terça-feira, 8 de dezembro de 2009

UM DEDO DE PROSA


2009: O ANO DA MINHA REDENÇÃO

Fazendo uma análise da minha vida de “escritor”, 2009 foi o ano.
Em agosto próximo passado (mês do aniversário de Planaltina) recebi uma belíssima homenagem no desfile da cidade. Em setembro fui agraciado com a primeira colocação no “Concurso Literário 200 anos de Louis Braille”.
E as boas novas não pararam por aí não!...
Em julho inscrevi três textos no “Concurso Literário Internacional Cidade de Conselheiro Lafayete”, em Minas Gerais, promovido pela Academia de Ciências e Letras daquela cidade (ACLCF). E eis que agora me chega a boa notícia: dois dos três textos inscritos ficaram em 3º lugar, nas categorias CONTOS e POESIA.
Para muitos, o terceiro lugar talvez não tenha importância alguma, porém para mim significa muito, principalmente em se tratando de um concurso internacional, pois é a prova de que estou no caminho certo; de que meus textos, apesar de não agradarem a “gregos e troianos”, estão sendo reconhecidos, e não somente por parentes e amigos, mas também pelo público fora do meu convívio diário.
Tudo isso que me reservou o ano de 2009 é um estímulo a mais para eu continuar escrevendo e, se possível, publicando meus textos, ainda que sejam eles rejeitados por alguns “exigentes” leitores, os quais quase me levaram a desistir do ofício. Mas como os MENEZES tobienses são persistentes (para não dizer TEIMOSOS), não desisti e aqui estou eu “sorrindo para as paredes” com o bom êxito dos meus escritos.
MEUS VERSOS LÍRICOS


E POR FALAR EM FLORES...
(Joésio Menezes)

“Prá não dizer que não falei das flores”,
Hoje meus versos serão para ti:
És um encanto, cheia de pudores,
Dos jardins a mais bela que já vi.

És dotada de invejáveis primores,
Perfeita assim eu jamais conheci...
Teu sorriso e teu olhar sedutores
Excitam o pequeno colibri.

Inebriam o modesto poeta
Teu jeito, tua maneira discreta,
Teu perfume, teu corpo imaculado.

“Prá não dizer que não falei das flores”,
Deixo a ti os meus versos reveladores
Que me revelam um poeta apaixonado.


CORPO, ALMA E MENTE
(Joésio Menezes)

Eis que assim tão de repente,
Corpo, alma e mente,
Tudo em mim se agita...
Sempre que estou ao teu lado
Meu corpo fica excitado
E, sem medo, de êxtase levita.

Minh’alma, por mais que tente,
Não consegue fugir facilmente
Do teu cheiro, que a deixa inebriada.
Por isso vagueia pelo mundo
Feito um espirito moribundo,
Parecendo um’alma penada.

Minha mente – ó pobre mente! –
Não pensa noutra coisa, somente
No conjunto que sempre a excita:
Teu olhar fulminante e sedutor,
Teu corpo a espera de amor
E o teu cheiro refrescante de cecita.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


ORAÇÃO DA PROPINA
(Jomar Álace Santana)

Valei-me Nossa Senhora
Do Reino da Pedra Fina,
Tanta meia recheada
Com o níquel da fedentina!
No pisotear da grana,
Reza em coro a ratazana
A Oração da Propina.

São Leonardo Imprudente,
Orai até não ter jeito,
Entupa a roupa de notas,
Os pés esquerdo e direito,
E, se não couber na meia,
Peça a Santa Eurides Feia
Pra socar no meio dos peitos.

São Benedito Domingos,
Vá chamar Santo Odilon,
Que São Brunelli já foi
Se fartar do que é bom,
Diga a Santa Eurides Brito
Que movimente o cambito
E me empreste o califon.

Me proteja, São Durval,
De tudo quanto é torpeza,
Filme o pântano distrital
(Peixe grande e miudeza),
Tore o podre na raiz:
Desde os tempos de Roriz
Que é grande a safadeza.

Santo Benício Tavares,
Que não pode nem andar
Mas tem duas mãos muito ágeis
Para o dinheiro pegar,
Num barco agarrou sem dó
Uma índia caiapó,
Deus me livre de ir lá!

Orai, santos distritais,
rogai pelos penitentes:
São Roriz e São Arruda,
São PO e São Valente,
Tenham piedade do povo.
Viva São Pedro do Ovo,
Que bota o ovo na gente!

Que o Santo Rogério Ulisses,
Lá de São Sebastião,
Fale com São Maciel
Pra me emprestar R$ 1 milhão
Que veio de Santa Cristina,
Uma santa muita fina,
Protetora de ladrão.

E se eu fosse São Arruda
Não largaria a questão:
Não foi ele quem inventou
Esse tal de mensalão.
Faz tempo que as empresas
Vivem nessa safadeza,
Mantendo a corrupção.

Mensalão já teve em Minas
E no plano federal,
No Rio Grande do Sul
E até no Pantanal.
Mais rasteiro que o chão,
Só faltava o mensalão
Do Governo Distrital.

Santo Omézio, São Lamoglia
E Santo Roberto Giffoni,
Que os anjos toquem trombetas
Em mais de mil microfones
E mandem neste Natal
Pra cada lar distrital
Uma festa de panetones!
CRÔNICA DA SEMANA


MULHERES
(Luís Fernando Veríssimo)

Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!
E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?
E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...
Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?
Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...
É choro feminino. É choro de mulher...
Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos...
Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.
EN-FEI-TI-ÇAM !
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UM DEDO DE PROSA

A CAIXA DE PANDORA E OS PANETONES DE ARRUDA

Na mitologia grega, a caixa de Pandora é ainda um mistério que poucos gostariam de desvendar tendo em vista que, segundo a lenda, todas as maldades da humanidade lá estariam guardadas, esperando o momento oportuno de serem distribuídas entre os homens que durante a vida toda clamam por elas.
Recentemente, foi noticiada pela imprensa brasileira que a Polícia Federal, ousadamente, abriu-a em Brasília, e para a “surpresa” de todos nós, foram encontradas no seu interior algumas mazelas deixadas pelos vitalícios “poderosos” da previsível política verde-amarela da América do Sul. Mazelas estas já conhecidas e vivenciadas por nós, “inocentes eleitores” brasileiros, “noutros carnavais” fora de época; mazelas copiadas e maculadas pela má índole dos que lá se perpetuaram e dos recém-chegados a ela (a política verde-amarela). E a “bola da vez” é o alto escalão do GDF que, comandado pelo ilustre governador “Comigo Ninguém Pode”, resolveu distribuir dinheiro aos que fazem parte do “esquema de distribuição de panetones” aos mais necessitados.
Pobres homens!... Tão bem-intencionados, mas tão mal-interpretados!...
É época de Natal, gente!... Período de nos solidarizarmos com os nossos irmãos mais desafortunados!... E foi justamente o que eles, o Governador e seus solidários comparsas, fizeram: pegaram parte da verba que deveria ser utilizada na Saúde, na Segurança e na Educação (coisas sem muita importância para o povão!) e foram, cada um, fazer encomendas à sua distribuidora preferida de panetones. Não porque eles sejam adeptos da “política do panetone e circo”, mas porque são homens de bom coração!... Homens preocupados com o bem-estar da sua gente, literalmente falando!
O fato de alguns transportarem altos valores nas meias ou nas cuecas é justificável: eles pensaram na hipótese de algum cidadão ficar sem receber o panetone caso fossem assaltados, uma vez que a viol~encia anda correndo solta Brasil afora!... Daí a ideia das meias e das cuecas...

Espero que ao menos eles tenham se lembrado de as lavarem!...
Voltando à caixa de Pandora, até agora não entendi a analogia, pois lá não se guardava panetones, mas sim maldades!...
MEUS VERSOS LÍRICOS



VERSOS ALADOS
(Joésio Menezes)


Aos meus versos dou asas
para que, livremente, possam voar
em busca do encantamento
que provocam os olhos teus...


Aos meus poemas, a liberdade
de encontrar-se com o teu sorriso
que, livre de qualquer pudor,
revela em ti a pureza
de um anjo ilibado.

A mim, reservo tão somente o dever
de admirar-te constantemente
sem maiores pretensões –
mesmo contrariando meu coração –
e o direito de elevar-te
a deusa imaculada da beleza,
rainha suprema da perfeição,
musa eterna dos meus versos
que voam livremente
em busca do encantamento
que provocam os olhos teus...


ENCANTADO
(Joésio Menezes)

Se um dia eu pudesse tocar-te,
isso eu não faria,
pois a fusão do simples desejo
de estar próximo a ti
com o deleite de sentir tua pele,
de aspirar teu perfume,
poderia desfazer os encantos
da minha fantasia.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA














(Casimiro de Abreu)

Eu me lembro! eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
"Que pode haver maior que o oceano,
"Ou que seja mais forte do que o vento?!"

Minha mãe a sorrir olhou p'r'os céus
E respondeu: - Um Ser que nós não vemos
"É maior do que o mar que nós tememos,
"Mais forte que o tufão! Meu filho, é - Deus


ENTRE FLORES E SORRISOS
(desconheço o autor)

De ti, meu grande amigo,
Eu nunca esquecerei.
De amiga tu me chamas,
De amor te chamarei.

A ti, meu grande amigo,
Dou uma rosa com ardor.
Espero que essa rosa
Seja o fruto do nosso amor.

Estarei à tua espera
Entre flores e sorrisos;
Em tempos de primavera
Acharei o paraíso...
CRÔNICA DA SEMANA


A VOZ DO SILÊNCIO
(Raquel Torres)

Perceber as grandes virtudes que a vida nos reserva é privilégio de poucos. É um verdadeiro dom que muitos almejam.
Quando pisamos o chão batido da estrada, temos pela frente um dia de trabalho árduo e uma vida de lutas sem trégua, que dificilmente nos permitirão sentir o aroma das flores encantadas... É dessa forma que a humanidade compõe a sua vida e refaz a sua história.
A cada novo amanhecer, os pássaros começam a cantar, novas vidas nascem, outras adormecem para a eternidade. Quando anoitece, estrelas começam a brilhar, clareando as noites frias e serenas que cobrem de sonhos o homem de trabalho árduo.
Saber decifrar o significado dessas maravilhas que constróem o mundo e que dispersam a humanidade para outras terras mais distantes, é conhecer verdadeiramente a Voz do Silêncio. A voz que renuncia a todas as dores da vida, que faz nascer a paz e determina, principalmente, o encantamento de todas as coisas belas desse imenso paraíso.
Certamente, temos que ter a capacidade de construir o nosso próprio mundo, ver todas as cores que refletem nos canteiros, sentir a paz que o sol transmite quando se põe, resplandecendo no céu a intensa aurora... Assim, serão reflorescidas as flores das virtudes o sol da felicidade em nossos corações.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

UM DEDO DE PROSA

SOBRE A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS

Quanto mais o tempo passa, mais a educação se deteriora.
Anos atrás, íamos à escola em busca do aprender, do saber mais, do tornar-se cidadão consciente e capacitado para a vida, para o mercado de trabalho...
Hoje, as escolas não mais são o lugar indicado para se aprender algo de bom, para se formar cidadãos... Infelizmente, é nas escolas que estão se formando os delinquentes, verdadeiros aspirantes a marginais.
É comum presenciarmos casos de violência no interior das escolas e/ou nos seus arredores. Muitos são os alunos que vão às escolas com o propósito de “botarem terror”, demarcarem terreno, se auto-afirmarem como “donos do pedaço”. E o pior de tudo é que eles conseguem. Muitos deles, inclusive, chegam a cobrar uma espécie de pedágio: quem pagar, semanalmente, uma certa quantia em dinheiro a eles, estará protegido, ou seja, não será surrado, espancado, humilhado...
E a violência nas escolas não se restringe a isso não!...
Inúmeros são os casos de vandalismo no interior das instituições de ensino, casos estes em que alguns alunos depredam a escola por completo, quebrando tudo que veem pela frente, inclusive a cara de quem tentar impedi-los de praticarem a quebradeira. Inúmeros também são os casos de espancamento de professores por alunos; e o mais agravante é que parte desses agressores tem o aval dos pais que, em vez de repreender os filhos, acha que o professor merecia muito mais, como num recente caso ocorrido em Formosa-GO em que um aluno agrediu o professor, este por sua vez denunciou o caso à polícia. O agressor e a vítima foram levados à delegacia. O pai do aluno agressor foi imediatamente convocado. Chegando à delegacia, o pai do aluno partiu para cima do professor e o agrediu também.
Não adianta em nada ficarmos aqui procurando um culpado pelo caos na educação ou pelos constantes atos de violência, principalmente nos interiores das escolas. A solução seria procurarmos descobrir onde está o erro e tentarmos consertá-lo.
Mas como?...
MEUS VERSOS LÍRICOS

OS ENCANTOS DA SEREIA
(Joésio Menezes)

Disseste a mim certa vez,
Na mais perfeita lucidez,
Que tinhas um corpo de sereia.
Dividido em partes iguais,
Ambas encantadoras, sensuais:
Metade mulher, metade “baleia”.

Tua pejorativa insinuação
Tem fundamentos, tem razão,
Se comparada às forças peculiares,
Pois a mulher, mesmo a mais insana,
É o esteio da raça humana,
Enquanto a baleia domina os mares.

Mas aos meus olhos, eu te garanto,
A parte mulher tem muito encanto
E infinita generosidade...
Da outra parte, nada a declarar,
Já que tenho a destacar
Tuas virtudes, tua dignidade.


AS FOLHAS DO TEU CADERNO
(Joésio Menezes)

As folhas do teu caderno
Revelam-me o grande inferno
Em que vive o teu coração;
Revelam-me teus sentimentos,
Tuas angústias, teus sofrimentos
E os segredos da tua paixão.

Nas folhas do teu caderno
Está registrado o amor eterno
Que sentes pelo poeta;
Está registrada a sofreguidão
Que dilacera teu coração,
Deixando-te assim, inquieta.

As pobres folhas do teu caderno
Também vivem o inferno
De partilhar as dores que sentes...
Que seja dita a verdade:
Elas sentem a responsabilidade
De serem tuas confidentes.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


SENHOR, TENDE PIEDADE DE NÓS
(Autor desconhecido)


Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela casa de praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural
Senhor, tende piedade de nós!


Pelo nosso Delúbio e Valdomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis
Senhor, tende piedade de nós!

Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do "nosso guia"
Pela desculpa de que "o presidente não sabia"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar
Senhor, tende piedade de nós!

Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel
Senhor, tende piedade de nós!

Pelas opiniões do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na praia
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam
Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan
Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho
Senhor, tende piedade de nós!

Pela volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais
Senhor, tende piedade de nós!

Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"
Senhor, tende piedade de nós!

Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga
Senhor, tende piedade de nós!

Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança
Senhor, tende piedade de nós!

Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta
Senhor, tende piedade de nós!

Pela eterna desculpa da "herança maldita"
Pelo "chefe" abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita
Senhor, tende piedade de nós!

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha
Senhor, tende piedade de nós!

Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela
Senhor, tende piedade de nós!

Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy
Senhor, tende piedade de nós!

Para que possamos ter muita paciência
Para que o povo perca a inocência
E proteste contra essa indecência
Senhor, dai-nos a paz!
CRÔNICA DA SEMANA


O NINHO DAS PALAVRAS
(Joana Belarmino)

A boca se abre em círculos e as sílabas, envoltas em pequenas bolhas de ar, batem à porta do mundo. A pá lavrando a terra, fina língua primeiro de pedra, até que o homem descobrisse o ferro, desentramasse suas fibras e lhe domasse a dureza.
A pá lavrando a terra, a palavra, lavrando o espírito. Vã tarefa essa de esmiuçar o mundo, à cata do primeiro gesto, da primeira sílaba entreabrindo a boca e batendo na brisa, caminho natural da respiração; a pairar na quilha dos dentes; a encapsular algo do pensado numa rolha de sílabas, esvoaçante rosário de fonemas a encenarem o nunca mais parar de falar dos homens.
Quanto se terá dito por entre as copas das árvores, nos palácios de pedra, às portas das cidades em tempos de peste?
Quanto se terá dito numa pré-filosofia do mundo, olhos postos no céu, plenos de espanto?
Palavras, compósito de saliva, sílabas e ar, trejeito de boca a dizer o tempo, a chuva, o fruto amarelecente, o sexo rijo; A pá lavrando a terra que se fez barro, argila onde surpreendentemente pousaram sílabas, ao modo de letras, palavras novas a dizer um mundo escrito a se enclausurar nos mosteiros, nos navios, nas garrafas soltas ao mar, poemas asfixiados, bramindo inutilmente contra o rugido das ondas. Ondas sucessivas de bocas entreabrindo o discurso da guerra, o discurso da festa entrecortado de riso, a solidão a lamber as palavras do romance, Sopro no Corpo, tecido de palavras redesenhando um mundo vivido, o silêncio a dizer as palavras de dentro e de fora no ninho comum do pensado. Nuvens de palavras na latitude da tela, à espera de um clique que as visualize, que as oculte, que as transporte, zumbido frenético dos autofalantes, conectando ouvidos e olhos na fala do mundo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

UM DEDO DE PROSA


Ano que vem é ano de eleição...
E “apagado” todo aquele “auê” acerca do vestido rosa-choque, o qual rendeu à sua dona o status de Estrela, surge um novo assunto que ainda dará “muito pano pra manga” aos nossos políticos: o APAGÃO.
Os “bons moços” já estão reaproximando-se dos seus eventuais eleitores. Alguns, inclusive, mostrando-se revoltados com a postura governista e solidários com o povo. Como costumam dizer os líderes sindicais e piqueteiros grevistas, “é puro engodo”.
Hoje, cá estão eles estendendo-nos as mãos e solidarizando-se conosco. Amanhã, se esconderão atrás das costumeiras máscaras e sequer se lembrarão do nome do povoado que os elegeu. Nem ao menos conseguirão se lembrar do “para quê foram eleitos”!
O assunto da moda entre os opositores do governo é o tal apagão que deixou mais da metade dos estados brasileiros às escuras. Como eles ainda não têm uma “plataforma de trabalho” para o próximo pleito, buscam no Blackout (eita nome bonito da gota serena!) uma forma de reconquistar a confiança do povão, pensando eles que essa postura oportunista de cobrar do governo explicações acerca do breu que se tornara o país os deixará “bem na fita”.
Durante os últimos 04 anos nada fizeram em prol da população, em favor dos menos favorecidos, em benefício dos que os elegeram; prova disso é o caos em que se encontram a Saúde, a Segrurança e a Educação do nosso país. Então, por que somente agora eles lembraram que o povo existe!
Ano que vem é ano de eleição e de Copa do Mundo, e por trás dos bastidores da política nossos parlamentares (governistas e opositores), cujo apagão moral já dura várias décadas, assinarão projetos e decretos que beneficiarão a eles próprios.
Espero que não ocorra um apagão na mente dos brasileiros verdadeiramente responsáveis pelo crescimento do Brasil: nós, os eleitores.
MEUS VERSOS LÍRICOS


ÚLTIMOS VERSOS
(Joésio Menezes)

Serão estes os últimos versos meus
Oferecidos aos lindos olhos teus?
Não sei!... Isso não posso afirmar,
Pois toda vez que os fito, me encanto
E quando encantado fico, me espanto
Com o doce feitiço do teu olhar.


E toda vez que penso em me dizer
Que não mais sinto vontade de escrever
Versos quaisquer aos olhos teus,
Uma força estranha se apossa de mim
E me diz que não posso pensar assim,
Pois são os teus olhos obras de Deus.

Mas posso afirmar, com certeza,
Que o doce feitiço e a beleza
Que têm esses lindos olhos teus
Muito me ajudaram a perceber
Que antes dos que ainda irei fazer,
Serão estes os últimos versos meus.


FAGULHAS DA PAIXÃO
(Joésio Menezes)

Pelos quatro cantos do mundo
Corri em busca do nada,
E nessa minha caminhada
Encontrei o amor profundo

Que fez de mim um moribundo
De alma vadia e penada.
E foi nessa longa jornada
Que recebi o fecundo

Dom da palavra escrita
Que, numa pequena pepita
Chamada de “meu coração”,

Acendeu a intensa chama
De um fogaréu que inflama
As fagulhas da minha paixão
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


SERENATA
(Cecília Meireles)

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.


A ROSA E O MAR
(Flávio, www.laurapoesias.com)

Linda doçura de gosto refinado
embelezas minha estrada, o meu caminho
com teus leves "insites" amalgamados
de amor, de ternura e de carinho.

Tuas palavras acariciam o meu ego,
teus versos me revelam o lado lindo,
tua sutileza me envolve e me desprego
das amarras da vida e do destino.

Pena não poder todo dia estar contigo
trocando nossos versos e desatinos,
mas saiba que tens aqui um ser amado
Para fazer valer teus sonhos lindos...

Finalmente, penso em você à luz da lua
deitada naquele barco que vem vindo,
naquela praia que sempre foi tua
esperas... o meu amor que vem surgindo!
CRÔNICA DA SEMANA


REMÉDIOS: MINHA NEUROSE
(Tais Luso De Carvalho)

Sou daquelas criaturas com tolerância zero para tomar remédios, é uma tortura. Detesto. A cor e o tamanho do remédio é algo que abala o meu psiquismo; se for cápsulas tipo míssil, aquelas com formato de bomba, de cor alaranjada, azul forte ou vermelho carmim, é um problema. Só ao olhar tenho náuseas. A força que tenho de fazer é inacreditável. Tenho de pensar em algo meio celestial, tomar o comprimido pensando que estou comendo morangos com nata, empurrados com um tipo de líquido que me engane, e depois assumir uma psicose qualquer. Já assumi, mas de nada adiantou. Continuo a mesma azarada.
Dia desses fui à farmácia de manipulação e encomendei uns comprimidinhos de cálcio. No dia seguinte fui buscar. Para minha surpresa, a cápsula era um canhão! Pedi para falar com a farmacêutica e perguntei se não haveria nada menor... Veio com uma explicação que não me interessou; na minha modesta opinião aquilo era comprimido pra cavalo. Paguei, mas não tomei. Dei pra minha diarista que, por sinal achou a glória poder tomar cálcio. Até que fiquei feliz com minha boa ação. Passei por outra farmácia e comprei uns comprimidos que se dissolvem tipo bala. Ótimo; fiquei fã.
Outro problema torturante são as bulas: ah...essas bulas! Não tomo nada sem ler a bula. Os médicos odeiam quem lê bula... Sei, no entanto, que para se eximirem de qualquer problema em relação às reações, efeitos colaterais e óbitos, os laboratórios colocam tudo o que é possível e impossível de acontecer, e naquelas letrinhas minúsculas onde não se lê nada com desenvoltura. E os termos, aqueles hieróglifos indecifráveis? Ora, desde quando um leigo vai entender aquilo? Então, para que bula? Por que colocam tantas reações e os médicos mandam ir adiante? Particularmente tenho vontade de dar meia-volta... Até hoje é um mistério. Mas acho que a melhor explicação já dei acima.
Sou de opinião que não podemos ficar à margem e entregues totalmente na mão de profissionais da saúde sem tentarmos entender o que tomamos, seus efeitos, a interação com outros medicamentos; o mínimo. Dizem, os médicos, que temos de nos ajudar... Mas também temos de entender! Não sou favorável em buscar na Internet e nos Compêndios Médicos uma luz para nossos problemas, mas temos o direito de saber o que está acontecendo.
Há uns anos atrás, eu estava um tanto estressada - pela doença de meu pai - e apareceu em meu rosto uma mancha pequena que coçava. Fui ao dermatologista e me foi indicado um remédio novo no mercado, próprio para aquela dermatite. E tive um choque anafilático. É, aquela coisa meiga que nos deixa roxa, com tremores, febre, dores em todas as articulações, etc e tal. E que o atendimento tem de ser rápido.
Quando fiquei melhor, peguei a bula do remédio: ali dizia que um dos efeitos daquele remédio seria choque anafilático... Foi a primeira vez que não li uma bula. Penso que se tivesse lido, talvez tivesse falado com meu médico sobre essa possibilidade e ele teria dado um remédio tradicional, como me falou depois. Geralmente os médicos dizem que ‘se lermos as bulas não tomamos os remédios...’ E então, fazer o quê?
Sou contra em tomarmos decisões; mas em ler a bula, em apresentar para o médico nossas dúvidas é um direito nosso e uma obrigação de qualquer médico em esclarecer; se não devemos ler bulas, que tirem das caixas. Médico tem Compêndio, não precisa de bula.
Mas parece que está a caminho algo novo quanto às bulas... Tô na espera: quero ler sem ter medo de ser feliz.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

UM DEDO DE PROSA


UM MURO, UM VESTIDO, UMA SOCIEDADE HIPÓCRITA...

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para as comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim, símbolo da guerra fria até os anos 80, aqui no Brasil o assunto do momento é o vestido rosa-choque da menina Geisy Arruda, símbolo da muralha preconceituosa erguida por uma emergente sociedade hipócrita.
Alunos de uma universidade particular, em São Paulo, alegando que a jovem Geisy estaria denegrindo a imagem da Instituição em que estudam, fizeram um manifesto hostil e violento contra a jovem que trajava um vestido curto, deixando à mostra suas grossas coxas. A universidade, por sua vez, disse que iria abrir sindicância para apurar os fatos e punir os responsáveis. Saldo das averiguações: apenas a jovem do ”vestido curto” foi punida. A Instituição, buscando “prestar contas à sociedade”, decidiu por expulsá-la com a justificativa de que ela infringiu o regimento interno quando resolveu frequentar “as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade”, trajes estes que deixavam à mostra “suas partes íntimas”, segundo palavras do assessor jurídico da universidade. Decisão preconceituosa e meramente matemática, uma vez que, do ponto de vista financeiro, expulsar um único aluno é bem mais lucrativo que expulsar 10 ou 20.
Dada a repercussão do caso, inclusive no exterior, o Ministério da Educação, a OAB e a UNE se manifestaram e pediram explicações acerca da decisão precipitada da instituição de ensino, e diante disso a Universidade voltou atrás e revogou a expulsão da jovem, contrariando a vontade dos falsos moralistas que de tudo fizeram a fim de conseguirem ver além das coxas de menina.
Eu, até agora, não consegui compreender o motivo de tanto alarde (principalmente da imprensa), pois é tão comum vermos mulheres com trajes bem menores desfilando por aí, inclusive nas igrejas! E o que mais me espanta é a hipocrisia desses que se dizem guardiões da imagem da Universidade, pois certamente muitos deles frequentam (ou já frequentaram) o sambódromo paulistano (ou lugares afins) em época de carnaval sem se preocuparem se a imagem do seu país (ou a sua própria) está sendo denegrida quando as rainhas das baterias e os destaques dos carros alegóricos desfilam totalmente nuas, com apenas um tapa-sexo.
Mas, toda essa polêmica causada pelo vestido rosa-choque da garota contribuiu apenas para uma coisa: por ser jovem e bonita, brevemente ela será assediada por revistas masculinas cuja intenção é tão somente vender sua imagem desnuda àqueles mesmos rapazes que a hostilizaram; e caberá a ela, somente a ela, aceitar ou não as possíveis propostas.
E ninguém tem nada a ver com isso!...
MEUS VERSOS LÍRICOS


DO CÉU AO INFERNO
(Joésio Menezes)

Já vivi no céu,
Mas o amargo do fel
Na ponta da língua
Tirou-me a paz
E de forma voraz
Deixou-me à míngua.

Largou-me ao léu
Sem os lábios de mel
Daquele anjo-mau
De pele morena,
Boca pequena,
Olhar sensual...

Hoje sinto-me no inferno,
No castigo eterno
De não mais ter a alegria
De escrever para ela,
Minha doce Cinderela,
Uma simples poesia.


BLENDA
(Joésio Menezes)

Os deuses tornam-se mitos;
Os mitos, às vezes, lenda;
Mas a deusa que me apareceu
Naquela noite estupenda
Não é mito,
Não é lenda;
É a essência da beleza
Em forma de mulher,
É o encanto da natureza
Do jeito que a vida quer:
Cheio de desejos sem reprimendas...
Aquela deusa
É mais que mito,
É bem mais que lenda.
É Blenda!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


SONETO DO AMIGO
(Vinícius de Moraes)

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...


A SERENATA
(Adélia Prado)

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
CRÔNICA DA SEMANA


DOIDA OU SANTA?
(Martha Medeiros)

“Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa”.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa... Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso,temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada,dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.'