segunda-feira, 13 de outubro de 2008

MEUS VERSOS LÍRICOS


A ARTE DE SER PROFESSOR
(Joésio Menezes)

Trago nas mãos um pedaço de giz
E com ele vou traçando metas,
Desenhando signos, riscando retas
E descobrindo o quanto sou feliz.

Vou ensinando que nos vários Brasis
Tivemos guerras violentas e discretas,
Tivemos reis, escravos, poetas
Que fizeram a história do nosso país.

Trago nas minhas calejadas mãos
A responsabilidade de formar cidadãos
E a esperança de um futuro promissor.

E em meio a tantos me vem a certeza:
Surgirá alguém que tenha a nobreza
De continuar a arte de ser Professor.


MENSAGEM AO POETA
(Joésio Menezes)

Em teu Catavento, em teu Devaneios
Encontramos o teu grande mister,
Escrever bem sobre assuntos quaisquer
Sem balelas, sem medo, sem rodeios.

Mas quando o tema se refere a seios,
Minissaia ou decote ou mulher,
Tua caneta escreve o que bem quer
E os teus olhos revelam teus anseios.

Se Cruz e Sousa por aqui passasse
E uma mensagem para ti deixasse,
Ele provavelmente escreveria:

“Nos teus versos tu’alma transparece...
E da tal sorte que o bom Deus parece
Viver feliz co’a tua poesia”.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



EDUCAÇÃO – UM DESTINO MAGISTRAL?
(Xiko Mendes)


Patriota anônima, sonhadora aventureira,
Ela seguia pela cidade ensinando a vida:
Era a pequena notável menina carvoeira!
Fazia do carvão o giz na escola esquecida.

Artesão da palavra! Sobrevivente do sertão!
Com fé abnegada e a sua rotina franciscana,
Suas lições, como sangue jorrando no coração,
Inundavam vasos comunicantes da grei humana.

Cada letra ensinada era um mundo que se abria
E, mostrando ao analfabeto porque ele não sabia,
Revolucionou a sociedade com seu carvão vegetal.

Essa mineradora de sonhos com aura de pioneira,
Que educou seu povo de quem foi líder verdadeira,
Morreu sem troféu semeando a consciência social.


QUERIDO PROFESSOR
(Narcélio Lima)

As palavras que aprendi
Os problemas que resolvi
O tempo não apagou.

Os erros que cometi
Os medos que aqui vivi
Isto se superou.

Hoje mais firme eu sigo
É por isso que vos digo
Com todo meu fervor:

Levarei sempre comigo
Esse seu olhar amigo
Meu querido professor.
RESENHA LITERÁRIA


CONFISSÕES DE UM VIRA-LATA
(Orígenes Lessa)

Jogando com fino senso de humor e uma rica imaginação, Orígenes Lessa leva o leitor, com muita sutileza e ironia, a ver o mundo através dos olhos de um humilde cachorro, anônimo e sem dono.
Uma história tocante, ora divertida, ora séria, que nos faz pensar como tantas coisas que nos parecem banais, muitas vezes não o são.
Você sabia que cachorro pode sentir mais gratidão do que gente?
Ainda que seja apenas um vira-lata sem nome e sem dono, cachorro ganha de quase todos em compreensão e solidariedade. Veja o que aconteceu com este, que, salvo da carrocinha, fez o possível e o impossível a fim de que compreendessem que ele compreendia.

(Fonte: www.lencoispaulista.sp.gov.br)
GRANDES NOMES DA LITERATURA


ORÍGENES LESSA
(Fonte: www.releituras.com)

Orígenes Lessa nasceu em Lençóis Paulista, a 12 de julho de 1903. Colaborou e trabalhou em diversos veículos de comunicação, tendo feito sua estréia nos jornaizinhos escolares, com 12 ou 13 anos. Tentou, sem continuidade, diversos cursos superiores. Ingressou como tradutor no Departamento de Propaganda da General Motors, que teria grande influência na sua vida profissional: tornar-se-ia um dos publicitários de maior renome do País. Tomou parte ativa na Revolução Constitucionalista em 1932. Em 42, fixou-se em Nova York trabalhando no Coordinator of Inter-American Affairs, tendo sido redator da NBC em programas irradiados para o Brasil. Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 43. Escritor, com uma obra bastante extensa, publicou, entre outros: Rua do Sal (Prêmio Carmen Dolores Barbosa — romance); O Escritor proibido (contos); Garçon, Garçonette, Garçonnière (menção honrosa da Academia Brasileira de Letras); O Feijão e o Sonho (romance — Prêmio António de Alcântara Machado, 15 edições com mais de 200.000 exemplares vendidos); 9 Mulheres (contos — Prêmio Fernando Chinaglia); O Evangelho de Lázaro (romance — Prêmio Luíza Cláudia de Souza do Pen Club do Brasil, 1972); e Beco da Fome. Incursionou pela literatura infanto-juvenil com muito sucesso, publicando oito ou dez volumes, um dos quais, Memórias de um Cabo de Vassoura, bateu a vendagem de O Feijão e o Sonho. Seus contos têm sido traduzidos para o inglês, espanhol, romeno, tcheco, alemão, árabe, hebraico, e várias vezes radiofonizados, não só no Brasil, mas também na Polônia.
Faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de julho de 1986. Foi eleito em 9 de julho de 1981 para a Cadeira n. 10 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Osvaldo Orico. Casado com Elsie Lessa, jornalista, é pai do escritor Ivan Lessa.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UM DEDO DE PROSA


OS EFEITOS DO CALOR

É!... parece que o mundo está prestes a derreter (ou seria melhor dizer "nossos miolos"?) de tão quente que está o tempo!...
Desde as primeiras horas da manhã o calor é insuportável. E assim, estende-se por todo o dia e segue noite adentro. O suor escorre-nos por todo o corpo poucos minutos após "sairmos do chuveiro".
A fadiga toma conta de todos, provocando em alguns indisposição e, às vezes, mau-humor. Falta-nos, inclusive, apetite (fica a critério de cada um interpretar que tipo de apetite!...).
Copos e mais copos de água ingerimos, mas a sede persiste.
Nas salas de aula, os alunos têm menos interesse em aprender (não os culpo por isso); os professores, menos vontade de ensinar; todos, mais pressa de irem para casa.
O que será que está acontecendo?... Terá a Terra subido?... Ou será que o Sol desceu?...
Ah!... deu-me, agora, uma vontade de tomar um sorvete!...
MEUS VERSOS LÍRICOS



MULHER DE MEIA IDADE
(Joésio Menezes)



Quando buscares a felicidade,
Procura a quem saiba dar-te.
E sabes quem é mestra nessa arte?
A mulher de meia idade.

Ela te ensinará com dignidade
Como empunhar o teu estandarte,
Que te servirá de baluarte
Em teus momentos de majestade.

Os gozos serão em demasia,
E a felicidade terás, dia após dia,
Sem que te canses de implorar:

“- Ama-me, faze-me feliz,
Esta é a vida que eu sempre quis,
Porém, não sabia onde encontrar”.

(Nas Asas da Poesia, Brasília, 1998, p.40)


INANIMADO
(Joésio Menezes)

O meu grande vício é você,
E sem você não sou nada.
Sinto-me debater
Como um peixe fora d’água.

Sinto-me o mais infeliz dos homens,
Um cão abandonado...
Sinto-me completamente sem rumo,
Um soldado derrotado.

Uma fauna sem vida,
Um pássaro que não sabe voar,
Uma estrela decadente,
Uma noite sem luar.

Uma criança que não sorri,
Um homem atordoado,
Uma árvore sem raiz,
Um ser inanimado...

(Nas Asas da Poesia, Brasília, 1998, p.69)
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


CÍRCULO VICIOSO
(Machado de Assis)

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...


A CIGANINHA
(Miguel de Cervantes)

Quando Preciosa a pandeireta toca,
e fere o doce som os ares vãos,
pérolas são que espalha com suas mãos,
flores são que arremessa de sua boca.

A alma fica suspensa, a mente louca
aos atos sobrehumanos sem ação,
que por limpos, honestos e por sãos
sua fama lá no céu mais alto toca.

Pendentes do menor de seus cabelos
mil almas leva, e ajoelhado tem
Amor, que uma e outra flecha aos pés lhe deita:

cega e ilumina com seus raios belos,
seu trono Amor por eles se mantém,
e mais grandezas de seu ser suspeita.
CRÔNICA DA SEMANA


GESTOS E PALAVRAS
(Joésio Menezes)

Naquele fim de tarde eu passeava pelos desertos corredores da escola à procura de algo que não sei ao certo dizer o que era, porém algo que pudesse inspirar-me alguns versos ou quem sabe uma crônica.
Nada de estranho, de extraordinário, de fantástico ocorria. Nada que pudesse chamar-me a atenção e dispersar-me dos meus pensamentos.
Somente o silêncio se ouvia. Um silêncio assustador, tenebroso, entediante...
Nem sequer uma alma penada além da minha perambulava pelos arredores. Nem sequer os indesejáveis e insuportáveis pernilongos de verão para incomodar-me!... Nem unzinho sequer para desentediar aquele crepúsculo monótono!
Quando meus passos cadenciados levavam-me de volta à sala dos professores, ouvi lá ao longe, no final do corredor, alguns burburinhos seguidos de risos pueris. Dei meia-volta e fui ao encontro daqueles murmúrios.
Sem ser percebido, aproximei-me da sala e avistei o pequeno grupo de alunos que, aproveitando-se da ausência da professora, rompera aquele fúnebre silêncio.
Curioso e sorrateiramente, me dirigi até a janela e me pus a ouvir o que diziam, a observar o que faziam, a interpretar o que acontecia...
Sem notarem que estavam sendo observados, os meninos gastavam seu repertório de vocábulos tipicamente adultos, os quais vinham seguidos de gestos nada inocentes para a idade daqueles jovens “conferencistas”.
Falavam e gesticulavam como se fossem profundos conhecedores do assunto. Gesticulavam e falavam como se, precocemente, estivessem pulado as etapas da natureza humana que ficam entre a pré-adolescência e a fase adulta.
Autorizo-me a dizer somente sobre qual tema eles debatiam: MULHERES; porém reproduzir aqui o que diziam não posso, pois para alguns leitores tornar-se-á imprópria tal reprodução uma vez que as palavras proferidas por aqueles precoces “adultos” eram mais horripilantes que o silêncio que por eles fora quebrado.
RESENHA LITERÁRIA


VIDAS SECAS
(Graciliano Ramos)

O livro retrata a vida de pessoas que vivem no sertão brasileiro e o sacrifício delas para sobreviver. Tendo como tema a luta pela sobrevivência diante do flagelo da estiagem, o autor traz em seus personagens muito da alma nordestina nos traços de Fabiano e sua familia.
Foi publicado em 1938 e aborda a problemática da seca e da opressão social no NordestedoBrasil. Ao contrário dos romances anteriores, é uma narrativa em terceira pessoa, com o discurso indireto livre predominante, com a finalidade de penetrar no mundo introspectivo dos personagens já que esses não têm o dominio da linguagem necessário para estabelecer a comunicação.
O romance tem um caráter fragmentário. São "quadros", episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Como coloca o críticoAffonso Romano de Sant’Anna: "Estamos sem dúvida, diante de uma obra singular onde os personagens não passam de figurantes, onde a história é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedece a um critério aleatório".
Os principais personagens são: Fabiano, Sinhá Vitória, Menino mais Velho, Menino mais Novo, a cachorra (Baleia) e o papagaio, que a família come para aliviar a fome.

(Fonte: Wikipedia)
GRANDES NOMES DA LITERATURA


GRACILIANO RAMOS
(Fonte: www.brasilescola.com)

Graciliano Ramos nasceu em Quebrângulo (AL), em 1892, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1953. Fez os primeiros estudos no interior de Alagoas e tentou o jornalismo no Rio de Janeiro. Regressou a Palmeira dos Índios (AL), cidade da qual foi prefeito em 1928, renunciando ao cargo dois anos depois e passando a dirigir a Imprensa Oficial do Estado.
Em 1933, foi nomeado Diretor da Instrução Pública. Por suspeita de ligação com o comunismo, foi demitido e preso em 1936. Remetido ao Rio de Janeiro, permaneceu encarcerado na Ilha Grande, onde escreveu Memórias do Cárcere. Em 1945, aderiu ao Partido Comunista Brasileiro.
De maneira geral, seus romances caracterizam-se pelo inter-relacionamento entre as condições sociais e a psicologia das personagens; ao que se soma uma linguagem precisa, “enxuta” e despojada, de períodos curtos, mas de grande força expressiva.
Seu romance de estréia, Caetés(1933), gira em torno de um caso de adultério ocorrido numa pequena cidade do interior nordestino e não está à altura das obras subseqüentes.
Suas principais obras são: Caetés(1933); São Bernardo(1936); Vidas Secas(1938); Insônia(1947); Infância(1945); Memórias do Cárcere(1953); Linhas Tortas(1962) e Viventes das Lagoas(1962). As duas últimas obras foram publicadas postumamente.
Graciliano Ramos também contribuiu para a literatura infantil escrevendo Histórias de Alexandre(1944) e Histórias Incompletas(1946).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

UM DEDO DE PROSA


NÓS, OS SALTIMBANCOS DA VIDA REAL

Este ano não teremos eleições em Brasília (graças a Deus!...). Mas estamos acompanhando, de camarote, os telejornais que nos trazem notícias eleitorais dos outros estados da federação.
São notícias que, para não fugir à rotina, nos deixam estarrecidos: muitos são os candidatos que estão sendo assassinados em plena campanha.
Coincidência?... Claro que não!...
Na maioria dos casos são assassinatos encomendados, pois muitos dos candidatos que partem dessa para a "melhor" apresentam propostas de combate à corrupção, inclusive mostrando provas contra alguns dos concorrentes aos cargos públicos, o que incomoda (e muito!) àqueles que, feito parasitas, não querem largar "as tetas" do Brasil.
Isso é evidente!... Só não enxerga quem não quer!...
E quem são os culpados?... Nós, os "saltimbancos" da vida real, que nos deixamos comprar por uma cesta básica, por um vale-gás, por uma vaga de faxineiro (nada contra a profissão!) a um parente desempregado e por outros míseros benefícios que viciam as pessoas a não quererem trabalhar, ou seja, nos deixamos ludribriar pela política do "pão e circo". E por causa disso (e das nossas leis), muitos candidatos são eleitos e assumem seus cargos, mesmo sendo responsáveis por inúmeros crimes, muitos dos quais, bábaros.
Mais uma vez o povo brasileiro tem nas mãos a oportunidade de reverter esse quadro.
E que venham eles!...
MEUS VERSOS LÍRICOS



REFÉNS DA LIBIDO
(Joésio Menezes)


Uns dizem que meus versos são “tarados”;
Outros, que são cheios de emoção.
Também dizem que são apaixonados
E expressam as dores do coração.

Mas somente quando endereçados
Aos decotes “quase sem proteção”
Meus versos revelam-se assanhados,
Libidinosos, cheios de tesão...

Eles fluem, saem naturalmente,
Quando meus olhos, instintivamente,
Vêem os dois seios quase despidos.

E aos olhos do leitor desatento,
Os meus versos, cheios de sentimento,
Se transformam em “reféns da libido”.


AZUL-CELESTE
(Joésio Menezes)

Sob um decote azul-celeste
Escondia-se a causa dos meus anseios...
Para os meus nervos, um verdadeiro teste;
Um colírio aos meus olhos alheios.

Lado a lado, numa exuberância inconteste,
Revelava-se a imponência dos teus seios,
Provocando-me um delírio cafajeste,
Levando-me ao êxtase, sem receios.

E os meus olhos, cansados e envelhecidos,
Ficaram eternamente agradecidos
Ante aquela obra esculpida por Deus,

Pois ela, mesmo involuntariamente,
Acendeu-me uma chama incandescente
E inspirou estes singelos versos meus.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


O PICADEIRO DA VIDA
(Rodrigo Moura Cemi)

Acho que vou criar um novo curso de faculdade.
Um curso denominado felicidade.
Quando alguém lhe perguntar o que vai ser
Ou o que você faz, responda.
Eu vou ser feliz, eu faço felicidade.

Haverá muitas matérias, muita aula prática.
Serão ministradas aulas de alegria e respeito
Amor, sensibilidade, auto-admiração e humildade.
O estágio será obrigatório e intenso
E supervisionado pela sua consciência.

Os professores serão uns completos bobos idiotas
Palhaços que dão risada de qualquer coisa.
Se algum aluno fizer uma sacanagem ganhará ponto positivo
O mau humor ocasionará castigos e suspensões.
E em caso de tristeza justificada,
Serão oferecidas aulas de reforço.

E quanto ao valor da remuneração do profissional?
Será alto, inestimável e intangível.
Muitos se aproximarão de você por puro interesse.
Vão querer saber porquê você está sempre bem.
Vão querer rir com você, você ganhará muitos amigos.

Você não terá férias, terá que estudar sempre.
Muito trabalho em grupo sem direito ao silêncio.
Poderá falar “menos” e “iorgute”,
Os erros de português serão ignorados.
E os erros de cálculo desconsiderados.
Embora alfabetização não seja pré-requisito.

E no fim do curso, o trabalho de conclusão.
A banca julgadora estará a sua espera
À sua volta, e você no meio do picadeiro.
Você saberá se todo o investimento valeu a pena.
Ou se apenas nasceu, viveu e morreu.


A DECLARAÇÃO!
(Vanessa Mota)

Você entrou no meu pensamento
Sem eu mesma esperar
Mas minha vergonha não tem cabimento
E eu não sei como a você me expressar.

Gostaria de uma maneira saber
De o que eu sinto poder te dizer
E em meu coração manter
A esperança de sempre ter você.

Quero muito falar com você
Mas sempre me falta coragem
E quando torno a te ver
Minha mente parece fazer uma viagem.

Aqui estou a me declarar
O que eu sinto você deve saber
Meu coração parece que vai parar
Quando penso em te perder.
CRÔNICA DA SEMANA


CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO?
(Herbert Vianna)

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta.
Fé, só na estética. Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo.
Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
Cuide bem do seu amor, seja ele quem for.
RESENHA LITERÁRIA


AS MENINAS
(Lygia Fagundes Telles)

O livro As Meninas foi lançado no ano de 1973, um dos períodos mais críticos da História recente de nosso país, já que a censura e a repressão do governo militar estava no auge. O livro nos trás a história de três meninas que têm o seu destino trançado, ao se encontrar em um pensionato de freiras. A partir de então, a autora nos trás o relato do dia a dia das meninas, em uma sucessão de acontecimentos e diálogos surpreendentes. Com uma dose de coragem, Lygia Fagundes Telles aborda temas polêmicos em seu livro e apresenta uma crítica velada ao sistema imposto naquele momento.
Em um primeiro momento temos a descrição das três personagens principais. Lorena é apresentada como a menina rica e cheia de ideais. Apaixonada por Marcos Nemesius, um médico casado e pai de cinco filhos, a estudante de Direito passa o livro a sonhar com um telefonema, uma visita ou mesmo um recado de seu amado, o que nunca ocorre.
A segunda personagem retratada é a revolucionária Lia, chamada algumas vezes por suas amigas de “Lião”. Filha de uma brasileira, natural da Bahia, com um alemão ex-nazista, Lia tem seus ideais bem resolvidos e demonstra muita fibra ao persegui-los, não importando as dificuldades que tenha que superar. Estudante de Ciências Sociais, tenta a todo custo reencontrar seu namorado, um preso político que será enviado para a Argélia.
Já, Ana Clara, é uma atormentada aluna de Psicologia que passa toda a história envolta com problemas de drogas, seu namorado traficante e alucinações com seu trágico passado.
A primeira vista, o livro parece se tratar de simples banalidades, problemas de mulheres recém-saídas da adolescência e futilidades. Contudo, sob uma análise mais cuidadosa do enredo, podemos depreender uma genial crítica à ditadura e a sociedade brasileira da época. Se considerarmos cada personagem principal, descrita acima, como sendo um segmento da sociedade, veremos que cada papel encaixa-se com perfeição.
A sonhadora Lorena seria a elite de nosso país. Uma classe a parte, rica, sonhadora e com a tendência de florear a real situação.
A drogada Ana Clara encarnaria as classes média e popular, atormentada e fora de sintonia da realidade. Sempre preocupada com uma subida de nível e se torturando com o passado, ela acaba ficando em um mundo particular, distante de tudo.
A lutadora Lia seria a parte da sociedade envolvida com guerrilhas, manifestações e qualquer tipo de contestação ao sistema, que tentaram a todo o custo reverter a situação em curso no país.
Algumas passagens do livro nos transmitem a idéia da busca da liberdade e da esperança de voltarmos à democracia. A personagem de Ana Clara a todo o momento exclama: “Pomba!”. Seria o símbolo da tão sonhada paz que a população brasileira estava clamando, mesmo que secretamente, naquele momento? Já a personagem Lorena vive a sonhar e esperar um amor impossível (Democracia?) e seu gato Astronauta que fugiu ainda filhote. Lia, desesperançosa, resolve fugir do país e encontrar com seu namorado no exterior, recurso este muito utilizado na época.
Todas as passagens citadas nos mostra como foi hábil e muito inteligente Lygia Fagundes Telles. A semelhança de diversos compositores de música da época, que falavam através de sentido figurado para escapar da censura, Lygia com sua habitual maestria aplicou o que poderíamos chamar de um verdadeiro “drible” nos censores do regime e publicou esta obra prima da literatura brasileira.

(Fonte: www.netsaber.com.br/resumos)
GRANDES NOMES DA LITERATURA


LYGIA FAGUNDES TELLES
(Fonte: www.resumosdelivros.com.br)

Escritora contista e romancista brasileira, nascida em São Paulo-SP, que recebeu o Prêmio Camões (2005), o mais importante na literatura em língua portuguesa, dotado com 100 mil euros. Filha de um promotor e delegado de polícia, viveu em Sertãozinho e outras pequenas cidades do interior paulista, devido as freqüentes transferências do pai. Aos oito anos foi morar com a mãe na capital paulista e depois no Rio de Janeiro, onde permaneceu durante cinco anos. De volta a São Paulo, matriculou-se no Instituto de Educação e passou a se interessar por literatura. Sua estréia literária deu-se com o livro de contos Porões e sobrados (1938), que foi bem recebido pela crítica. O sucesso se repetiria com Praia Viva (1944).
Em São Paulo, fez dois cursos superiores (Direito e Educação Física) na Universidade de São Paulo, enquanto trabalhava na Secretaria de Agricultura, para custear os estudos.
Tentou exercer a advocacia e chegou à procuradoria no estado de São Paulo, mas acabou por se dedicar totalmente à literatura. Começou (1949) a colaborar no suplemento literário do jornal carioca A Manhã e no mesmo ano lançou o livro de contos O cacto vermelho, com o qual conquistou o Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras. Na década seguinte viajou pela França e Itália (1955) e publicou o romance Ciranda de Pedra e o volume de contos Histórias de Desencontro (1958), ganhando o Prêmio Artur Azevedo, do Instituto Nacional do Livro. Eleita (1985) tornou-se a terceira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Teve algumas de suas obras traduzidas para o inglês, espanhol, francês, alemão, italiano e inclusive para o polonês. Embora tenha se destacado como contista, em sua obra literária destacam-se os romances Ciranda de Pedra (1954), adaptado com sucesso para a televisão, Verão no Aquário (1963), Antes do Baile Verde (1969), As Meninas (1973), a mais conhecida de suas obras e adaptada para o cinema e a televisão, e As Horas Nuas (1989), além do volume de contos Histórias Escolhidas (1964), do livro de contos Invenção e Memória (2000) e o de memórias Durante Aquele Estranho Chá - Perdidos e Achados (2002).
O romance As meninas transformou-se em nome de um prêmio literário que é concedido pelo governo do estado de São Paulo. Ela já recebeu vários prêmios como os 4 Jabutis um dos mais importantes do Brasil e concedido pela Câmara Brasileira do Livro, 1 Afonso Arinos (1948), 1 Artur Azevedo (1958), 1 Boa Leitura (1964), 1 Guimarães Rosa (1971) e 1 PEN Clube Brasil (1977), entre outros.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

UM DEDO DE PROSA


É PRIMAVERA!

Setembro chegou!...
E com ele o perfume das flores, o balé dos colibris, o colorido das borboletas e o sorriso do sol, que dá boas-vindas à ESTAÇÃO DAS FLORES.
Setembro chegou trazendo com ele a chuva que há meses ausentara-se, deixando cinzas a relva e o céu.
Chegou setembro trazendo-nos a PRIMAVERA para renovar as nossas esperanças de um mundo mais justo, de um ar mais puro, de um povo mais unido, de um amor mais verdadeiro, de um ambiente mais saudável, ambiente este em que os colibris e borboletas possam cortejar as flores (recém-chegadas com a primavera) livres de quaisquer riscos.
Setembro chegou.
Desabrocharam as flores.
Reapareceram os colibris.
Ressurgiram as borboletas.
Começou a PRIMAVERA!...
MEUS VERSOS LÍRICOS






PRIMAVERA
(Joésio Menezes)



Eis que surge cheia de alegria,
Mostrando-nos seus grandes valores,
A esperada estação das flores
E com ela muito encanto e magia.

Os colibris voam em harmonia,
As cigarras cantam os seus amores,
As borboletas, das mais diversas cores,
Apresentam sua linda coreografia.

E as flores, mesmo ainda em seus botões,
Trazem aos nossos pequenos corações
Muita alegria, muita cor, muita paz...

Eis que surge a estação mais bela
Trazendo-nos em sua rica aquarela
Cores vivas, alegres, naturais...


EFEITO PRIMAVERA
(Joésio Menezes)

Hoje o sol acordou brilhando mais
e, radiante, sorriu para a mãe Natureza,
como se estivesse querendo dizer
que fora seduzido... enfeitiçado
pela estação das cores,
da fertilidade, da vida...
por isso estava sentindo-se feliz.

Feliz e seduzido pelo aroma das flores
que, timidamente, desabrocharam
sob o orvalho da madrugada;
enfeitiçado pelo balé dos colibris
que, despudoradamente, assediavam
as Valquírias, as Dálias, as Gardênias,
as Magnólias, as Rosas, as Margaridas...
flores sensuais, perfumadas, cheias de vida;
eternas musas ilibadas do outono,
do inverno, do verão, da PRIMAVERA,
enfim, de todas as estações,
de todos os corações.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL




AS FLORES DA PRIMAVERA
(Vania Staggemeier)

Neste entardecer tão belo,
Entre todas as flores
Existe uma rosa amarela
Que vem ressurgindo
Com a primavera

Trazendo consigo
Seu delicado perfume,
Assim como esperanças
E oportunidades
Para novas amizades.

A primavera é tão bela
Porque traz com ela
Todas as flores e aromas
Revitalizando a inquietude
De todos os corações.

As rosas colorem o amor,
As vermelhas exalam paixão,
As amarelas trazem magia e a sedução,
As brancas com sua brandura
Trazem paz para os corações.


PASSA UMA BORBOLETA
(Alberto Caeiro)

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor.
CRÔNICA DA SEMANA


(Paulo Kostella)

Quando menina esperava um dia ter um namorado. Seria bom se fosse alegre e amigo.
Quando tinha 18 anos, encontrei esse garoto e namoramos, ele era meu amigo, mas não tinha paixão por mim. Então percebi que precisava de um homem apaixonado, com vontade de viver, que se emocionasse.
Na faculdade saía com um cara apaixonado, mas era emocional demais. Tudo era terrível, era o rei dos problemas, chorava o tempo todo e ameaçava suicidar-se. Descobri então, que precisava de um rapaz estável.
Quando tinha 25 anos encontrei um homem bem estável, sabia o que queria da vida mas era muito chato. Queria sempre as mesmas coisas, dormir no mesmo lado da cama, feira no sábado e cinema no domingo. Era totalmente previsível e nunca nada o excitava. A vida tornou-se tão monótona que decidi que precisava de um homem mais excitante.
Aos 30, encontrei um tudo de bom, brilhante, bonito, falante e excitante, mas não consegui acompanhá-lo. Ele ia de um lado para o outro, sem se deter em lugar nenhum.
Fazia coisas impetuosas, paquerava com qualquer uma e me fez sentir tão miserável, quanto feliz. No começo foi divertido e eletrizante, mas sem futuro.
Decidi buscar um homem, com alguma ambição para com ele construir uma vida segura.
Procurei bastante, incansavelmente.
Quando cheguei aos 35, encontrei um homem inteligente, ambicioso e com os pés no chão. Apartamento próprio, casa na praia, carro importado, solteiro e sem rolos. Pensei logo em casar com ele, mas era tão ambicioso que me trocou por uma herdeira.
Hoje, depois de tudo isso, aos 40 anos, gosto de homens com pinto duro... e só!

(Fonte: www.recantodasletras.uol.com.br)