O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA
(Cassiano
Ricardo)
As coisas que não conseguem morrer
Só por isso são chamadas eternas.
As estrelas, dolorosas lanternas
Que não sabem o que é deixar de ser.
Ó força incognoscível que governas
O meu querer, como o meu não-querer.
Quisera estar entre as simples luzernas
Que morrem no primeiro entardecer.
Ser Deus — e não as coisas mais ditosas
Quanto mais breves, como são as rosas
É não sonhar, é nada mais obter.
Ó alegria dourada de o não ser
Entre as coisas que são, e as nebulosas,
Que não conseguiu dormir nem morrer.
SE EU
MORRESSE AMANHÃ!
(Álvares de
Azevedo)
Se eu
morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus
olhos minha triste irmã;
Minha mãe de
saudades morreria
Se eu
morresse amanhã!
Quanta glória
pressinto em meu futuro!
Que aurora de
porvir e que manhã!
Eu perdera
chorando essas coroas
Se eu
morresse amanhã!
Que sol! que
céu azul! que dove n'alva
Acorda a
natureza mais loucã!
Não me batera
tanto amor no peito
Se eu
morresse amanhã!
Mas essa dor
da vida que devora
A ânsia de
glória, o dolorido afã...
A dor no
peito emudecera ao menos
Se eu
morresse amanhã!
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