O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA
(Casimiro
de Abreu)
Quando
tu choras, meu amor, teu rosto
Brilha
formoso com mais doce encanto,
E
as leves sombras de infantil desgosto
Tornam
mais belo o cristalino pranto.
Oh!
nessa idade da paixão lasciva
Como
o prazer, é o chorar preciso:
Mas
breve passa - qual a chuva estiva -
E
quase ao pranto se mistura o riso.
É
doce o pranto de gentil donzela,
É
sempre belo quando a virgem chora:
-
Semelha a rosa pudibunda e bela
Toda
banhada do orvalhar da aurora.
Da
noite o pranto, que tão pouco dura,
Brilha
nas folhas como um rir celeste,
E
a mesma gota transparente e pura
Treme
na relva que a campina veste.
Depois
o sol, como sultão brilhante,
De
luz inunda o seu gentil serralho,
E
às flores todas - tão feliz amante -
Cioso
sorve o matutino orvalho.
Assim,
se choras, inda és mais formosa,
Brilha
teu rosto com mais doce encanto:
-
Serei o sol e tu serás a rosa...
Chora,
meu anjo, - beberei teu pranto!
SACRÁRIO
(Cassiano Nunes)
Poesia:
aprendizado perene
ou perito artesanato?
Ofício
é o que é:
modesto,
proletário.
Parvos
os que se proclamam
ricos,
vencedores.
Não há vitória
nesta parda rotina,
não obstante
o invisível resplendor.
Conserva, pois, humilde
em eucarístico silêncio,
encerrado no peito,
o deus.
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