O MELHOR DA POESIA UNIVERSAL
(Luís de Camões)
Amor
é fogo que arde sem se ver;
É
ferida que dói e não se sente;
É
um contentamento descontente;
É
dor que desatina sem doer.
É
um não querer mais que bem querer;
É
um andar solitário entre a gente;
É
nunca contentar-se de contente;
É
um cuidar que se ganha em se perder.
É
querer estar preso por vontade
É
servir a quem vence o vencedor,
É
ter com quem nos mata lealdade.
Mas
como causar pode seu favor
Nos
corações humanos amizade;
Se
tão contrário a si é o mesmo amor?
O
AMOR
(Fernando Pessoa)
O
amor, quando se revela,
Não
se sabe revelar.
Sabe
bem olhar p'ra ela,
Mas
não lhe sabe falar.
Quem
quer dizer o que sente
Não
sabe o que há de *dizer.
Fala:
parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Nenhum comentário:
Postar um comentário