quinta-feira, 9 de setembro de 2010

UM DEDO DE PROSA

ALIENAÇÃO PARENTAL

Finalmente algo foi feito para se pôr fim às “lavagens cerebrais” (e às torturas psicológicas), acerca da relação entre pais e filhos, a que algumas crianças e adolescentes são submetidos.
Aquela história de fazer o filho acreditar que o pai ou a mãe é um “mau caráter”, a partir de agora, será crime estabelecido pela LEI DA ALIENAÇÃO PARENTAL (Lei 12.318/10, de 26/08/2010), que consiste, por exemplo, no caso da mãe (ou do pai) que possui a guarda da criança influenciá-la para que tenha qualquer tipo de imagem negativa em relação ao pai (ou à mãe).
Assim preceitua a lei: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente, promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este“.
Com isso, espera-se que a relação entre pais e filhos (ainda que separados) jamais deixe de ser amigável e afetuosa; que eles (os pais) continuem sendo os super-heróis dos filhos; que os filhos sintam orgulho dos pais que têm e que eles descubram, por si só, sem a interferência de outrem, os defeitos e as qualidades daqueles que os trouxeram ao mundo...
MEUS VERSOS LÍRICOS

DESAFIO
(Joésio Menezes)

Esse nosso desafio
em versos aqui firmado
está me parecendo
um duelo apaixonado
de dois seres que se amam
mesmo estando afastados.


E mesmo estando afastados,
cresce neles a paixão,
e um sentimento profundo
dentro de cada coração
vai abrasando-lhes os corpos,
aumentando-lhes o tesão.

Aumentando-lhes o tesão,
seus corpos ficam sedentos
de amor e tudo mais
que alimenta o sentimento
de saudade entre ambos,
que choram sem acalento.


RUSGAS E CONTURBAÇÕES
(Joésio Menezes)

Não me olhes com esse olhar desbotado
Nem me chames com essa voz engasgada,
Pois não sou eu o único culpado
Pelo fim da nossa história conturbada.

Não me venhas com esse papo furado
De que uma história só pode ser encerrada
Quando o alguém que temos ao nosso lado
Se revela uma pessoa perturbada.

Não me sorrias com esse falso riso
Nem me venhas falar do prejuízo
Que o fim desse enlace possa nos causar,

Pois não sou eu assim tão imaturo
Ao ponto de sentir-me inseguro
Caso nosso amor tenha que acabar.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

E TUDO MUDOU...
(Luis Fernando Veríssimo)

O rouge virou blush,
O pó-de-arroz virou pó-compacto,
O brilho virou gloss.

O rímel virou máscara incolor,
A Lycra virou stretch,
Anabela virou plataforma,
O corpete virou porta-seios,
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone...

A peruca virou aplique,
interlace, megahair, alongamento...
A escova virou chapinha,
"Problemas de moça" viraram TPM,
Confete virou MM.

A crise de nervos virou estresse,
A chita virou viscose,
A purpurina virou gliter,
A brilhantina virou mousse.

Os halteres viraram bomba,
A ergométrica virou spinning,
A tanga virou fio dental,
E o fio dental virou anti-séptico bucal.

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo,
O a-la-carte virou self-service,
A tristeza, depressão,
O espaguete virou Miojo pronto,
A paquera virou pegação,
A gafieira virou dança de salão.

O que era praça virou shopping,
A areia virou ringue,
A caneta virou teclado,
O long play virou CD,
A fita de vídeo é DVD,
O CD já é MP3.

É um filho onde éramos seis,
O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail,
O namoro agora é virtual,
A cantada virou torpedo,
E do "não" não se tem medo.

O break virou street,
O samba, pagode,
O carnaval de rua virou Sapucaí,
O folclore brasileiro, halloween,
O piano agora é teclado, também.

O forró de sanfona ficou eletrônico,
Fortificante não é mais Biotônico,
Bicicleta virou Bike,
Polícia e ladrão virou counter strike.

Folhetins são novelas de TV,
Fauna e flora a desaparecer,
Lobato virou Paulo Coelho,
Caetano virou um chato.

Chico sumiu da FM e TV,
Baby se converteu,
RPM desapareceu,
Elis ressuscitou em Maria Rita?

Gal virou fênix,
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe,
A bala antes encontrada agora é perdida,
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante,
O professor é agora o facilitador,
As lições já não importam mais,
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...
... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.
CRÔNICA DA SEMANA

RUPTURA E CONTINUIDADE
(Fernanda Pinho)

Faz nove anos desde que eu saí do colégio e, naturalmente, muitos dos conceitos que aprendi ali ficaram esquecidos ou estão guardados em algum lugar da minha memória que não acesso nunca. Há ainda as poucas coisas das quais nunca me esqueci e aquelas que só fizeram sentido quando cheguei a este ponto ao qual convencionamos chamar de vida adulta. Aliás, acho “vida adulta” um conceito muito vago e talvez eu devesse escrever sobre isso um dia. Um dia que não é hoje, pois hoje quero falar sobre outra coisa.
Hoje quero falar sobre a aula de História do professor Cleiton, que nunca se limitou a nos fazer decorar datas e fatos e, portanto, nos ensinou muitas coisas que eu só compreendi agora que sou... adulta (é, detesto admitir). Cleiton gostava de provocar a reflexão e incitar o debate. Ingênuos que éramos, poucas vezes mordíamos a isca. Mas me lembro muito bem dele – não raramente – escrever essas duas palavrinhas no quadro e nos fazer pensar sobre elas: ruptura e continuidade. Sob o prisma da sua disciplina, ele queria nos fazer identificar momentos da história da humanidade em que, diante da possibilidade de escolha, os homens optaram por romper ou continuar. Mesmo sem entender exatamente o porquê, eu conseguia observar que quando a opção era pela ruptura, a longo prazo, os resultados eram melhores para a sociedade. Chega a ser óbvio, afinal, se chegamos a uma situação onde é necessário fazer uma escolha, é porque as coisas não vão tão bem assim. E se não está tão bem, por que continuar? Porque continuar é mais fácil. Não existe ruptura sem caos, e poucos são aqueles interessados em revoluções de qualquer ordem.
Me saí muito bem nas provas do Cleiton, mas o que só entendi anos mais tarde é que esse negócio de ruptura e continuidade são conceitos determinantes para a história do mundo, para a história do nosso país (pra isso que existe eleição) e para a nossa própria história. Descobri que quanto maior é nossa capacidade de romper, maior é o nosso potencial de felicidade. Por que existem pessoas que passam anos trabalhando numa empresa que não suportam, anos vivendo um casamento infeliz, anos cercado por pessoas em quem não confiam? Simplesmente porque não têm coragem de provocar ruptura. E dá para entender. Romper dói demais e falo por mim que tenho pensando no assunto desde que, pela primeira vez na minha vida, provoquei uma ruptura. Por minha conta, sem tentar saber o que se passava com o outro. Eu estava numa situação que me fazia mal, eu estava sofrendo. Então, como num loop de montanha-russa, eu fechei o olho e fui. E vou dizer pra vocês: a vertigem é das brabas. Não é fácil suportar as consequências de uma ruptura que você mesmo provocou. Ainda não me recuperei do caos, mas sei que é daí que virá a ordem. A tristeza hoje tem um latifúndio na minha alma, mas, paradoxalmente, sinto um orgulho imenso por ter-me feito esse favor. Antes agora do que depois. E recomendo: experimente romper você também. Rompa com a má vontade, com o desrespeito e com o desamor. Rompa com a solidão a dois, com o chefe intransigente e com o amigo da onça. Rompa com o cartão de crédito, com a balança e com a tecnologia. Rompa com as más notícias, com a fofoca e com suas deduções.
Rompa, porque como diz uma frase que li outro dia, e que resume tudo isso o que eu precisei de tantas frases pra dizer: “Não existe prova maior de insanidade do que fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”.

Fonte: Crônica do Dia

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

UM DEDO DE PROSA

HEURECA! SETEMBRO CHEGOU!...

Setembro chegou... Em breve, dar-se-á início à primavera, estação responsável pelo reflorescimento da flora e da fauna terrestres. E porque não dizer, também, responsável pelo reflorescimento das nossas esperanças?... Isso mesmo!... “reflorescimento das nossas esperanças”, as quais, ultimamente, andam tão cinzas quanto o Céu que, sob o efeito das queimadas e da falta de chuvas, não nos permite vislumbrar a beleza anil que há milhões de anos ostenta.
Tal reflorescimento traria às nossas esperanças o tradicional verde-vida, há muitos anos ausente tendo em vista à caótica e desesperançosa situação sócio-política que hostiliza nosso país e, consequemente, seu povo. E a falta de escrúpulos dos nossos políticos é a principal causa do desbotamento dessa ESPERANÇA que nos move e nos mantém vivos.
Setembro chegou para reacender nossas esperanças. Esperança de um país melhor e livre de todas as mazelas políticas e sociais (promiscuidades e falcatruas políticas, miséria, violência, inveja, soberba...). Esperança de uma vida mais tranquila, mais saudável, mais alegre, mais florida... Esperança nos homens, na amizade, na Justiça, no destino do Planeta, no Amor, na vida...
MEUS VERSOS LÍRICOS

FLORES DE SETEMBRO
(Joésio Menezes)


“Quando entrar setembro”,
Veremos a “primavera”
Trazendo-nos “flores”
De todas “as cores”
Que há na “aquarela”.

E com “todas elas”
Farei “meu jardim”.
Nele, a “flor de lis”
“Será” bem mais feliz
Que o “caçador de mim”.


E no “jardim da babilônia”,
Plantarei “a semente”
Da sonhada “felicidade”
Em que a “flor da idade”
Brotará, “sutilmente”.

E já que “as rosas não falam”,
Pedirão a “flor de tangerina”
Aos filhos do planeta “Terra”,
Que “não mais” querem guerra,
O fim da “rosa de Hiroshima”.


NÓS E A POESIA
(Joésio Menezes)

Sem ti eu não irei morrer,
Mas a minha poesia sim.
E isso será o meu fim,
Pois sem ela não sei viver...

Meus versos não podem fenecer
Tão drasticamente assim,
Pois enquanto és tudo para mim,
São eles a essência do meu ser.

Por isso, te peço de coração:
Ouçamos a voz da razão
E amemo-nos um pouco mais.

Somente assim minha poesia
Viverá em eterna sintonia
Conosco e com outros casais.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

SETE DE SETEMBRO
(Casimiro de Abreu)

Foi um dia de glória! - O povo altivo
Trocou sorrindo as vozes de cativo
Pelo cantar das festas!
O leão indomável do deserto
Bramiu soberbo, dos grilhões liberto,
No meio das florestas!

Lá no Ipiranga do Brasil o Marte
Enrolado nas dobras do estandarte
Erguia o augusto porte;
Cercada a fronte dos lauréis da glória
Soltou tremendo brado da vitória:
- Independência ou morte!

O santo amor dos corações ardentes
Achou eco no peito dos valentes
No campo e na cidade;
E nos salões - do pescador nos lares,
Livres soaram hinos populares
À voz da liberdade!


AO DIA SETE DE SETEMBRO
(Castro Alves)

Mancebos, que sois a esperança
Do majestoso Brasil;
Mancebos, que inda tão tenros
Sabeis de louro gentil
Adornar o pátrio dia,
Nosso dia senhoril!

Eis que assomou sobre os montes
Além, sobre a antiga serra,
Entre mil nuvens de rosa,
O dia de nossa terra;
Aquele que para a Pátria
Milhões de glórias encerra.

Foi hoje que o Lusitano,
Que o filho de além do mar,
Despertou com forte brado
A Pátria que era a sonhar,
Que nem sequer escutava
A liberdade a expirar.

E o brado: — "Livres ou mortos"
Lá nos bosques retumbou;
E mais contente o Ipiranga
As suas águas rolou;
E o eco d'alta montanha
Todo o Brasil ecoou.

E as montanhas lá do Sul,
E as montanhas lá do Norte,
Repetiram em seus cumes:
Sempre ser livres ou morte...
E lá na luta renhida
Cada qual luta mais forte.

Sim, nos combates que, ousados,
Travaram cem contra mil,
O mancebo que nascera
Sob este azul céu de anil,
Forte como um Bonaparte,
Batia o forte fuzil.

E cada qual no combate
Ao ribombar do canhão
Queria à custa da vida
Dar à Pátria salvação,
Vingar a terra natal
D'aviltante servidão.

Eia, pois, flores da Pátria,
Esp'rançosa mocidade!
Que os Andradas e os Machados
Do alto da Eternidade
Contentes vos abençoam
No dia da Liberdade.
CRÔNICA DA SEMANA

SETEMBRO CHEGOU
(Isabel C. S. Vargas)

Com ele o sol, a brisa suave, as flores desabrochando e novas expectativas. E a certeza de que tudo é transitório e se renova. É só saber esperar que o frio e a chuva passem, ou então aceitar que tudo é vida e que podem nos trazer coisas boas. Não me refiro às coisas grandiosas, mas nas pequenas satisfações diárias e que podem passar sem serem notadas, mas que podem se constituir em luxo para os menos favorecidos como uma cama quentinha no inverno, um café recém passado e fumegante com um cheirinho convidativo, um pão saído do forno, o calor de uma lareira, um chá ou um bolo de chocolate feito com carinho para ou por pessoas que amamos.
A chuva pode ser ruim, como tudo que for em exagero, mas na medida certa é indispensável para fazer brotar a vida.
Adoro o sol. Creio que não saberia viver sem ele. São muitos os idosos que não resistem aos meses de inverno, cujos dias cinzentos levam à depressão.
Pois na primavera o sol parece ser na medida certa. Nem escasso nem escaldante como no verão. Suficientemente quente e iluminado possibilitando que seus raios destaquem as diferentes nuances do colorido das flores. Seus raios se refletem no brilho do olhar das pessoas tornando o sorriso e a vida mais iluminada.
Setembro tem sabor de recomeço, de coisa nova, de despertar e, sobretudo de esperança e alegria. Não só para as pessoas. Também para a natureza que se enfeita e comemora todo o espetáculo da vida.
Outro dia percebi as andorinhas no céu.
Neste momento, de entardecer suave com os raios do sol a iluminar as águas que correm mansamente no açude, ouço o cantar dos pássaros nas árvores próximas com meu companheiro fiel que de longe deve assemelhar-se a uma gola de pele branca rodeando meu pescoço, atento aos mínimos movimentos ao redor. A uma distância maior vejo alguém a cavalgar. Isto aumenta minha vontade de fazer o mesmo.
Lembro uma série de prazeres que desejo me proporcionar. São metas estabelecidas que por ter escolhido outras prioridades ainda não pude atingir. O importante é não se sobrecarregar. Saber fazer cada coisa a seu tempo.
Neste momento estou refazendo rotas, redefinindo objetivos para fazer tudo que me propus, com correção e alegria.
Não é necessário pressa. Para tudo há o momento certo. Há o tempo de plantar, o de podar, arrancar os galhos secos, coisas mortas para concentrar as energias, ter mais espaço força e vigor e assim fazer boa colheita.
É um momento de observação, reflexão e tranqüilidade que me faz mais uma vez ter a exata sensação de que tenho muito a agradecer.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

UM DEDO DE PROSA

“É PROIBIDO PROIBIR!”... (SERÁ?)

Há anos dizem que o Brasil é um país democrático; que o povo participa ativamente das decisões mais importantes do nosso país; que temos ”liberdade de expressão”, que a censura não mais existe... Porém, não consigo entender que democracia é essa em que somos OBRIGADOS a votar e, no caso dos homens, a servir às Forças Armadas. Se isso não fizermos, teremos nossos CPFs e Títulos de Eleitor bloqueados e, consequentemente, seremos impedidos de assumir qualquer cargo público além de pagar multas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o VOTO e o SERVIÇO MILITAR são VOLUNTÁRIOS, no entanto, nunca faltam eleitores tampouco soldados.
E a censura?... Ah!... a censura!... Essa é uma história à parte e que tem tudo a ver com a nossa “democracia”!
Há poucos meses das eleições, as “Voss’excelências”, os deputados, fizeram valer a Lei 9.504 (aprovada em 1997), lei eleitoral que proíbe sátiras a políticos e/ou a partidos políticos, principalmente durante o período de campanha eleitoral. E a tal “liberdade de expressão”, como fica?... À mercê do “bom-senso” daqueles que se sentem ameaçados por ela, é claro!
Se não abrirmos os olhos, em breve teremos de volta o “toque de recolher”!...
MEUS VERSOS LÍRICOS

A UM PALMO DO TEU UMBIGO
(Joésio Menezes)


A um palmo do teu umbigo
Um fogo arde lascivamente.
Fogo que não nasceu contigo
Nem ali surgiu de repente.

E diante dele não consigo
Resistir aos anseios frementes
E ao tesão que vive comigo
Provocando-me desejos latentes


Que degeneram o meu recato
Instigando-me, de imediato,
A gana de copular contigo...

E sem receio posso te dizer:
Encontrei a fórmula do prazer
A um palmo do teu umbigo.


VÉU DOS ROMÂNTICOS
(Joésio Menezes)

Sob o “farol” da solitária Lua
Permitirei que minha “alma nua”
Encontre o “ponto de luz”

Deixado por “aquela estrela”
Que, de forma “passional”,
Fez de mim um “iluminado”.

Por isso, correrei “contra o tempo”
Para o “meu jardim” construir
“Onde Deus possa me ouvir”...

Lá, “eu e ela” nos amaremos
E, loucamente, “a voz” soltaremos
Envoltos no véu dos “românticos”.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ
(Vinícius de Moraes)

Eu sei e você sabe,
Já que a vida quis assim,
Que nada nesse mundo
Levará você de mim.
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe,
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste,
Por isso, meu amor,
Não tenho medo de sofrer
Pois todos os caminhos
Me encaminham a você.

Assim como o oceano
Só é belo com luar,
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar,
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover,
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer,
Assim como viver
Sem ter amor não é viver,
Não há você sem mim
E eu não existo sem você.


**TUDO É O OLHAR
(Clarice Lispector)

Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

**Agora, releia o texto de baixo para cima
CRÔNICA DA SEMANA

O DIA DO IRRACIONAL
(Martha Medeiros)

Comemora-se nesta semana o dia daqueles que caminham a meio palmo do chão.
Dia dos que acreditam que as estrelas cadentes realizam sonhos, dia dos que discutem por bobagem só pelo prazer da reconciliação, dia daqueles que dominam o tempo com precisão matemática: estamos juntos há cinco meses, duas semanas, dois dias, 13 horas, 24 minutos e 17 segundos...18...19... 20...
Dia daqueles que pensam e falam com as mãos, com a língua, com o nariz, com o corpo inteiro. Que utilizam todas as potencialidades do seu corpo, que empregam o coração como tradutor-intérprete e se armam até os dentes em defesa do seu sentimento. Dia de quem não saberia definir a palavra cérebro. Cérebro é uma fruta que dá muito no Piauí. Cérebro é o nome de um dos irmãos de Caim. Sei lá o que é cérebro, pô.
Dia de quem procura no dicionário alguma palavra que seja mais significativa que amor, dia de quem não se importa de ficar sem luz desde que não fique sem telefone, dia de quem caminha pela calçada ajustando o passo, feito soldados, só que agarradinhos.
Dia de quem não come alho porque o Julio repara, de quem não usa verde-água porque a Soninha acha brega, não corta o cabelo porque o Flávio me mata, não espalita os dentes porque a Carla fica uma arara.
Dia de quem, tomando café-da-manhã, acha que não vai agüentar esperar até às 8 da noite, hora de ir pro cinema. Dia de quem, estando numa quinta-feira,
acha que falta um século para o sábado chegar. Dia de quem, estando em junho, acha que setembro levará três eternidades pra despontar no horizonte, quando então seu amor voltará da viagem de intercâmbio.
Dia de quem despreza todas as palavras que foram inventadas, a não ser três: eu te amo. Dia de quem se acha mais bonita do que a Carolina Ferraz, mais rico do que Abílio Diniz, mais campeão do que o Guga. Dia de quem é vegetariano, mas encara um fondue de carne, dia de quem não é sociável mas engrena um bate-papo animado com a sogra, dia de quem jurou que jamais iria acampar, e lá vão eles dormir sob as estrelas.
Dia dos irracionais, dos que são movidos pelo instinto, dos que não se apavoram com nada, só com a ausência de e-mails e dos toques do telefone. Dia dessa gente feliz que namora.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

UM DEDO DE PROSA

PROGRAMA ELEITORAL GRATUITO

Se a programação da televisão brasileira já HÁ MUITO TEMPO não agrada aos telespectadores, imaginem agora com o Horário Eleitoral Gratuito. E o pior de tudo é que eles (os políticos) farão suas aparições na telinha da TV duas vezes por dia; em alguns casos, até o segundo turno. ARGH!!!
Cansados das “conversas para boi dormir” dos nossos políticos, os brasileiros (em sua maioria) não mais suportam olhar para as suas caras, tampouco estão dispostos a ouvi-los, pois eles nem se dão o trabalho de inventarem novas mentiras. Isso sem contar que a maioria desses que aí estão se apresentando como SALVADORES DA PÁTRIA estão mais sujos que “poleiro de pato”, o que os impediria de passarem pelo crivo do FICHA LIMPA (caso seja levado a sério)!
Aqui em Brasília, por exemplo, são incontáveis os nomes dos que se envolveram ou estão envolvidos em casos de corrupção e/ou desvios de verbas públicas, e mesmo assim estão na disputa por uma vaga nas Câmaras, no Senado e no Palácio do Buriti. Há, inclusive, um candidato ao Governo do DF que responde a vários processos (por corrupção, grilagem de terras, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha) e diz não ter conhecimento de processo algum contra ele. E haja cinismo!!!
Bem, voltando à inculta e improdutiva programação televisiva (em especial ao Programa Eleitoral Gratuito), restam-nos algumas opções: assisti-la, adquirir TV por assinatura (ou melhor dizendo, a cabo), alugar alguns DVDs ou simplesmente desligar a TV.
MEUS VERSOS LÍRICOS



O DECOTE DA FEITICEIRA
(Joésio Menezes)


Ela chegou-me sorrateira.
No rosto, um riso encantador
Escondia seu decote provocador.
Era manhã de quarta-feira...

Meus olhos, logo de primeira,
Evitaram-no, mas seu pudor
Não resistiu a tanto vigor
Que esbanjava aquela “feiticeira”.

E o poeta - pobre coitado! –,
Eternamente apaixonado,
Assistia a tudo de camarote.

Desde então, a minha mente,
Sempre ativa, pensa somente
No que estava atrás do decote.


MEUS ESCRITOS
(Joésio Menezes)

“Nas Asas da Poesia”
Meus versos surgiram, enfim.
E com “Fragmentos de Mim”
Completaram minha alegria.

Desde então, os meus dias,
Antes sem graça e ruins,
Ganharam um brilho sem fim,
Como há muito eu não via.

E pouco a pouco meus escritos
Chegam aos corações aflitos
E aos apaixonados, também,

Fazendo deles sua morada.
E mesmo que não digam nada,
Conseguem encantar alguém.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

CONTEMPLO O LAGO MUDO
(Fernando Pessoa)

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.


Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?


COM LICENÇA POÉTICA
(Adélia Prado)

Quando nasci, um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
“vai carregar bandeira”.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
CRÔNICA DA SEMANA

MAIS UM FIM
(por Dora)

Não gosto de perceber quando as coisas terminam. Ok. Alguns me diriam que as coisas não “terminam”, mas “mudam”. Às vezes, não gosto de perceber a forma com que as coisas mudam. Fico chateada. Não admito, mas fico. É bem chato detectar desprezo no tom de voz de alguém (que um dia já foi) próximo. Ou desprezo num modo de dizer algo. Também é chato perceber um sorriso de canto de boca quando percebem que você falhou de um modo ou outro. Essas são coisas indisfarçáveis. Na real, até podem ser disfarçáveis, mas esse não é um talento meu… Isso é pra quem pode: atrizes, atores, gente que vive outras vidas... Não tenho essa ‘competência’. Felizmente algumas pessoas ao meu redor também não. Não é à toa que eu percebo…
Tudo começa a ficar ainda mais chato quando as pessoas já ESPERAM pelos seus erros. Os antecipam, de uma certa forma. Querem ver você falhando, errando ou se dando mal. Dizem, ou melhor (pior!) ainda: insinuam, que as coisas não estão tão bem assim com você e que você “poderia ser melhor” e que “antes você não era assim”. “Viu só?”, “Olha aí!…”, “Não disse?”. Já estive do lado de lá e agora estou do lado de cá. Essas coisas acontecem e não adianta lutar para que elas continuem as mesmas. Resistir a essas mudanças é inútil. As pessoas enchem o saco uma das outras e chega uma hora que alguma das partes satura-se, que as engrenagens não giram mais e várias coisas emperram umas às outras e assim sucessivamente…
E eu só quero sobreviver até o final do ano… Só isso!...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

UM DEDO DE PROSA

O VIL METAL

O homem moderno, bem mais que os seus antecedentes, deixa-se levar pela ambição e pelo apego ao dinheiro, associando o seu uso unicamente aos desmandos e aos prazeres da carne. Porém, não sabe ele que o mal maior é possuir o vil metal e não a falta dele.
Há séculos, Sêneca (filósofo romano nascido no ano 4 a.C ) escreveu que “a riqueza é a principal fonte de misérias dos homens”, principalmente daqueles que se deixam levar pelo deslumbramento, permitindo que essa mesma riqueza seja a dona e mandatária do seu caráter.
A ambição dos homens é tão grande e cega, que eles nem percebem o mal que estão fazendo à humanidade por causa da gana de juntar fortuna, a qual não será levada para o túmulo quando da sua morte. Pelo contrário, ela aqui ficará para causra mais discórdia, agora entre os herdeiros do falecido.
Por causa do dinheiro, o homem passa por cima dos seus princípios éticos e morais. E se necessário for, ele será capaz de vender, inclusive, a própria alma ao diabo a fim de ver sua conta bancária cada vez com mais cifrões.
É por causa dele (o dinheiro) que o mundo está como está: a um passo de um colapso diplomático, econômico e humanitário. É ele, também, o principal responsável pelo crescimento da miséria, pelas infindas diferenças sociais mundo afora e, principalmente, pela deflagração das guerras, pois é o homem que as financia visando engordar inda mais os seus cofres.
O dinheiro é necessário sim!... Mas quando em nossas vidas ele aparece em primeiro plano, o bom senso da humanidade desaparece e as coisas começam a descambar para a usura e, consequentemente, para a falta de respeito entre os homens.
MEUS VERSOS LÍRICOS

NO SÍTIO ALEGRIA
(Joésio Menezes)

O galo canta,
Amanhece o dia,
O Sol desperta
O sítio Alegria.

O café cheira
E dona Maria
Ferve o leite
E o bolo fatia.

O cachorro late,
O gato mia,
A galinha cisca,
O pintinho pia.

E pela lavoura
O vento rodopia
Enquanto peões
Lidam com alegria.

No fogão a lenha
A panela chia
Cozinhando feijão,
É quase meio-dia.

Seu Manoel
Bem alto assobia
Chamando o povo:
“Já é meio-dia!”

Barriga cheia,
A lida reinicia
E o Sol escaldante
Os peões judia.

Aproxima-se a noite,
A tarde esfria,
A vaca muge
Chamando a cria.

A lua aparece,
Foi-se embora o dia...
Lamparina acesa
A noite alumia.

Os grilos cricrilam
Sem harmonia,
O sereno cai
Na madrugada fria.

O galo canta
Sua melodia,
O Sol aparece,
Amanhece o dia.

E tudo se repete
No sítio Alegria:
O café cheira...
Que monotonia!
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

SONETO
(Alphonsus de Guimaraens

Encontrei-te. Era o mês... Que importa o mês? Agosto,
Setembro, outubro, maio, abril, janeiro ou março,
Brilhasse o luar que importa? ou fosse o sol já posto,
No teu olhar todo o meu sonho andava esparso.

Que saudades de amor na aurora do teu rosto!
Que horizonte de fé, no olhar tranquilo e garço!
Nunca mais me lembrei se era no mês de agosto,
Setembro, outubro, abril, maio, janeiro, ou março.

Encontrei-te. Depois... depois tudo se some
Desfaz-se o teu olhar em nuvens de ouro e poeira.
Era o dia... Que importa o dia, um simples nome?

Ou sábado sem luz, domingo sem conforto,
Segunda, terça ou quarta, ou quinta ou sexta-feira,
Brilhasse o sol que importa? ou fosse o luar já morto?


MEU GRITO
Carlos Alberto

As noites são inumeráveis.
As estrelas se perdem no infinito
Anos-luz intermináveis
Percorre o meu grito...

Numa trajetória difusa
Explode em luz, na escuridão
Percorre a imensidão confusa
Calando-me na solidão.

Ah! pudesse meu grito
Alcançar os teus ouvidos
Repousaria em tempo finito
Na pureza dos teus sentidos.
CRÔNICA DA SEMANA

O NASCIMENTO DA CRÔNICA
(Machado de Assis)

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do Sol e da Lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e La glace est rompue; está começada a crônica.
Mas, leitor amigo, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abraão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve calor e crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer casimiras; a segunda é que, ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem.
Quando a fatal curiosidade de Eva fez-lhes perder o paraíso, cessou, com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, os tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.
Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coletânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica.
Que eu, sabedor ou conjeturador de tão alta prosápia, queira repetir o meio de que lançaram mãos as duas avós do cronista, é realmente cometer uma trivialidade; e contudo, leitor, seria difícil falar desta quinzena sem dar à canícula o lugar de honra que lhe compete. Seria; mas eu dispensarei esse meio quase tão velho como o mundo, para somente dizer que a verdade mais incontestável que achei debaixo do sol é que ninguém se deve queixar, porque cada pessoa é sempre mais feliz do que outra.
Não afirmo sem prova.
Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os diabos e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: que calor! Que sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido!
Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas: estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, c dar às nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos, lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as horas quentes do dia?