quarta-feira, 2 de outubro de 2013

UM DEDO DE PROSA

REFLEXÕES INTROSPECTIVAS


Introspectivamente falando, acho que a humanidade está perdida. Porém, espiritualmente refletindo, acredito que os homens ainda têm conserto. Não esses meus contemporâneos - que não mais têm salvação -, mas os homens ainda pueris, em fase de crescimento, em processo de formação de caráter, em preparação para a maturidade enquanto filhos de Deus, enquanto seres verdadeiramente HUMANOS e sociáveis.
Desde que o homem passou a ignorar o real valor de um ato de CARIDADE e o verdadeiro significado da palavra AMOR, deixando de lado os preceitos morais, religiosos e sociais e passando a acreditar tão somente no poder do “deus cifrão”, ele tornou a sua entrada (bem como a dos seus) no paraíso cada vez mais difícil, pois como bem afirmou Jesus Cristo, “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mt 19:22-24).
Entanto, não devemos levar isso “ao pé da letra”, pois nem todos os ricos são totalmente insensíveis e materialistas, assim como nem todos os desprovidos de bens materiais são dotados de humildade e bom coração. Fato é que Deus tem ficado em segundo ou terceiro plano no seio familiar, ou seja, Ele não tem sido o centro das atenções durante as reuniões em família.
A verdade é que pouquíssimos são os pais que ainda ensinam os filhos a fazerem suas orações de agradecimento antes das refeições ou antes de dormirem. Menor ainda é o número de famílias que têm o hábito de falar aos seus filhos sobre o maior e mais humilde de todos os homens: JESUS CRISTO, o unigênito de Deus, e sobre a força milagrosa que o ESPÍRITO SANTO exerce sobre nós. E seguindo nessa mesma linha de raciocínio, é quase ínfima a quantidade de pessoas que realmente conhecem e acreditam na grandeza e no poder da SANTÍSSIMA TRINDADE, Deus único preconizado em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
E é por essas e outras que continuo achando que a humanidade está perdida...

MEUS VERSOS LÍRICOS

FOGO VITAL
(Joésio Menezes)

Neste momento, o que eu muito queria
Era ter asas e poder voar
Na direção do Sol pra te encontrar
Sorrindo para mim à luz do dia.

E te encontrando, eu te beijaria
Com o propósito de atear
Mais fogo nessa “coisa” a nos queimar
As nossas entranhas em demasia.

E quando pelo fogo dominados,
Ficaríamos ali, atracados,
Até a nossa explosão final...

Em êxtase e demonstrando cansaço,
Trocaríamos beijos e abraços
Em busca do nosso fogo vital.


NOSSO FOGO
(Joésio Menezes)

Já que a carne é fraca,
O nervo precisa ser de aço
Para resistir ao calor do fogo
Que arde em nossas entranhas
E incendeia a nossa libido.

Motivadas por esse fogo intenso,
Maiores devem ser as chamas
Do nosso desejo a fim de que ambos
Possamos nos entregar ao furor venéreo
Provocado pelo calor dos nossos corpos.

E quando esse nosso furor
Estiver em repouso pós-orgástico,
Entregaremo-nos às carícias,
Que reacenderão nosso fogo
E nos levarão a um novo ato copular...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

ENCANTOS DE UMA FLOR
(Kora Lopes)

Quanta beleza há na flor
Que encanta o nosso olhar,
Que perfuma o nosso ar
E nos faz lembrar o amor...

Mas o seu belo colorido
Que nos lembra uma aquarela
É frágil como a luz de uma vela
Que logo tem seu brilho perdido...

Mas apesar da fragilidade
Que existe em cada flor,
Ela simboliza o amor,

A paixão, a amizade...
Ela é dádiva do Criador
Aos que tem sensibilidade...


DIVINAL
(Andréa Joy)

É algo da carne?
Não...É espiritual
é magistral
nada convencional

Só sei que me esbaldo
de lembranças que eu guardo
a boca sempre em silêncio
Aos gritos estão meus pensamentos

Eu tive você aqui
Dentro de mim
Nesse momento está perdido
Sente medo do que é seu, do acontecido

No peito, esperança
Em um dia eternizar
Sua imagem em minha aura
No seu peito o meu lugar.
CRÔNICA DA SEMANA

DAR NÃO É FAZER AMOR
(Tati Bernardi)

Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca... Te chama de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar... Sem querer apresentar pra mãe... Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado... Te molha o instinto. Dar porque a vida é estressante e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos. Mas dar é dar demais e ficar vazio. Dar é não ganhar. É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha, amor?".
É não ter companhia garantida para viajar. É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia. Dar é não querer dormir encaixadinho... É não ter alguém para ouvir seus dengos... Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

UM DEDO DE PROSA

ENTRE CORES E OLORES

Finalmente, cá estamos nós curtindo mais uma vez a beleza e o encanto da “Estação das Flores”.
Pois é, a PRIMAVERA voltou... e voltou sob um calor infernal, daqueles de derreter os miolos e amolecer o asfalto. Mas, em alguns dias, esse calor escaldante irá embora (assim espero!) e em seu lugar surgirão as flores, sorrindo para a Natureza e insinuando-se às abelhas, às borboletas e aos colibris, nobres operários da polinização natural e eternos galanteadores dessas que ornam nossas vidas com as suas mais delicadas cores e perfumam nossa alma com os seus mais suaves olores, as FLORES.
            O ano simplesmente começa a ter um pouco mais de beleza depois que ela, a PRIMAVERA, nos dá o ar da sua graça e nos permite viver a magia colorida e perfumosa da sua vida, tão efêmera quanto o tempo que escorre pela pequena passagem de areia da ampulheta: três meses é a sua data de validade... Três meses muito bem aproveitados por aqueles “nobres operários” que dela necessitam para continuarem disseminando VIDA Natureza adentro.

MEUS VERSOS LÍRICOS

FOTOGRAFIAS
(Joésio Menezes)

À espera do meu olhar faminto
E cheio de desejos descarados,
Tuas fotos são como o labirinto
Que nos leva a caminhos complicados.

E tudo que nessa hora eu sinto,
Faz de mim um ser desajuizado
Que age somente pelo instinto
Toda vez que se encontra excitado.

Sei que são apenas fotografias
Inertes nalgumas molduras frias,
Mas elas instigam minha libido.

São fotos simples, cujo conteúdo
Revela-me o teu pudor desnudo
E causa-me desejos atrevidos.


CICLO DA PRIMAVERA
(Joésio Menezes)

Cigarra cantou,
Primavera chegou,
Milagre aconteceu,

Chuva caiu,
Natureza floriu,
Esperança nasceu,

Vida desabrochou,
Borboleta voou,
Amor floresceu,

Coração sentiu,
Inspiração surgiu,
Poeta escreveu...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

UM GRANDE AMOR
(Mário Feijó)

Neste momento
Eu queria ter
A liberdade do vento
A velocidade da luz

Eu queria poder ir e vir
Sem ter que dar explicações
Eu queria poder
Mudar de lugar a qualquer hora

Nada ter
Nada levar
Estar hoje aqui
Amanhã acolá

Eu queria agora
Ter a eterna energia da juventude
Que joguei fora sem um grande amor
Para poder me inebriar como faço agora...


DESEJOS
(Andréa Joy)

Vidas se cruzam
Sonhos se unem

Cheiros se confundem
Beijos se saboreiam

Palavras sussurradas
Prazer nas madrugadas

Desejos incontroláveis
Medos inevitáveis

As solidões se somam
À distância fria de um beijo,
Na memória um lampejo
De estarem juntos uma vez mais...
CRÔNICA DA SEMANA

PRIMAVERA
(Cecília Meireles)

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

UM DEDO DE PROSA

À SOMBRA DA HIPOCRISIA E DO PRECONCEITO

            Hipócrita eu seria se aqui dissesse que não sou preconceituoso. Todos nós somos preconceituosos, ainda que moderadamente!... E pior: nos preocupamos muito com o que os outros pensam sobre nós e, principalmente, com o que comentam a nosso respeito, na nossa ausência.
            Tomemos como exemplo o personagem de Antonio Fagundes na novela “Amor à Vida”, da Rede Globo. Na trama global, o médico e empresário César não aceita que o filho seja gay, pois isso é uma desonra à família. Inclusive, o personagem César alega que manter o filho na direção do Hospital seria motivo de chacota, entanto, ele coloca no lugar do filho um advogado gay, personagem do Marcelo Antony na trama. Infelizmente, a vida imita a ficção (ou será que é a ficção quem imita a vida?).
Tenho alguns amigos homossexuais e os aceito numa boa. Não tenho vergonha nenhuma de tê-los e mantê-los no meu ciclo de amizade. Mas, será que a minha aceitação seria a mesma se um dos meus filhos fosse homossexual?... Acredito que não. E esse tipo de comportamento não é exclusividade minha. Esses rapazes e moças, que resolveram assumir a sua homossexualidade, com certeza enfrentaram inúmeros problemas no seio familiar, e certamente alguns daqueles que se diziam “amigos” deram-lhes as costas ao descobrirem que são gays.
            E assim caminha a humanidade: convivendo com a hipocrisia e fazendo de conta que o preconceito não mais existe em nossa sociedade.
MEUS VERSOS LÍRICOS

NAQUELA RUA
(Joésio Menezes)

Naquela rua do passado
Minha infância eu vivi,
Estripulias cometi,
Experimentei o pecado.

Naquela rua do passado
Felicidade conheci
E de paixão muito sofri
Antes de ser homem formado.

Naquela rua eu brinquei,
Curti a vida, namorei
Sob o olhar da atenta Lua.

E quando o amor encontrei,
Meu coração depositei
Justamente naquela rua.


OPERÁRIOS DAS LETRAS
(Joésio Menezes)

Somos operários das letras
Trabalhando infrenemente
Na construção de um Castelo
Com pilares resistentes
E que tem a estrutura
Alicerçada na literatura
De construtores inclementes.

Somos operários das letras
E, numa batalha desleal,
Lutamos para edificar
Uma Fortaleza cultural
Em solo cuja tradição
É a política e a religião
De conservadorismo sem igual.

Somos operários das letras
E trabalhamos noite e dia
Na esperança de resgatar
Aquela antiga magia
Dos tempos de outrora
Que nos levaram embora
Os encantos da poesia.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

ACROBATA DA DOR
(Cruz e Sousa)

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.


SAUDADE
(Da Costa e Silva)

Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
E o pranto lento deslizando em fio...
Saudade! Amor da minha terra... O rio
Cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho... o caboré com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas da névoa sobre a serra...

Saudade! O Parnaíba — velho monge
As barbas brancas alongando... E, ao longe,

O mugido dos bois da minha terra...