quinta-feira, 23 de julho de 2015

UM DEDO DE PROSA

O DIA DA MINHA PARTIDA
(Joésio Menezes)
  

Se eu pudesse escolher o dia da minha partida, escolheria um dia da primavera em que as flores estivessem esbanjando vitalidade e beleza; em que os majestosos colibris, encantados e inebriados com o perfume que delas exalam, nos presenteassem com a leveza e a elegância do seu voo; em que as borboletas exibissem seu balé de asas coloridas ao som de um belíssimo coral formado por rouxinóis e bem-te-vis; em que os ventos espalhassem pelo ar o cheiro afrodisíaco da felicidade que as flores nos proporcionam.
Se eu pudesse escolher o dia da minha partida, e não me fosse permitido partir na primavera, eu escolheria um dia em que o homem estivesse em harmonia com a Natureza; em que o amor tivesse derrotado o ódio; em que a fome e a miséria fossem extintas do planeta Terra; em que os conflitos políticos, religiosos e raciais não mais existissem entre os homens.
Ah!... se eu pudesse escolher o dia da minha partida, escolheria o dia em que a inspiração do Criador superasse aquela do dia que Ele soprou as narinas da primeira mulher e a ela deu vida, pois certamente meus parentes e amigos não chorariam a minha morte, mas sim celebrariam o fim do ciclo de uma vida.
Enfim, seu eu pudesse escolher o dia da minha partida, e não me fosse possível escolher nenhum dos dias anteriores, eu escolheria o dia em que todos os povos estivessem festejando a PAZ mundial.


MEUS VERSOS LÍRICOS

VERSOS ALADOS
(Joésio Menezes)


Aos meus versos dou asas
para que, livremente, possam voar
em busca do encantamento
que provocam os olhos teus...

Aos meus poemas, a liberdade
de encontrar-se com o teu sorriso
que, livre de qualquer pudor,
revela em ti a pureza
de um anjo ilibado.

A mim, reservo tão somente o dever
de admirar-te constantemente
sem maiores pretensões –
mesmo contrariando meu coração –
e o direito de elevar-te
a deusa imaculada da beleza,
rainha suprema da perfeição,
musa eterna dos meus versos
que voam livremente
em busca do encantamento
que provocam os olhos teus...


MINHA LUCIDEZ
(Joésio Menezes)


Não sou único,
Nem mediúnico,
Nem médico.
Não sou mágico,
Nem trágico,
Nem enciclopédico.

Não sou clássico,
Nem jurássico,
Nem frenético.
Não sou prático,
Nem fanático,
Mas sou ético.

Sou onírico,
Sou lírico,
Sou lúdico.
Sou pávido,
Sou ávido
Sou lúcido...


O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

FLORES
(Marcos Alagoas)


Deixem-me em flor viver!...
Deixem minha cor aparecer,
Deixem-me em pétalas
A vida florescer...
Quero ver o amanhecer.
Levem-me somente em fotografias;
Admirem-me apenas
Com o seu sensível olhar.
Amem-me
Sem precisarem arrancar-me!
Deixem-me em flores
Vermelhas, azuis, brancas, amarelas...
Deixem-me nascer,
Deixem-me sentir esse prazer!
Sou a vida que acalma,
Sou cores que afloram a alma;
Sou flor do cerrado, dos jardins,
Dos bosques, dos campos,
Das várzeas, das mata ciliares...
Sou vida,
Sou flor,
Sou amor...


DEDICATÓRIA
(J.G. de Araújo Jorge)


Este meu livro é todo teu, repara
que ele traduz em sua humilde glória
verso por verso, a estranha trajetória
desta nossa afeição ciumenta e rara!

Beijos! Saudades! Sonhos! Nem notara
tanta cousa afinal na nossa história...
E este verso – é a feliz dedicatória...
onde a minha alma inteira se declara...

Abre este livro... E encontrarás então
teu coração, de amor, rindo e cantando,
cantando e rindo com o meu coração...

E se o leres mais alto, quando a sós,
é como se estivesses me escutando
falar de amor com a tua própria voz!



CRÔNICA DA SEMANA

UM CHICLETE PARA ENGANAR A FOME
(Carlos Delano Rebouças)


Em plena década de 80, por dificuldades imensas passava Carlinhos e seus quatro irmãos, mãe e pai, desempregados, sofridos, estes, sem condições para sequer alimentar a sua família. Coitados... Eram somente mais uma família brasileira dentre tantas outras daquele Brasil de meu Deus, que não conseguiam ver uma luz no fim do túnel, escuro, sob a penumbra de um militarismo dominante, que comandava a nação.
Um dia, Carlinhos se dirigiu a sua mãe e baixinho perguntou: “Tem alguma coisa para comer”?
Já passava do meio-dia e sequer tinha feito uma refeição no dia. Estava faminto aquele garoto de 12 anos, raquítico, magrelo, e pálido, que mais parecia um menino de 06 anos de idade.
Quando seu pai ouviu o clamor do filho pródigo, sem ter muito a oferecer, deu-lhe una goma que ganhara como parte do troco de um cigarro comprado, dizendo: “Mastigue, mas não engula. Depois tome um copo d´água e vá deitar-se, que a fome passa”.
Assim o pobre menino fez, obedecendo às ordens do pai e sem dizer nada aos irmãos, que se encontravam na mesma condição. A princípio, mostrou-se feliz por está mascando um chiclete por inteiro, quando no máximo, ganhava um minúsculo pedaço de seus amigos, de condições mais favoráveis. Aqueles filhos de pais mais abastados da vizinhança.
Eram os mesmos garotos que lhe cediam suas roupas perdidas, muitas vezes rasgadas, mas muito bem recebidas, como se fossem novas, saídas da loja.
Carlinhos não largou aquele chiclete. Mascava-o incessantemente, até que o mesmo já estava esbranquiçado, perdendo totalmente a sua cor e o doce originais, mas que nada impedia a volúpia daquele carente menino.
O sono chegou e seu maxilar já estava cansado de tanta mastigação. Seu estômago, também cansado, de esperar a queda de alguma coisa, de onde só vinha saliva e nada mais. Sua fome estava enganada temporariamente, e o menino, exaurido, caído na sua rede furada, num sono profundo, ainda teve tempo para sonhar com dias melhores, e neste sonho, tudo estava superado, sem fome a passar com sua família. Assim contou posteriormente a todos.
Pena que Carlinhos não demoraria a acordar e a realidade mostraria a sua face real e verdadeira. Pena, também, que seu pai não teve mais chicletes para oferecer aos outros irmãos, esposa e a si mesmo. Todos ficaram invejosos com o sono profundo de Carlinhos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

UM DEDO DE PROSA

EMPORCALHAMENTO ELEITORAL


            Ontem, após exercer o meu papel de cidadão, fiquei ali, parado na esquina, observando o entra e sai de eleitores na escola em que votei. E de cada 10 pessoas que de lá saíam, pelo menos duas escorregavam nos “santinhos” e panfletos jogados pelo chão. Aliás, havia mais santinhos e panfletos que chão propriamente dito!...
            Lá pelas tantas, alguém não conseguiu equilibrar-se após o escorregão e caiu de pernas pro ar. Era uma jovem. E, felizmente, nada de mal lhe aconteceu; apenas um pequeno prejuízo material: a tira de uma das sandálias quebrara-se, e ela fora obrigada a voltar para casa com os pés descalços.
            Mas se o moça tivesse sofrido alguma lesão grave, quem seria responsabilizado?... A quem seus familiares deveriam recorrer?... Qual seria a punição aplicada aos políticos que, por meio dos seus cabos eleitorais, emporcalharam a cidade, colocando em risco a integridade física dos transeuntes?...
            Sem respostas para essas perguntas, sacudi a cabeça negativamente e retornei para casa, preocupado com o que poderia ter acontecido se fosse um idoso em vez daquela moça.
            Espero que no próximo dia 26 de outubro, os cabos eleitorais dos que disputarão o segundo turno tenham mais consciência e não emporcalhem tanto a nossa cidade, pois assim as ruas ficarão mais bonitas durante a celebração dessa grande festa democrática chamada ELEIÇÕES. E o melhor: ninguém correrá o risco de sair da seção eleitoral levado por uma ambulância.
MEUS VERSOS LÍRICOS

CENHO...
(Joésio Menezes)

Não sei se choro ou se rio,
Não sei se canto ou danço,
Mas sei que num canto vazio
Desse Universo gentil
Encontrarei meu remanso.

Não sei se falo ou me calo,
Não sei se solfejo ou canto,
Mas sei que no intervalo
Entre solfejar ou cantá-lo,
Ignorarei o meu pranto.

Se choro, razões não acho;
Se rio, motivos não tenho.
Mas quando canto, despacho
Minhas dores pro diacho
Sem macular o meu cenho.


APAIXONADA MENTE
(Joésio Menezes)

Minha louca mente mente
Para o meu coração
Que displicentemente
Vive como indigente
Por causa duma paixão.

E quase constantemente
As dores dessa paixão
Alucinam minha mente
Deixando-a tão demente
Que me foge a razão.

Por isso, dificilmente
O meu pobre coração
Resistirá bravamente
Às dores impertinentes,
Causadas pela paixão.

E eu, indiferentemente,
Luto pela absolvição
Da minha insana mente
Que, apaixonadamente,
Mente ao meu coração
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

LÁPIDE
(Ariano Suassuna)

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão – Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao Sol do Mundo!


O CHUMBO VERMELHO
(Ádyla Maciel)

Verde, yellow e vermelho sangue
São as cores do meu país
Lembram da aquarela de 1964?
Jovens amarrados
nos carros arrastados
Sofrendo escoriações pelo corpo
Nesse ano de hoje: 2014
Aconteceu de novo!
pendurada pela blusa
na viatura da polícia
Cláudia foi morta arrastada,
deixando filhos e lágrimas
Gritos vindos do Ipiranga
margens de sangues e façanhas
Hoje Pinto com vermelho a história dos capitães
Lembranças da morte de José Guimarães ...
Oh Deus dos deuses! Mude o traço de meu pincel.
O que é o inferno? O que é o céu?
Quem nos livrará da cadeira do dragão?
Salve-nos das brasas !
Que eu seja filha de tua luta
Quem nos livrará do pau-de arara?
Que nós sejamos a bussola
E que eles sejam nossos líderes de busca
Sejamos nós mais fortes abrasileirados do brasão de força feliz
Verde, yellow e branco sãos as cores do meu país.
CRÔNICA DA SEMANA

NÃO ERA APENAS UMA FOLHA DE PAPEL JOGADA AO VENTO
(Aline Menezes)

Considero desafiador dar aula de literatura, ainda mais porque sei o quanto as pessoas são equivocadas sobre esse tipo de manifestação artística. Muitos acham que ser professora de literatura é ficar recitando poesia em sala de aula. Ou é falar de amenidades para tornar a vida mais feliz (talvez isso seja sarau ou autoajuda, mas nunca literatura). I'm sorry!
Confesso que um pouco desmotivada, buscando estratégias de envolvimento dos meus alunos no que acredito e entendo ser literatura, propus algo em sala, que levou menos de cinco minutos para ser realizado. Ao perceber que eles não haviam compreendido conceitos importantes para os nossos estudos literários, pedi para que todos observassem o que eu iria fazer em seguida. Então disseram: – VIMOS que a senhora lançou uma folha de papel no chão. Logo depois, pedi para que fechassem os olhos e fiz o mesmo movimento, e perguntei o que eles haviam notado. Eles disseram que me OUVIRAM jogar o papel no chão. Por fim, eu pedi para que tapassem os ouvidos, fechassem os olhos e prestassem atenção no que eu iria fazer. Os alunos que estavam mais próximos de mim disseram que SENTIRAM que eu havia arremessado a folha de papel em algum lugar... Isso, sim, faz-me pensar em literatura.
São muitos estágios que precisamos avançar para compreendermos, por meio da arte literária, a vida e a nós mesmos.
Eu até posso ensinar os alunos a ouvir e a ver determinadas coisas nas obras literárias, mas não posso ensiná-los a sentir a vida com mais profundidade, a menos que eles mesmos se disponham a descobrir e a perceber, ainda que não vejam... a descobrir e a perceber, ainda que não ouçam...

quarta-feira, 5 de março de 2014

UM DEDO DE PROSA

DIA NACIONAL DA PREGUIÇA
(Joésio Menezes)
  
Se me fosse dado o poder de criar um dia, certamente hoje, um dia após a quarta-feira de cinzas, eu criaria o DIA NACIONAL DA PREGUIÇA, pois tudo está conspirando em favor da sua criação: o Sol, preguiçosamente, demorou a nos dar o ar da sua graça e, consequentemente, os pardais fizeram sua algazarra matinal um pouco mais tarde que de costume. Em virtude disso, levantei-me com vontade de continuar na cama e, arrastando-me como se fosse um Bradypus Variegatus, fui banhar-me. Até a água que caía do chuveiro parecia sair a conta-gotas!
Minutos mais tarde, sentado à beira da cama, estava eu procurando (sem a intenção de encontrar) um par de meias e uma cueca numa das gavetas do guarda-roupa. Com muita “má vontade” encontrei-as.
Após vestir-me, fui até a cozinha e coloquei água no fogo para fazer um cafezinho, e enquanto aguardava a sua fervura, liguei a televisão para assistir ao “Bom-Dia DF”. Algum tempo depois percebi que a água não fervia. Estaria, também, o fogo com preguiça? Não!... Simplesmente me esqueci de acendê-lo.
Chegando à escola em que trabalho, deparei-me com o estacionamento quase vazio (e já passava das 8 horas da manhã!), coisa rara de acontecer. Estacionei o carro e me dirigi até o laboratório de informática. Durante o curto percurso entre o estacionamento e o meu local de trabalho, eu ouvia a voz do “capetinha” tentando convencer-me a voltar para casa e a do “anjinho” aconselhando-me a seguir firme para o trabalho.
Contra a minha vontade, eis-me aqui diante dos computadores, ligando-os um a um e conectando-os à rede mundial de computadores, pois daqui a pouco alguns alunos virão fazer pesquisas, mas a internet também demonstra uma certa dose de preguiça (mais até que a minha), pois a conexão não parece ser via satélite, mas sim via Podocnemis Expansa. 
Muito tempo depois, os computadores estavam ligados e conectados á internet. Mas as pesquisas dos alunos, que em média duram em torno de dez minutos, não foi possível fazê-las todas, uma vez que cada página acessada levava uma eternidade para ser aberta. Uma eternidade também pareceu-me a primeira metade do dia.
Minuto a minuto eu olhava meu relógio de pulso cujos ponteiros pareciam parados de tanta preguiça.



MEUS VERSOS LÍRICOS

ORDEM E PROGRESSO
(Joésio Menezes)













Que a Justiça é cega, eu sei;
Que nada faça contra os “fortes”, é lei;
Que funciona em prol de poucos, é fato.
Que respeitam a Constituição, é mito;
Que a Ordem está em desordem, admito;
Que o Progresso está bem perto, é boato.

Que o Governo seja improbo, não se admite;
Que ele bem trabalha, há quem acredite;
Que o povo tem culpa, não duvido.
Que os desonestos dominam, é inegável;
Que a sociedade permita, é inaceitável;
Que somos enganados, é sabido.

Que o Brasil é rico, está comprovado;
Que a miséria aqui reside, fato consumado;
Que a desigualdade é social, já foi dito.
Que a política anda mal, certamente;
Que a corrupção impera, é evidente;
Que esses males tenham cura, não acredito...


TERRA DE GIGANTES
(Joésio Menezes)

Nessa terra de gigantes
A luta é pela sobrevivência
Dos que têm experiência
Em enganar seus semelhantes.

Nessa terra de gigantes
A lei é para quem tem menos regalias
E vive sofrendo noite e dia
Nas mãos dos eternos governantes.

Nessa terra de gigantes
Os donos da negligência
Utilizam-se da prepotência
E se dizem importantes...

E eu, um poeta estreante,
Luto para levar minha poesia
Aos corações dessa gente fria

Que habita essa terra de gigantes.


O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


PARA NÃO SER LIDO
(Paulo Henriques Britto)

Não acredite nas palavras,
nem mesmo nestas,
principalmente nestas.

Não há crime pior
que o prometido
e cometido.

Não há fala
que negue
o que cala.


MEU ÚNICO BEM
(Mário Feijó)

É tão pouco o que eu quero de ti
Basta um sorriso de estrela
Para iluminar o meu dia
Como o sol faz todas as manhãs

E no decorrer do tempo
A mim basta
Uma brisa fresca
Pássaros que gorjeiam

Tudo isto para eu ter dúvidas
“Sou feliz? Ou agora moro no paraíso?”
E quando eu passear por tua pele
Quero afundar nela feito dunas à beira-mar

O resto eu nada peço
Eu não me importo com terras
Não quero ter propriedades
Quero apenas ter você: meu bem!!!
CRÔNICA DA SEMANA

DEPOIS DE ALGUM TEMPO
(William Shakespeare)

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão.
Depois de algum tempo você aprende que o sol queima se ficarmos a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida, e que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos.
Depois de algum tempo você começa a aprender que não deve se comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo. E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para, para que você junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida!!!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

UM DEDO DE PROSA

PUNIÇÃO
AOS INFRATORES
(Joésio Menezes)

A exemplo de muitos outros cidadãos honestos, fui condenado à prisão em minha própria casa - cujas grades estão por toda parte – pelos crimes de respeito às leis (ainda que discordando de algumas delas) e à ordem pública, pagamento em dia dos Impostos que me são impostos e porte ilegal da honestidade, que há anos põe em risco a integridade moral dos nossos políticos.
            Tal punição me foi merecidamente sentenciada em benefício da segurança dos Delinquentes Juvenis que, amparados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e por órgãos ligados aos Direitos Humanos, precisam de mais liberdade para cometerem “pequenos” delitos, os quais destinam-se ao seu sustento e, principalmente, à sua diversão.
            Posso estar equivocado, mas dependendo do nosso bom comportamento, poderemos ter nossas penas mudadas para o regime semi-aberto, em que poderemos sair durante o dia para trabalharmos, garantindo a esses Pequenos Delinquentes o direito à caça de novas vítimas de assaltos, estupros, espancamentos ou homicídios, direito que lhes fora garantido pelo ECA e endossado pelos Direitos Humanos, que veem nesse merecido privilégio a garantia de esses garotos se tornarem traficantes de armas e drogas bem-sucedidos, com possibilidade de chegarem, inclusive, ao cargo de Chefes do Tráfico ou – quem sabe? - a um cargo político.
            E nada podemos fazer (nem devemos) para impedir que essas “crianças” – postulantes à patente de “Bandido de Alta Periculosidade” - consigam chegar lá, pois isso é direito delas, adquirido (e já garantido) por lei. E se é lei, quem a infringir merece ser severamente punido.
MEUS VERSOS LÍRICOS

À MERCÊ DO TEMPO
(Joésio Menezes)

Queiramos ou não isso aconteça,
O Tempo nos leva a sã mocidade
E faz vulneráveis nossas cabeças
Aos lapsos oriundos da idade.

E por mais lastimável nos pareça
A chegada da tal senilidade,
Antes que o Tempo nos enlouqueça
Aceitemo-la com sobriedade.

Encaremo-la sem medo da sorte
De envelhecermos jovens e saudáveis
Antes que cedo nos chegue a morte.

E se cedo a morte não nos buscar,
Que nos sejam ao menos suportáveis
Os males senis que hão de chegar.


DE TODAS AS FORMAS
(Joésio Menezes)

Inda que tu não mais me queiras,
Te quererei de qualquer jeito...
“Te amarei de todas as formas”
E esconderei dentro do peito
O mais insano dos desejos,
Pois dentre tudo o que almejo
És o meu sonho mais perfeito.

Inda que não me tenhas mais
Em teu volúvel coração,
Não me entregarei à tristeza
Nem serei refém da solidão,
Pois buscarei a companhia
Dos versos da amiga poesia,
Que nunca me deixou na mão.

E por mais desprezo me tenhas,
Não me deixarei abater...
Buscarei, de todas as formas,
Do meu amor te convencer.
E se não forem convincentes
Meus argumentos insistentes,
O jeito será te esquecer.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA

DANÇA DO VENTRE
(Cruz e Sousa)

Torva, febril, torcicolosamente,
numa espiral de elétricos volteios,
na cabeça, nos olhos e nos seios
fluíam-lhe os venenos da serpente.

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
que convulsões, que lúbricos anseios,
quanta volúpia e quantos bamboleios,
que brusco e horrível sensualismo quente.

O ventre, em pinchos, empinava todo
como réptil abjecto sobre o lodo,
espolinhando e retorcido em fúria.

Era a dança macabra e multiforme
de um verme estranho, colossal, enorme,
do demônio sangrento da luxúria!


SE TE AMO, NÃO SEI!
(Gonçalves Dias)

Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!

Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, — não sei.
CRÔNICA DA SEMANA

O COVEIRO, A SOLIDÃO
E O SILÊNCIO
(Aline Menezes)

Há coisas que só fazem sentido no depois, porque no agora somos absorvidos de tal forma pela vida que nos tornamos incapazes de perceber o movimento da existência entre nós. A vida que segue parece nos conduzir para o nada, um nada tão cheio de dúvidas e inquietações... Um nada que existe, que se aproxima da esperança ou da experiência dos cadáveres.
Estou sob o efeito da vida. Perambulo na agonia de um fardo, um fardo que carrego conscientemente. Arrasto-me até o horário em que não consigo mais enxergar uma saída... Encontro-me, também, completamente anestesiada, às vezes, talvez embriagada e entorpecida por um peso que já não suporto mais levar adiante. São muitas lembranças e muitas memórias acolhidas numa só vida, numa só alma solitária. Num corpo que teima.
Afasto-me vagarosamente dos sons das ruas, das vozes de dentro de casa, do barulho que lateja na minha cabeça. Minha tentativa de me embrulhar no silêncio fracassa a cada momento em que - de olhos abertos - vejo como as pessoas andam, sinto o que elas expressam, observo como se comunicam, como não se amam, como se disfarçam... fantasiadas, elas se revelam na frente do meu jeito atento de escutá-las.
O coveiro: única imagem coerente neste cenário tão particular que acabo de criar para aqueles que me leem, que tentam interpretar um mundo que não os pertence. O coveiro: cercado de sonhos hoje apodrecidos, amores proibidos, sentimentos intraduzíveis... O coveiro: personagem igualmente consumido pela solidão, pelo silêncio daqueles que já não respiram mais, não sentem o cheiro das flores amarelas, tampouco sentem o esvair-se da própria vida...
... mas estou aqui, ainda que longe dos olhares do coveiro, sinto-me tão perto do silêncio dos mortos.