domingo, 20 de novembro de 2011

CRÔNICA DA SEMANA

CONSCIÊNCIA NEGRA
(Raimunda Nilma de Melo Bentes)

Ter consciência negra significa compreender que somos diferentes, pois temos mais melanina na pele, cabelo pixaim, lábios carnudos e nariz achatado, mas que essas diferenças não significam inferioridade.
Ter consciência negra significa que ser negro não significa defeito, significa apenas pertencer a uma raça que não é pior e nem melhor que outra, e sim, igual.
Ter consciência negra significa compreender que somos discriminados duas vezes: uma, porque somos negros, outra, porque somos pobres, e, quando mulheres, ainda mais uma vez, por sermos mulheres negras, sujeitas a todas as humilhações da sociedade.
Ter consciência negra significa compreender que não se trata de passar da posição de explorados a exploradores, e sim lutar junto com os demais oprimidos para fundar uma sociedade sem explorados nem exploradores. Uma sociedade onde todos tenhamos, na prática, iguais direitos e iguais deveres.
Ter consciência negra significa, sobretudo, sentir a emoção indescritível que vem do choque, em nosso peito, da tristeza de tanto sofrer com o desejo férreo de alcançar a igualdade, para que se faça justiça ao nosso Povo, à nossa Raça.
Ter consciência negra significa compreender que para ter consciência negra não basta ser negro e até se achar bonito, mas sim que, além disso, sinta necessidade de lutar contra as discriminações raciais, sociais e sexuais, onde quer que se manifestem.

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