nos esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode (ou não) ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando... Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade...
"O tempo não pára!... Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”
RESENHA LITERÁRIA


MORTE E VIDA SEVERINA: A VIDA MORTA DO NORDESTE
(por Ana Cristina de Souza Vertelo)

O livro divide-se em quatro capítulos, constituindo uma espécie de tetralogia, que retrata o sofrimento da população pernambucana. É um poema dramático já definitivamente incorporado à sensibilidade nacional, o qual relata a história de um retirante nordestino, que sai de sua cidade natal, em busca do pão para sobrevivência.
No Nordeste, a paisagem encontra-se reduzida a pedra e pó. A vida é dura e a terra está curtida de tanta sede. Sendo assim, torna-se impossível fazer plantações, pois as mesmas não sobreviveriam a tanta seca.
O primeiro capítulo, “O Rio”, ganhador do prêmio de poesia do VI centenário da cidade de São Paulo, relata a situação drástica em que os rios encontram-se e os estragos que a falta da chuva provoca.
Em conseqüência disso geram a fome, a miséria e o êxodo rural, contribuindo para a formação de favelas nas grandes cidades.
Já no segundo capítulo, “Morte e Vida Severina”, o autor fala sobre a viagem do retirante a Recife, guiado pelo rio Capibaribe, sobre o desânimo que o rodeia e o faz pensar em interromper a viagem; mas a necessidade de chegar é mais forte e ele prossegue. Chegando a Recife, ele é bem acolhido e aceito como parte da sociedade local.
O terceiro capítulo, “Dois Parlamentos”, compõe-se de um par de discursos poéticos, em ritmo dual, sobre os temas do cemitério sertanejo e do trabalhador dos engenhos. Pelo fato de não chover, o Nordeste é visto como um cemitério, tudo está morto: os bichos, as plantas, o homem.
Já o quarto e último capítulo, “Auto do Frade”, compõe-se da transfiguração estética e geográfica da realidade pernambucana, a qual engloba o sofrimento visível que a sociedade vive. E aí o poeta atinge a dimensão da história.
Realizando a fusão de tons e ritmos da poesia popular, esses quatro poemas perfazem uma das grandes vertentes da obra de João Cabral de Melo Neto. São momentos altos da literatura brasileira moderna, que retratam a realidade da sociedade pernambucana.

(www.acad.unibh.br/letras)
GRANDES NOMES DA LITERATURA


JOÃO CABRAL DE MELO NETO
(www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura)

Descendente de tradicionais famílias de Pernambuco e da Paraíba, João Cabral de Melo Neto foi o segundo dos seis filhos de Luiz Antonio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo. Nasceu no Recife, capital do Estado de Pernambuco, no dia 9 de janeiro de 1920, mas como seu pai era senhor de engenho, passou parte da infância e adolescência em engenhos de açúcar. Primeiro no Poço do Aleixo, em São Lourenço da Mata, e depois nos engenhos Pacoval e Dois Irmãos, no município de Moreno. A vida no campo marcou profundamente o poeta.
Apesar da vivência nos grandes centros, Cabral nunca se adaptou à cidade grande e à agitação do mundo urbano, sentindo-se para sempre um homem do interior. Na infância feliz, seu tempo era dividido entre as brincadeiras na casa grande com Virgínio, seu irmão mais velho a quem era muito unido, e os passeios a cavalo pelo canavial. João Cabral era uma criança sensível e, desde pequeno, demonstrava preocupação com o ser humano, numa atitude muito singular para sua pouca idade.
Por volta dos oito anos de idade, ele morava com a família em Recife e ía para o engenho no tempo das férias. Seu irmão Virgínio lembrou que, aos domingos, o administrador do engenho ia à feira fazer as compras de mantimentos para a casa. Nestas ocasiões João Cabral dava-lhe dinheiro e encomendava a compra de folhetos de cordel. À tarde ele ia para a moita do engenho e, com os empregados todos ao redor de si, lia três, quatro folhetins para o pessoal do engenho.
O contato com os trabalhadores da usina seria uma experiência fundamental para o poeta pois, mais tarde, na vida adulta, viajando pelo mundo como diplomata, Cabral teria o necessário distanciamento para ver melhor, com preocupação e pungência, a verdadeira realidade do nordeste e retratá-la em sua obra.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

UM DEDO DE PROSA


ENTÃO, É NATAL!...

Enfim, aos trancos e barrancos, chegamos a mais um Natal!...
No entanto, sem muito o que comemorarmos, pois a "crise" que assola meio mundo (ou seria mundo e meio?) não está permitindo que nossos irmãos ponham à mesa o "de comer" dos seus filhos; ao menos o básico, o que já seria suficiente para vermos um sorriso no rostinho triste das nossas crianças.
Mas não é de hoje que essa crise vem nos incomodando a todos!... Não é de agora que estamos vendo nossos fraternos irmãos passando por necessidades!... E nem tudo isso começou ontem!...
Porém, é agora que precisamos fazer algo!... É prá já!...
Que tal tirarmos dos armários aquela roupa que não usamos mais ou o brinquedo que os nossos filhos abandonaram e tentarmos fazer uma criança feliz?... Que tal, ainda, irmos à nossa despensa e retirarmos de lá um pouco dos nossos alimentos e doarmos a uma instituição de caridade (um asilo ou um orfanato, tanto faz!)?...
Tenho certeza que todos nos sentiremos um pouquinho mais felizes, pois estaremos fazendo outras pessoas também felizes... Não é muito, mas valerá a pena!...
E já que é Natal, que tal oferecermos uma poesia a quem amamos?

A TODOS, UM FELICÍSSIMO NATAL!...
MEUS VERSOS LÍRICOS


VIAGEM AO UNIVERSO DA POESIA
(Joésio Menezes)


Na companhia dos meus sonhos
Viajei pelo Universo da poesia,
E passando por lugares incertos
Vi Camões navegando sobre as águas
Dos “mares nunca dantes navegados”.


Em Pasárgada, encontrei Bandeira,
O amigo do rei,
Levando a mulher que ele sempre quis
Para a cama que escolheu.

Na Via-Láctea de Bilac,
Vi Cecília correndo
Entre os Canteiros da saudade
Em busca da felicidade,
Motivo pelo qual não é alegre nem triste,
É poeta...

Enquanto Augusto dos Anjos
Escarrava na boca que o beijara,
Vi Neruda escrever alguns Versos Tristes
E os oferecer a Marília de Dirceu
Em troca de um singelo favor:
Pedir a Drummond
Que tire a pedra do caminho de José,
Pois ele precisa chegar ao Navio Negreiro
Antes que Colombo feche as portas dos mares
Ao Fanatismo de Florbela.

Vi plantarem a Rosa de Hiroshima
Enquanto Mário Quintana
Entoava A Canção da Vida
Na tentativa de permitir
Que minha terra ainda tenha palmeiras
Onde possa cantar o sabiá.

E antes que minh’alma se tornasse pequena,
Fiz com que tudo valesse a pena:
Dancei A Valsa de Casimiro
Ao som da Harpa da Cruz e Sousa
E me pus, sorridente, a versejar.


MADALENA BARRANCO
(ao arcanjo do “Flor de Morango”)

Meus versos, espalho-os ao léu
A fim de alcançar o cristalino
Dos olhos do arcanjo fiel,
Amigo dos poetas genuínos,
Levando-lhe a essência do cordel,
Especialidade do povo nordestino
Nascida como se fosse a Babel
Armíssona do trovador latino...

Bancando um autêntico menestrel
Assumo meu grande desatino:
Roubei as estrelas lá do céu,
Riscando-as de vez do meu destino;
Amontoei-as no fundo do meu fardel,
Não lhes permitindo sequer ouvir o hino
Cantado por meus versos no papel
Ou pelas rimas do poeta sem tino.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



PÁSSARO
(Cecília Meireles)


Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.


Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.

Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.

Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.


NO ALTO
(Machado de Assis)

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.

Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.

Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,

Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro lhe deu a mão.
CRÔNICA DA SEMANA


A JUVENTUDE E A ANTIGÜIDADE
(Por Cairbar Garcia Rodrigues)

Sou antigo, sabem? Notem que eu disse antigo, não antiquado. E também não estou afirmando que sou velho, pois não sou. O fato é que penso e ajo de uma maneira um pouco diversa de outras pessoas da mesma idade. E é por aqui que começa minha Antigüidade, muito paradoxal, por sinal. Gosto das coisas de algumas décadas passadas que vão lá longe, no tempo, quando comecei a compreender-me como gente. Mas, por outro lado, estou sempre ancorado, na juventude, nos adolescentes e até mesmo nas crianças. Eles me ensinam um modo de vida que eu sei que levam, mas que na cabeça deles é um pouco diferente do que realmente é. E eles sempre me surpreendem. Quando arranho no meu violão algumas velhas músicas do passado ou alguma música caipira de raiz que canto um bocado mal, não nego, ficam ouvindo atentamente, pensativos, como se entrassem num “admirável mundo novo”, que é, na verdade, um admirável mundo velho. Quando lhes falos dos cinemas de duas mil e quinhentas poltronas de couro, amplas, onde cabiam até duas pessoas magras. que havia na minha e em outras cidades, eles ficam atônitos. Mas isso tanto é verdade que um desses cinemas de Rio Preto, quando perdeu de vez a guerra para os bares e a TV foi tombado e logo transformado num grande shopping, bem no miolo central da cidade. Sua fachada, em estilo art déco, foi mantida e ainda construída uma outra idêntica, na rua dos fundos, onde era o fundo do grande cinema, numa extensão exata de cem metros, atravessando o quarteirão por inteiro. Se lhes digo que a cidade era toda de paralelepípedos (alguns nem conhecem tal “palavrão”), percebo que a imaginação deles voa para um tempo que jamais viverão. Falo-lhes, também, dos circos mambembes, com teatro e bons palhaços, dos pequenos parques de diversões, onde os jovens faziam footing e ofereciam músicas a determinadas pessoas que queriam conquistar, através de um precário serviço de alto-falantes. Geralmente o agraciado com a oferenda era descrito pelas roupas, pela estatura, cor dos cabelos, etc. Digo-lhes como eram as escolas públicas no meu tempo de criança, infinitamente superiores em qualidade. Escolas particulares somente as de padres ou de freiras, que tinham que ser complementadas com aulas particulares, embora fossem caras, muito caras. Comento sobre os velhos jornais impressos em branco e preto, uma impressão quase artesanal, exceto as pesadas e barulhentas rotativas, que necessitavam de manutenção quase diária, muitas delas quebrando várias vezes o papel jornal de má qualidade das grossas e pesadas bobinas. Por fim termino, entre tantas outras coisas, falando do leite vendido sem pasteurização, em gordinhas garrafas de vidro de gargalo largo, com muito duvidosas condições de higiene. E ninguém morria por isso. Ou morria? Eu não sei. Era ainda muito menino. E naquele tempo se morria por qualquer coisa. Menos por obesidade, diabetes e outras coisas referentes à alimentação farta e rica em carboidratos e gorduras. Os fast food… o que seria isso?
Mas, para encerrar, de uma coisa estou certo: mesmo vivendo menos, trabalhando mais e sem os confortos da modernidade, as pessoas eram muito mais felizes. E quanto aos jovens e adolescentes com os quais converso, falam muito pouco. Eles não têm histórias próprias de vida, pois não têm vida própria. Vivem somente do massacre dos Harry Potter, dos games da informática, do álcool precoce e, quase sempre, das drogas. Um pena! Jovens doces e dóceis, fáceis de lidar e de conviver, estragados pela globalização capitalista ocidental, que os tornou semi-andróides.