segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

LÁPIDE
(Ariano Suassuna)

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!


O CHUMBO VERMELHO
(Ádyla Maciel)

Verde, yellow e vermelho sangue
São as cores do meu país
Lembram da aquarela de 1964?
Jovens amarrados
nos carros arrastados
Sofrendo escoriações pelo corpo
Nesse ano de hoje: 2014
Aconteceu de novo!
pendurada pela blusa
na viatura da polícia
Cláudia foi morta arrastada,
deixando filhos e lágrimas
Gritos vindos do Ipiranga
margens de sangues e façanhas
Hoje Pinto com vermelho a história dos capitães
Lembranças da morte de José Guimarães ...
Oh Deus dos deuses! Mude o traço de meu pincel.
O que é o inferno? O que é o céu?
Quem nos livrará da cadeira do dragão?
Salve-nos das brasas !
Que eu seja filha de tua luta
Quem nos livrará do pau-de arara?
Que nós sejamos a bussola
E que eles sejam nossos líderes de busca
Sejamos nós mais fortes abrasileirados do brasão de força feliz
Verde, yellow e branco sãos as cores do meu país.

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