Terça-feira, Novembro 10, 2009

UM DEDO DE PROSA


UM MURO, UM VESTIDO, UMA SOCIEDADE HIPÓCRITA...

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para as comemorações do vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim, símbolo da guerra fria até os anos 80, aqui no Brasil o assunto do momento é o vestido rosa-choque da menina Geisy Arruda, símbolo da muralha preconceituosa erguida por uma emergente sociedade hipócrita.
Alunos de uma universidade particular, em São Paulo, alegando que a jovem Geisy estaria denegrindo a imagem da Instituição em que estudam, fizeram um manifesto hostil e violento contra a jovem que trajava um vestido curto, deixando à mostra suas grossas coxas. A universidade, por sua vez, disse que iria abrir sindicância para apurar os fatos e punir os responsáveis. Saldo das averiguações: apenas a jovem do ”vestido curto” foi punida. A Instituição, buscando “prestar contas à sociedade”, decidiu por expulsá-la com a justificativa de que ela infringiu o regimento interno quando resolveu frequentar “as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade”, trajes estes que deixavam à mostra “suas partes íntimas”, segundo palavras do assessor jurídico da universidade. Decisão preconceituosa e meramente matemática, uma vez que, do ponto de vista financeiro, expulsar um único aluno é bem mais lucrativo que expulsar 10 ou 20.
Dada a repercussão do caso, inclusive no exterior, o Ministério da Educação, a OAB e a UNE se manifestaram e pediram explicações acerca da decisão precipitada da instituição de ensino, e diante disso a Universidade voltou atrás e revogou a expulsão da jovem, contrariando a vontade dos falsos moralistas que de tudo fizeram a fim de conseguirem ver além das coxas de menina.
Eu, até agora, não consegui compreender o motivo de tanto alarde (principalmente da imprensa), pois é tão comum vermos mulheres com trajes bem menores desfilando por aí, inclusive nas igrejas! E o que mais me espanta é a hipocrisia desses que se dizem guardiões da imagem da Universidade, pois certamente muitos deles frequentam (ou já frequentaram) o sambódromo paulistano (ou lugares afins) em época de carnaval sem se preocuparem se a imagem do seu país (ou a sua própria) está sendo denegrida quando as rainhas das baterias e os destaques dos carros alegóricos desfilam totalmente nuas, com apenas um tapa-sexo.
Mas, toda essa polêmica causada pelo vestido rosa-choque da garota contribuiu apenas para uma coisa: por ser jovem e bonita, brevemente ela será assediada por revistas masculinas cuja intenção é tão somente vender sua imagem desnuda àqueles mesmos rapazes que a hostilizaram; e caberá a ela, somente a ela, aceitar ou não as possíveis propostas.
E ninguém tem nada a ver com isso!...
MEUS VERSOS LÍRICOS


DO CÉU AO INFERNO
(Joésio Menezes)

Já vivi no céu,
Mas o amargo do fel
Na ponta da língua
Tirou-me a paz
E de forma voraz
Deixou-me à míngua.

Largou-me ao léu
Sem os lábios de mel
Daquele anjo-mau
De pele morena,
Boca pequena,
Olhar sensual...

Hoje sinto-me no inferno,
No castigo eterno
De não mais ter a alegria
De escrever para ela,
Minha doce Cinderela,
Uma simples poesia.


BLENDA
(Joésio Menezes)

Os deuses tornam-se mitos;
Os mitos, às vezes, lenda;
Mas a deusa que me apareceu
Naquela noite estupenda
Não é mito,
Não é lenda;
É a essência da beleza
Em forma de mulher,
É o encanto da natureza
Do jeito que a vida quer:
Cheio de desejos sem reprimendas...
Aquela deusa
É mais que mito,
É bem mais que lenda.
É Blenda!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


SONETO DO AMIGO
(Vinícius de Moraes)

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...


A SERENATA
(Adélia Prado)

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natal como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
CRÔNICA DA SEMANA


DOIDA OU SANTA?
(Martha Medeiros)

“Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa”.
São versos de Adélia Prado, retirados do poema A Serenata. Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude. E encerra: “De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?”
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma, estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa... Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do).
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso,temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio-pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada,dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.'

Terça-feira, Novembro 03, 2009

UM DEDO DE PROSA


SARAU POÉTICO MUSICAL EM PLANALTINA

É comum ouvirmos os jovens planaltinenses reclamarem que falta cultura em Planaltina. O problema é que ainda não descobrimos a que tipo de Cultura eles se referem.
Quase todos os finais de semana a cidade promove eventos culturais com bandas de música; duplas sertanejas; grupos de pagode, de dança e teatrais e saraus de música e poesia. Inclusive, recentemente tivemos dois eventos muito interessantes: a I Mostra Itinerante do FICA (Festiva Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Planaltina) e o Cultura na Praça, com Exposições e apresentações do Grupo Kokumã e de Catireiros da cidade. Porém, poucos prestigiaram os eventos.
O que realmente está faltando em Planaltina é plateia para assistirem às diversas atividades culturais que a cidade oferece.
E por falar em atividade cultural, vem aí o I Sarau Poético-Musical de Planaltina, com a participação de vários artistas da cidade e do Gama, a realizar-se a partir das 17 horas do dia 07/11 (sábado), na Praça do Museu.
Compareçam!... Prestigiem!... Participem!...
MEUS VERSOS LÍRICOS

UMA FADA, UMA ARAPUCA E EU
(Joésio Menezes)

As “borboletas” veem “através da vidraça”
Uma “fada” que chega “escondendo o jogo”.
Não o “jogo da vida”, mas o da pirraça
Que lhe impõe “o guardador do fogo”.

“Moça rebelde” cujas “lembranças de amor”
Fazem-na esquecer sua “timidez” insana,
A “fada” disse “não mais” se contrapor
Ao “amigo apaixonado” que tanto ufana,

Pois o seu “passado” nos revelou
Que para ela “o sonho não acabou”
Tampouco o “fogo do amor” feneceu.

E “ao vivo e em cores” hoje ela vem
Armar uma “arapuca” pra pegar alguém;
E, certamente, “esse alguém sou eu”.


SUBMISSÃO
(Joésio Menezes)

Eu me rendo à tua beleza,
Aos teus encantos eu me entrego,
Por teus fetiches mantém-se acesa
A chama do fogo que carrego.

Me submeto aos teus desmandos,
À tua paixão sou aspirante,
Por tua libido o fogo brando
Do meu corpo ficará abrasante.

E se necessário for
Entregar-me ao despudor
E aos efeitos do teu feitiço,

Juro-te que isto eu farei,
Mesmo sabendo que estarei
Eternamente a ti submisso.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA



VOCÊ E AS OUTRAS FLORES
(Vivaldo Bernardes)


Dentre as flores que cultivo no coração
dedico especial cuidado a uma delas,
a única que me desperta comoção,
enchendo de ciúme as lindas umbelas.


Nem mesmo as mais belas e orgulhosas Rosas
comparam-se a uma chamada “Você”,
distinta das demais, até das mais formosas
exuberantes em requintado buquê.

Porém, por mais belas sejam as outras flores,
por mais perfumosas e por mais coloridas,
jamais se igualam a “Você” e aos seus odores.

Perfume adocicado e feminifloro
que me transforma em uma alma-perdida,
como Adão a vagar meu edem plurifloro.


O BURRO
(Patativa do Assaré)

Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.
CRÔNICA DA SEMANA


INFINITO PARTICULAR
(Eduardo Loureiro Jr.)

Acontece comigo pouco antes do orgasmo: o desejo de infinitude. Vontade de que aquilo nunca acabe, ou que recomece imediatamente. Mas quando o prazer escorre — líquido — o desejável infinito já se acabou.
Acontece também durante a escrita ou a leitura. Quando me aproximo do final, retardo o ritmo na esperança de que a criação ou a contemplação não tenha fim. Mas sempre tem.
Acontece ainda quando, vendo o sorriso no rosto da mulher amada, meu coração acredita que será assim pra sempre. Mas meu coração, fraco por natureza, logo esquece.
E tudo depois se repete: o prazer, a criação, o amor. Mas, antes que se repita, aparece a vontade de solidão, o fastio das letras e o desassossego do coração.
Eu brinco de lua com o infinito: ora cheio, dominante, ora novo, invisível. As fases, as frases, as fibroses. E de tanto brincar, no fim do que se chama tarde, às vezes me dá um cansaço: vontade de banho e de sopa de feijão, de futebol na TV e de sono.
Em quase tudo que quero, há o que não quero. Feito promoção: compre o que você precisa e leve o que você não precisa, grátis. "Grátis". E eu levo tudo ou levo nada, quase nunca levo só o que quero. Vida é assim o presente com penduricalho, o doce que amarga no final?
Mas não sou eu que rejeita o mel infinito e gosta de alternar entre o doce e o salgado? Não sou eu que admira o drible adversário? Sim, sou eu. Essas coisas todas do mundo — comida, comércio, futebol — falam mesmo é da gente. Com a lua lá em cima, cheia de si feito mulher bonita, como é que posso olhar pro céu e achar que estou sozinho nesse planeta? É nóis na fita!
Bom mesmo é o abraço que acalma e excita. A bola parando na rede enquanto a torcida grita. O livro que vira filme, o filme que vira vida.
O infinito é não dar pelo fim — por esperança, ignorância ou distração. O infinito à moda da casa de cada um. Infinito particular feito impressão de dedo, feito interpretação de juiz em lance duvidoso, feito DNA. Nada se pede, nada se tira, tudo se transborda.
Feito Sol que se põe, feito Lua que mingua, feito sêmen que vinga, feito palavra que rima, feito coração que expia... tudo que finda não finda: começa aqui mesmo em outro lugar.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

UM DEDO DE PROSA
MEUS PRIMEIROS FRUTOS

Onze anos após a publicação dos meus primeiros versos, os frutos do meu trabalho começaram a surgir.
Em agosto próximo passado, o livreto Planaltina em 150 Versos me rendeu uma singela (porém inesquecível) homenagem, que me foi feita pela Escola Classe 04 de Planaltina no desfile cívico, estudantil e militar, por ocasião do aniversário da cidade. E para fechar o ano de 2009 com chave de ouro, na última sexta-feira (dia 23/10) recebi a premiação referente à primeira colocação no Concurso Literário 200 anos de Louis Braille, realizado em São Paulo pela Sociedade Bíblica do Brasil. Espero que seja esse o primeiro prêmio de uma série de muitos que poderão vir.
É tudo a que aspira um escritor principiante: ver o seu trabalho reconhecido, não somente pelos amigos e familiares, mas também por todos aqueles que apreciam a literatura. E graças ao bom Deus estou alcançado esse objetivo, ainda que timidamente.
Já faz alguns anos venho divulgando, a conta-gotas, o meu trabalho por meio deste blog e do site Recanto das Letras. Hoje, porém, resolvi expô-los na íntegra. Quem quiser conhecê-los melhor, é só clicar em um dos títulos listados em “Obras Publicadas” (à direita) que o livro será aberto em arquivo PDF.
MEUS VERSOS LÍRICOS


*CORDEL A LOUIS BRAILLE
(Joésio Menezes)

Em mil oitocentos e nove,
No dia quatro de janeiro
Nascia Louis Braille,
Menino corajoso e guerreiro,
Filho de Simon Braille,
Um conceituado seleiro.


Nascido em Coupvray,
Cidade próxima a Paris,
Louis tinha tudo na vida
Para ser um garoto feliz,
Mas um acidente doméstico
Podou seus sonhos infantis.

Brincando na oficina do pai,
Aos três anos de idade,
Um instrumento pontiagudo,
Numa triste fatalidade,
Vazou seu olho esquerdo,
Reduzindo-lhe a visibilidade.

Dois anos mais tarde,
Uma grave infecção
Afetou-lhe o outro olho
E tirou-lhe o resto da visão.
Agora, totalmente cego,
Louis viveria na escuridão.

Porém sua vivacidade
Ajudou-lhe a desenvolver
Sua natureza investigadora
Que o ajudaria a bem viver
Num mundo cheio de luzes
Que ele jamais poderia rever.

A sua cegueira total
Não o impediu, porém,
De frequentar a escola
Nem de se tornar alguém
Capaz de mudar a visão
Do mundo e a sua também.

Aos dez anos de idade,
Por ser um aluno brilhante,
Ganhou uma bolsa de estudos
Que o levaria adiante
Na caminhada da vida,
Da qual inda era infante.

Conheceu o método de Barbier
Ainda na pré-adolescência,
Um método que o ajudaria,
Se usado com inteligência,
Nas dificuldades encontradas
No decorrer da sua vivência.

No entanto, suas limitações
Obrigaram-no a pesquisar
O método de Barbier
Com o intuito de encontrar
Uma saída para os problemas
Que o impediam de estudar.

Depois de alguns estudos,
No auge dos quinze anos,
Louis criou seu método:
O Braille, que mudaria os planos
De vida dos não videntes
Isolados dos outros humanos.

Aos dezessete anos,
Na função de professor,
Louis ensinava aos cegos,
Com dedicação e amor,
Usando o método Braille,
Do qual foi criador.

Alguns anos mais tarde,
Seu sistema genial
Também foi usado
Na notação musical
E na tradução de textos
Para o deficiente visual.

Aos vinte e seis anos,
Com a saúde já deficiente,
Contraiu uma tuberculose,
Mas teve vida suficiente
Para ver seu método Braille
Reconhecido publicamente.

Demitiu-se do magistério
Em mil oitocentos e cinquenta
Em virtude da saúde frágil
E da vida turbulenta,
Dedicando-se somente ao piano,
Quando já passava dos quarenta.

Em mil oitocentos e cinquenta e dois,
O menino que perdera a visão
Na oficina do próprio pai
Sentiu parar seu coração,
Mas faleceu com a certeza
De que sua luta não foi em vão.

*Texto vencedor do Concurso Literário 200 anos de Louis Braille, realizado pela Sociedade Bíblica do Brasil, em São Paulo.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


A CIGANINHA
(Miguel de Cervantes)

Quando Preciosa a pandeireta toca,
e fere o doce som os ares vãos,
pérolas são que espalha com suas mãos,
flores são que arremessa de sua boca.

A alma fica suspensa, a mente louca
aos atos sobre-humanos sem ação,
que por limpos, honestos e por sãos
sua fama lá no céu mais alto toca.

Pendentes do menor de seus cabelos
mil almas leva, e ajoelhado tem
Amor, que uma e outra flecha aos pés lhe deita:

cega e ilumina com seus raios belos,
seu trono Amor por eles se mantém,
e mais grandezas de seu ser suspeita.


A UM POETA
(Olavo Bilac)

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
CRÔNICA DA SEMANA

NEM TUDO SÃO FLORES
(Tais Luso de Carvalho)

Quando levo meu cachorro pra passear, meus olhos vão descobrindo alguns terraços cheios de flores, janelas com cortinas de crochê e bebedouros para os bem-te-vis. Um encanto! E cada dia que faço este passeio parece que esses terraços são mais e mais festivos, e que existem pessoas muito felizes naqueles lares. O sol, as flores, os bem-te-vis... Quando volto pra casa penso em transbordar minha sacada de flores, deixá-la como se fosse um jardim...
O que estarão fazendo os habitantes daquelas casas e apartamentos? É difícil imaginar que por detrás daqueles jardins encantados possa existir alguém triste, solitário e com uma montanha de problemas.
Mas são momentos de ilusão, uma vez que me afasta da violência da cidade e me permite pensar que a vida se apresenta sempre maravilhosa; deve ser o poder das flores...
Percebo que só tive esta ilusão porque supervalorizei o que estava longe, o desconhecido: as casas dos vizinhos da minha rua.
Mas aquela imagem me levou a pensar em outra coisa: será que as pessoas não se tornam ídolos porque estão longe e inacessíveis? Fico curiosa com a biografia de grandes nomes e tenho interesse pelos aspectos ocultos de grandes homens, de cientistas e pensadores que fizeram a história da humanidade. Os ídolos nunca são nossos iguais: precisam ficar no patamar da nossa imaginação, protegidos da curiosidade humana, envoltos num mistério que fascina.
Por isso, quero conservar os terraços de meus vizinhos à distância: poderei olhar as flores, os bem-te-vis e pensar, por momentos, que a vida será sempre maravilhosa. Depois volto à realidade, sem problemas. Afinal, nem tudo são flores!...

Terça-feira, Outubro 20, 2009

UM DEDO DE PROSA


RIO 2016: O QUE NOS AGUARDA?

Poucos dias após a confirmação do nome do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, o mundo fica estarrecido com imagens típicas de “filmes de guerra”: um helicóptero da Polícia Militar é abatido em pleno voo por traficantes. Segundo os noticiários, tudo começou quando um grupo de traficantes resolveu invadir o Morro dos Macacos, na Zona Norte do Rio, a fim de tomar os pontos de venda de drogas. Daí deu-se início a mais uma “guerra do tráfico”, cujo saldo negativo foi de 17 mortos, dentre os quais 02 PMs (tripulantes do helicóptero) e 03 jovens trabalhadores que voltavam de uma festa e foram abordados pelos bandidos.
Será esse o cenário encontrado pelos turistas que aqui chegarem em 2016 para assistirem às Olimpíadas? Serão essas as nossas boas-vindas às delegações estrangeiras?
Desde o início fui contra a candidatura do Brasil às Olimpíadas, pois acredito que se não temos condições de oferecer segurança a nós mesmos, mais difícil ainda será garantir a integridade física dos que aqui chegarem para competirem ou para assistirem às competições. Espero que não seja necessário um “acordo de trégua” com os traficantes durante as competições, o que seria vergonhoso para nós!...
Muito dinheiro será investido em obras superfaturadas (e muito mais será desviado, pois, infelizmente, essa prática já se tornou “cultura” em nosso país) até as Olimpíadas de 2016, cujas instalações devem ser suntuosas, pois “não devemos dar margem” às críticas dos gringos. Em consequência disso, o país voltará a ficar nas mãos do FMI.
Acredito que “fazer das tripas coração” para sediar um evento tão caro e tão aquém das nossas condições financeiras e sociais seria dar um passo atrás no que diz respeito à nossa qualidade de vida. Se toda essa verba, que será destinada às obras pró-olimpíadas, fosse aplicada em melhorias na saúde, na educação e na segurança dos brasileiros, teríamos melhores condições de lançar ao mundo atletas e, principalmente, cidadãos capazes de conquistas gloriosas que vão muito mais além do esporte olímpico.
Oxalá eu esteja enganado!...
MEUS VERSOS LÍRICOS


CASUALMENTE
(Joésio Menezes)

Só mais um decote teria sido
Não fosse a pessoa que o vestia...
Meu olhar não o teria percebido
A olhos nus, em plena luz do dia,

Não fosse o jeito descontraído
Da bela moça que o exibia
Sem saber que ali um enxerido
Aprendiz de poeta entraria.

E ao adentrar-me, que coisa bela!
À mostra estavam os seios dela.
Parte deles - que se diga a verdade! -,

Mas o bastante para instigar
O fogo ardente a me queimar
O corpo inteiro, sem piedade...


ÚLTIMOS VERSOS
(Joésio Menezes)

Serão estes os últimos versos meus
Oferecidos aos lindos olhos teus?
Não sei!... Isso não posso afirmar,
Pois toda vez que os fito, me encanto
E quando encantado fico, me espanto
Com o doce feitiço do teu olhar.

E toda vez que penso em me dizer
Que não mais sinto vontade de escrever
Versos quaisquer aos olhos teus,
Uma força estranha se apossa de mim
E me diz que não posso pensar assim,
Pois são os teus olhos obras de Deus.

Mas posso afirmar, com certeza,
Que o doce feitiço e a beleza
Que têm esses lindos olhos teus
Muito me ajudaram a perceber
Que antes dos que ainda irei fazer,
Serão estes os últimos versos meus.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


PRIMAVERA
(Graciela da Cunha)

Olhos ávidos de setembro.
Surge a primavera, estação
das cores e sabores,
dos pássaros a cantarem,
das borboletas a voarem,
dos beija-flores a beijarem,
flores a desabrocharem.

Ela (primavera) chega
espalhando magia no ar,
deixando mais belo os jardins.
Viva a primavera! Minha alma sorri!
As esperanças renasceram tingindo o caminho.

As rosas trazem delicado perfume:
amarelas chega com a esperança,
vermelhas da cor da paixão,
brancas mostrando a pureza
que cantam e bailam no vento.

Na primavera as flores florescem,
sorriem e cativam o amor,
brota mais uma poesia
que baila e canta ao vento.


INSENSATO AMOR
(Aila Sampaio)

Insensato amor
que não escuta o barulho dos ventos
nem se rende às tempestades
dos silêncios da madrugada.
É de sonho seu tropel,
a contar estrelas
para matar o tempo e seguir estrada;
são de ternura os remos de sua ilusão
a deter a correnteza do rio que o arrasta.
Maltratado amor, posto à deriva
sob os serenos e as quedas d´água
não lê os avisos de perigo
nem se furta aos despenhadeiros;
lança-se aos abismos, desce cascatas,
mas não se deixa vencer
nem mesmo pelas noitadas
quando quer voltar,
mas lembra que não tem casa.
Insensato amor que navega
sozinho sem remos
e voa sem ter asas...
CRÔNICA DA SEMANA


DESPERTEI COM SEDE DE VIVER!
(Djanira Luz)

Dormir com sede dá nisso. Estava tão frio que não quis levantar da cama para beber água. Sonhei que estava numa ilha desértica. Não uma ilha qualquer, era diferente. À minha frente aquelas imagens magníficas e esdrúxulas, surrealistas a “la Salvador Dali”.
Acordei com a boca mais seca ainda, e para meu espanto, me vi na paisagem do meu sonho. Sentada. Sozinha. Uma mesa, quatro cadeiras e um vazio em mim que preenchia a ilha de interrogações. Vivo ou sonho tudo isso? O deserto diante dos olhos será a ausência de criatividade, de esperanças, de opções... O que me falta? Um medo nunca experimentado tomou conta do corpo, da mente e, mesmo sob o Sol, me arrepiei toda. Sentia medo e tive dúvidas diante daquela imagem que visualizava.
O medo fez descer dos olhos uma lágrima que me salgou os lábios. Então, senti que onde mais importava não havia se feito deserto: o meu coração! E, olhei novamente a paisagem com outro olhar e pude ver mais do que as areias que tentavam cobrir meus pensamentos bonitos e coloridos. Enxerguei aquela linda árvore imponente, soberba, sobrevivente a toda seca. Avistei ainda o mar que me dizia sem falar... “Se há amor, por mais caminhos áridos que se depare, haverá sempre de avistar uma vereda”.
Para todos meus receios obtive respostas. Só uma não ousei descobrir: se sonhei ou vivo tudo isso. Não importa! Não desejo saber. De posse das demais explicações já não interessa conhecer.
Certifiquei-me naquele instante de que sonhar, dormindo ou acordada, me ajuda a viver...

Terça-feira, Outubro 13, 2009

UM DEDO DE PROSA


INOCÊNCIA DE CRIANÇA

Às vésperas do DIA DAS CRIANÇAS, muitas delas perderam suas casas por causa de um incêndio numa favela, em São Paulo. Mas mesmo assim, lá estavam elas sorridentes e saltitantes durante as comemorações do seu dia.
Certas estão elas em esquecerem as desgraças por que passam dia-a-dia. Errados somos nós, os adultos, que nos deixamos abater pelos obstáculos do destino e pelas intempéries da vida; nos entregamos aos percalços provocados pela mesmice do nosso cotidiano; nos irritamos com a alta dos preços e dos impostos, com a falta de escrúpulos dos nossos políticos e com o descaso das autoridades acerca da saúde, segurança e educação do nosso país; nos incomodamos com a falta de higiene dos nossos circundantes; nos estressamos com o caos do trânsito...
É por causa, principalmente, desses fatores que as crianças chegam à idade adulta com mais qualidade de vida que nós, que dificilmente chegaremos à velhice se assim continuarmos “levando a vida”.
Ah!... como seria bom se pudéssemos ignorar todas as mazelas da humanidade e encarar nossos problemas com menos seriedade, com menos estresse, com mais humor, com a inocência das crianças, porém com sabedoria.
MEUS VERSOS LÍRICOS



A FLOR E A BORBOLETA AZUL
(Joésio Menezes)


Era verão quando a flor nasceu.
Em fevereiro, para ser exato...
Os anos passaram, a flor cresceu
E hoje nos encanta com seu recato.


Um presente do bondoso Deus
Aos simples mortais, isso é fato,
E principalmente aos olhos meus,
Que o eternizaram como num retrato...

E se não bastasse tanta beleza,
A arte imitou nossa Mãe Natureza
E enfeitou inda mais a linda flor:

Em sua espádua, uma delicada
Borboleta azul fora tatuada,
Causando ciúmes ao beija-flor.


MEU SONETO DE FIDELIDADE
(Joésio Menezes)

Aos meus versos serei mais atento
Antes que deles eu perca o encanto
E sobre essa perda verter meu pranto
De tristeza e descontentamento.

“Quero vivê-los em cada momento”
De inspiração que me chega, e enquanto
Eu estiver entoando meu canto,
Que eles não suplantem meu sofrimento.

Mas se assim eu for recompensado
Por tudo que a eles eu tenho dado,
Certamente me sentirei no céu,

Pois se desejo a felicidade,
Não posso exigir fidelidade
A quem jamais pude ser fiel.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


O MEU SOL
(Vivaldo Bernardes)

O meu Sol se apagou e nada mais eu tenho
senão a escuridão e as desilusões
que infestam o meu viver de modo tão ferrenho,
matando o que restou das minhas pretensões..

Chorei a tua falta até secarem os olhos;
cantei tua partida em tristes versos meus.
Mas tu não escutaste os lamentos e entolhos
e não te importam meus gestos de adeus.

Agora que partiste e tudo já passou,
meu drama continua, pois não se acabou
a dor que ainda choro inconsolavelmente.

Tu eras o meu Sol e eu me aquecia em ti.
São tempos já passados e eu nunca esqueci
os beijos que me davas, enlouquecidamente.


SENTIMENTOS D'ANTES GENUÍNOS
(Taciana Valença)

Suscitou sob obscura forma
um ímpeto de atroz insanidade
tornando tormento
delicada afetividade

que por mais que pura
vascila, oscila e sucumbe
ao precipício da frivolidade
fazendo vencer o falso
sobre o genuíno
restando o descaso
no abandono do ninho

Ah!
Quão raros são os escrúpulos!
Vivendo em nimbos
onde a leviandade os desbancam

Fechando os olhos
aos seus apelos
rindo-se pois
por tantos zelos!
CRÔNICA DA SEMANA


SOU APENAS UMA CRIANÇA
(Marcial Salaverry)

Não quero ser apenas uma projeção para o futuro. Quero que me consideres um presente para o presente de tua vida. Preciso de teu amparo, de tua mão forte. Preciso que mantenhas a luz acesa, para que eu possa enxergar meu caminho. Peço que não me desampares, que não deixes que eu enverede por caminhos errados. Não tenho experiência de vida, portanto preciso de uma orientação segura, para caminhar no rumo certo.
Para que eu possa ajudar o mundo a viver em Paz, preciso saber o que é Paz. Como achá-la e mantê-la. Não me ensine o caminho da guerra. Não me ensine a lutar, a guerrear. Não me presenteies com armas. Ensine-me a brincar, e não a guerrear, a lutar. Ensina-me a ser cordial. Ensina-me a generosidade, a ser sincero, a ser correto em minhas atitudes.
Principalmente, ensina-me a praticar o bem. Peço-te não me ensinar a fazer conchavos e mutretas, mas apenas a ser correto. Ensina-me a ser uma criatura do bem. Não quero ser corrupto, nem desonesto. Estou iniciando minha vida, e preciso de bons exemplos.
Não espero que me dês somente o alimento, ou bens materiais. Espero que me dês luz e entendimento, que me ensines como é a vida.
Não quero que apenas me cubra de carinhos. Peço que me eduques com amor, e com castigos, se os merecer. Não quero ser apenas uma criança mimada, quero ser uma criança educada, e que saiba respeitar meus semelhantes.
Além de brinquedos, peço que me mostres com bons exemplos como praticar o bem, como ajudar a outrem. Peço que converses comigo, que me fales de seus problemas, que me expliques tudo o que preciso saber. A vida não é apenas brincadeiras e festas. Tem seu lado prático, tem seu lado difícil, que preciso conhecer também.
Espero que não me consideres apenas com um objeto para ser tratado com cuidado e desvelo, pois sou uma pessoa que está chegando para viver a vida. Esta mesma vida que vivestes.
Espero merecer teu carinho e não apenas recebê-lo sem merecimento ou devotamento. Espero que me estendas a mão com amizade e amor, e não apenas por obrigação de pai.
Espero que me ensines a ser bom e justo, a perdoar e ser perdoado. Estou chegando agora, e nada sei da vida. Dependo de ti para bem vivê-la. Para marcar meu caminho com boas atitudes. Portanto, peço que corrija minhas falhas, enquanto ainda posso aprender. Não espere que o pior aconteça para depois tentar consertar.
Ensina-me os piores vícios, para que eu saiba evitá-los. Se não souber de seus malefícios, se não souber como e o que são, não estarei preparado para resistir às tentações.
Ensina-me a arte do bem viver agora, para que eu não chore amanhã, e nem te faça chorar, depois que coisas irremediáveis acontecerem.
Não espere que eu fique para sempre junto de ti. Sou a flecha que atirastes para o mundo. Se me colocares no rumo certo, atingirei um bom alvo.
Enfim, estou aqui, e tudo espero de ti. E que me ajudes a fazer deste dia UM LINDO DIA.

Terça-feira, Outubro 06, 2009

UM DEDO DE PROSA


ABDUÇÃO PASSIONAL

Hoje, logo bem cedo, ela me apareceu mais linda que os outros dias. Trajava uma blusa vermelha combinando com seus “apetitosos” lábios carmins e uma calça preta colada ao seu belo corpo, cujo Artista-Maior não economizou esmero ao esculpi-lo. No rosto, um semblante angélico-libidinoso acompanhado de um belíssimo sorriso, daqueles de tirar o juízo de qualquer mortal. Parecia, inclusive, que essa era a sua intenção para comigo, pois, ao desejar-me bom-dia, seus trejeitos feminis e o seu penetrante olhar despertaram-me a libido e aguçaram-me ainda mais a vontade de viver intensamente cada momento à sua frente e o desejo de que aquele instante se torne eterno nas minhas lembranças, nos meus pensamentos...
Tão logo despediu-se, senti um vazio invadir meu peito e uma sensação de perda apossar-se de mim. E durante todo o dia, fiquei apaixonadamente sonhando acordado com aquele momento de júbilo espiritual em que minh’alma abduzia-se para outro plano e o meu coração fartava-se de contentamento enquanto ela, o anjo libidinoso de lábios carmins, permanecia graciosa à minha frente.
Um misto de tristeza e felicidade incomodava-me: tristeza pelo fato de ela ter ido embora, deixando-me sob os desmandos da saudade; felicidade pela certeza de que amanhã ela, a belíssima e encantadora Flávia Alvarenga, estará de volta (esbanjando toda a beleza e simpatia que Deus lhe deu) à telinha da minha televisão, desejando-me um “bom-dia” melhor que o de hoje no seu quadro do Bom-Dia DF.
MEUS VERSOS LÍRICOS


VERSOS A TI
(Joésio Menezes)

Hoje escrevo meus versos
pensando em teu olhar fogoso
pedindo-me mais um afago;
em teu riso largo
transbordando de desejos,
de prazer,
de felicidade,
de satisfação...

Hoje escrevo meus versos
pensando em teus beijos ardentes,
em teus lábios ensandecidos
à procura dos meus,
em teu hálito refrescante
com cheiro e sabor de hortelã,
em tua voz ofegante
sussurrando palavras excitantes
aos meus ouvidos nada inocentes.

Hoje escrevo meus versos
pensando em teu corpo suado,
sedento de amor,
febril de tesão,
oferecendo-se às carícias,
ebulindo com o orgasmo...
em erupção.

Hoje escrevo meus versos
pensando unicamente em ti,
em mais nada,
em mais ninguém.


COLÍRIOS
(Joésio Menezes)

Lácrima Plus, Maxitrol,
Hipromelose, Tobradex,
Florate, Dexafenicol,
Acular, Cilodex,
Predfort, Atropina...

Camila Pitanga, Valéria Valença,
Thaís Fersoza, Flávia Alvarenga,
Mariana Godoy, Carla Vilhena,
Luciana Ávila, Gisely Lorena...
Scheila Carvalho, Ana Carolina...

Aguenta firme, retina!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


POÉTICA
(Vinícius de Moraes)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.


INSTANTES
(Jorge Luís Borges)

Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais
e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e produtivamente cada minuto da vida,
claro que tive momentos de alegria.
Mas se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida,
só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas.

Se voltasse a viver,
começaria a andar descalço
no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas já viram,
tenho oitenta e cinco anos
e sei que estou morrendo.

PALAVRAS AO VENTO
(Pedro Bial)

A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso!
Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo".
Com D , se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro.
O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta pior que ´não`, uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

UM DEDO DE PROSA


AQUECIMENTO GLOBAL

Se hoje eu fosse escrever algo, escreveria a respeito do calor infernal por que passamos aqui em Brasília. Mas para isso, eu deveria entender ao menos um pouco de meteorologia para compreender melhor o que está acontecendo, pois enquanto aqui parece estarmos à beira de um vulcão, mais uma vez o Sul do país está submerso nas águas que caem impiedosamente do céu. Por lá, parece que um novo dilúvio está na iminência de acontecer, enquanto por aqui a sensação que temos é que o calor está superior às caldeiras do inferno.
Todos os dias são noticiadas na televisão, nos jornais e revistas as catástrofes climáticas e as mudanças que estão ocorrendo, rapidamente, no clima mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos devastadores como tem ocorrido nos últimos anos.
As causas apontadas pelos cientistas para justificar este fenômeno podem ser naturais ou provocadas pelo homem. Contudo, cada vez mais as pesquisas nesta área apontam o homem como o principal responsável.
Dizem ainda as pesquisas que tudo isso por que estamos passando é proveniente do “Aquecimento Global”, que está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente derivados da queima de combustíveis fósseis (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito estufa. Este fenômeno ocorre, pois, esses gases absorvem grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão do calor.
Se a humanidade é tão nociva a si mesma, pois está destruindo seu próprio habitat, por que então ela não se conscientiza disso e para de fabricar carros, ou de derrubar árvores, ou de produzir meios que levem ao fim do planeta? Por que os homens não buscam viver em paz com a natureza e, consequentemente, consigo mesmos?
Perguntas cujas respostas gostaríamos de ter na ponta da língua; e enquanto elas não vêm, compremos um leque e tomemos muito líquido.
MEUS VERSOS LÍRICOS

PARALELISMO INEXISTENCIAL
(Joésio Menezes)

Não existe noite sem o dia,
Não existe primavera sem flor,
Não existem conquistas sem sabedoria,
Não existe poesia sem amor.
Não existe bem sem o mal,
Não existem fantasias sem o real,
Não existem desejos sem pudor.

Não existe vida sem o Criador,
Não existe pecado sem perdão,
Não existem sonhos sem sonhador,
Não existem perspectivas sem visão.
Não existe morte sem a vida,
Não existe adeus sem despedida,
Não existem problemas sem solução.

Não existe romance sem paixão,
Não existem apaixonados sem recaída,
Não existe libido sem atração,
Não existe chegada sem partida.
Não existe inferno sem o céu,
Não existe própole sem mel,
Não existe futebol sem torcida.

Não existe refúgio sem acolhida,
Não existe ausência sem saudade,
Não existe ladeira sem subida,
Não existe espera sem ansiedade.
Não existe perda sem procura,
Não existe medicina sem a cura,
Não existe saúde sem enfermidade.

Não existe tristeza sem felicidade,
Não existe música sem melodia,
Não existe guerra sem maldade,
Não existe paz sem harmonia.
Não existe canção sem compositor,
Não existem livros sem escritor,
Não existe poeta sem poesia...


DOR DE POETA
(Joésio Menezes)

O que sente o poeta
não é uma dor doída
nem "a dor que deveras sente",
tampouco uma dor fingida,
mas uma dor quase discreta
presente no coração de quem sente
prazer em viver sua vida
meio abstrata, meio concreta
ou meio vida, simplesmente...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA


AMAZONA
(Virgínia Fulber)


Cavalgando vento
Amazona estou
com meu verbo
- arco e flecha -
atiro versos ao louvar-te
berço verdejante

Quando os homens brancos
esquecem dos bebedouros
na vileza
somos nós mulheres
águas hábeis
entre lágrimas, canto
filhos encantos
a chamar vos
ao lar

A voltar vossos olhos
sobre si mesmos
a pensar sobre a caça desmedida
sobre a ganância que mata fêmeas
nascentes de rios e, florestas...

Hoje a deusa necessidade pede
espaço ao amor
à solidariedade bela
que faz sua casa na arte
e na guerrilha
que chamamos Poesia.


OS ESQUECIDOS
(Aline Simone Paula Rodrigues)

Eles não têm casa,
Dormem no chão.
Para alguns, são desgraçados
Que não merecem um pão.

São pobres, descalços,
Sem roupas e sem amigos,
Pois vivem nas calçadas
Procurando um abrigo.

Esses homens pobres
Necessitam de compaixão
Eles não merecem sobras
E nem o pé no chão.

Vivem à procura de teto,
Fugindo da solidão.
Muitos não lhes dão afeto
E nem um pedaço de pão.

Essa é a consciência bruta
Das pessoas que não conseguem ver
O seu semelhante
Que não conhece o amanhecer
CRÔNICA DA SEMANA


WINDOWS" PARA O MUNDO!!!
(Djanira Luz)

Bill Gates quando criou o software Windows, revelou-se um visionário. Com ele o mundo aprendeu a sonhar, a ir mais à frente, a chegar mais longe, a encurtar distâncias, a unir universos, a quebrar barreiras. Tudo isso devido a ele ter aberto “janelas” para o mundo...
Aproveitando a brecha de uma janela, venho dizer que prefiro janelas a portas. Fique claro que eu falo de uma forma figurativa. Bem, vou abrir a janela da minha mente para clarear os meus pensamentos.
Vejo portas como atitudes. Abro ou fecho para aquilo que me agrada ou não. Fecho porta e digo “não entre” para o importuno, para o inconveniente, para o incômodo, etc. Uma porta fechada para alguém é como dizer: “Não quero", "não posso", "não desejo", "retire-se”. Todas essas atitudes que tomamos quando não estamos satisfeitos com o outro o com a situação que o outro nos causa. É bem mais fácil fechar portas do que abrí-las...
Agora janelas são sentimentos. Janela foi projetada para que a luz do Sol e o ar entrem na casa. Janela é uma passagem onde os sentimentos podem circular livremente. Por ela posso observar, apreciar, analisar e assim dar uma opinião sincera.
Como porta, corro o risco de atitudes impensadas, precipitadas, de agir impetuosamente e fazer um julgamento injusto, beneficiando somente aquele ou aquilo que me agrada.
Deve ser por isso que existe aquele pensamento... “Quando nos fecham uma porta, Deus nos abre uma janela, para que vejamos algo de novo!" Sim, janelas são possibilidades!
Janelas são visões onde você pode parar para pensar e refletir nos seus possíveis erros, algumas falhas ou algo que precise melhorar.
Já fechei muitas portas, abri outras. Também fecharam algumas portas para mim, outras sempre estarão abertas, independente do que eu venha a fazer.
Prefiro a janela. Entre mim e ela há uma troca. Por ela observo, analiso, enriqueço, admiro, seja em casa, no trabalho, onde houver uma janela. Em recompensa, ela me ilumina e refresca meu interior dando-me ideias, visões e um mundo de infinitas possibilidades...
Portas são atitudes. Janelas, sentimentos... Envio, então, minhas "windows" para o mundo!!!