Terça-feira, Julho 07, 2009

UM DEDO DE PROSA


DE CRONISTA E LOUCO TODOS NÓS TEMOS UM POUCO

Se fôssemos dar ouvidos a tudo que se noticia nos tablóides e nos telejornais, certamente ficaríamos todos loucos, pois só o que se vê, se ouve ou se lê são notícias cuja alienação mental dos envolvidos contamina toda e qualquer mente em sã consciência.
Enquanto nos Estados (e no restante do mundo) ainda se fala no funeral de Michael Jackson, as notícias que vêm de Honduras preocupam as nações que lutam incessantemente por um regime democrático; enquanto o mundo clama por paz, os norte-coreanos fazem testes nucleares lançando mísseis pelo espaço; enquanto no Brasil ainda se comemora a indicação do país como sede da Copa do Mundo de futebol de 2014, os Senadores antecipam o recesso parlamentar, pois se sentem cansados após exaustivas discussões acerca dos “Atos Secretos”, os quais são inocentemente usados com o fraterno intuido de nomear parentes e amigos, criar cargos e aumentar seus próprios salários. Mas tão logo nossos Senadores (dignos representantes do povo) retornem do merecido descanso, as discussões sobre o referido assunto serão retomadas e as decisões “secretamente” engavetadas, que é para não nos causar transtorno.
E antes que digam que estou ficando louco, pois não estou falando “coisa com coisa”, encerro minhas palavras dizendo que enquanto a população anda em polvorosa por causa da gripe suína, eu ainda tenho esperança nos homens e tenho certeza que eles encontrarão uma solução para os problemas do mundo, se Deus assim permitir.
Mas enquanto essas soluções não chegam, remediemo-nos com o que temos de melhor em nosso país: a literatura.
MEUS VERSOS LÍRICOS



TRÊS ENCONTROS
(Joésio Menezes)

Apenas três encontros - não mais que isso -
Foram suficientes para abalar meu coração,
Para acender as chamas do meu tesão,
Para eu ficar encantado com o teu feitiço.


Para que o meu peito submisso
Transgredisse as normas da razão
E aceitasse os desmandos da paixão,
Deixando, assim, de ser castiço.

Para que eu deixasse de lado a timidez
E liberasse de mim – de uma só vez –
A inspiração, os desejos, a libido...

Apenas três encontros, nada mais,
Para me arrancarem incessantes ais
Sem que ao menos eu soltasse um gemido.


SONETO A CECÍLIA MEIRELES
(Joésio Menezes)

Se canto, não sou triste;
Se escrevo, dizem que sou poeta;
Se sei que o instante existe,
Sinto minha vida discreta.

Se não sinto gozo nem tormento,
Se sem “motivo” eu me desfaço,
Procurando versos no vento
Noites e dias em vão eu passo.

Se cantar para mim é tudo,
Talvez um dia ficarei mudo,
Porém calado hoje não fico...

Se das coisas fugidias não sou irmão,
Sei que esta poesia não é canção
E nesta certeza eu me edifico.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



BUSCANDO A CRISTO
(Gregório de Mattos)

A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra chamar-me

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.


A CONCHA E A VIRGEM
(Gonçalves Dias)

Linda concha que passava,
Boiando por sobre o mar,
Junto a uma rocha, onde estava
Triste donzela a pensar,

Perguntou-lhe: — "Virgem bela,
Que fazes no teu cismar?"
— "E tu", pergunta a donzela,
"Que fazes no teu vagar?"

Responde a concha: — "Formada
Por estas águas do mar,
Sou pelas águas levada,
Nem sei onde vou parar!"

Responde a virgem sentida,
Que estava triste a pensar:
— "Eu também vago na vida,
Como tu vagas no mar!

"Vais duma a outra das vagas,
Eu dum a outro cismar;
Tu indolente divagas,
Eu sofro triste a cantar.

"Vais onde te leva a sorte,
Eu, onde me leva Deus:
Buscas a vida, — eu a morte;
Buscas a terra, — eu os céus!
CRÔNICA DA SEMANA


CRÔNICA DA LOUCURA
(Mário Prata)

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos: o louco propriamente dito e o que cuida do louco (o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra). Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos... Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos, e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo.
E a sala de espera de um “consultório médico”, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinqüenta anos e uma velha gorda. Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles? Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. "Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento", pensei. Ou era que não conseguiu entrar como sócio do “Harmonia do Samba”? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina. E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido. Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não!... Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha “viagem” na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu psicanalista:
“- O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha é a Dona Dirce, minha mãe. E você não vai ter alta tão cedo…“

Terça-feira, Junho 30, 2009

UM DEDO DE PROSA


JORNALISTAS, ESPÉCIMES EM EXTINÇÃO

Solidarizo-me com os Jornalistas brasileiros que mais uma vez foram rechaçados pelo autoritarismo burro e medíocre do “nosso” Judiciário (digo “mais uma vez” porque quando do regime militar eles também foram pisoteados, humilhados e, muitos deles, exilados, sem nos esquecermos dos “desaparecidos”).
O STF, na pessoa do “Todo Poderoso” Gilmar Mendes e mais sete “divindades teocêntricas”, decidiu pela dispensa do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão alegando que não “são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício” que essa seria a “garantia do exercício pleno das liberdades de expressão e informação”.
Analisando por esse ponto de vista e pela argumentação do jornalista Gadelha Neto, qualquer pessoa alfabetizada (e que possa se responsabilizar pelos atos) pode almejar a qualquer cargo de Nível Superior sem a obrigatoriedade de se apresentar Diploma, desde que não haja “risco que decorra do desconhecimento de alguma verdade científica”.
E sendo assim, eu também...

...QUERO SER JUIZ DE DIREITO, SEM EXIGÊNCIA DE DIPLOMA
(Gadelha Neto)

A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo.
Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal "martelada".
Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos.
Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei - durante o curso de jornalismo (!) - filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética - entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc.
Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo.
Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis - e elas são justas em si - existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente - usando da simplicidade do STF - seguir a "receita de bolo" descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos?
Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha - por favor, compreendam), quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.


O QUE MAIS ELES (OS "DEUSES" DO JUDICIÁRIO) FARÃO?
MEUS VERSOS LÍRICOS


MPB
(Joésio Menezes)

“Eu sei” que “é preciso saber viver”
Com “todo amor que houver nessa vida”,
Pois “só as mães são felizes”
E “os brutos também amam”
Ao menos por alguns “segundos”.


E “mesmo sem querer”,
“É o amor” uma “nuvem passageira”
Na “vida bandida” de “velhos e jovens”
Que vão “tocando em frente”
O “preconceito” contra “esse cara”,
Que é “rebelde sem causa”.

E “prá não dizer que não falei das flores”,
“É primavera” e a “orquídea negra”,
De quem “as rosas não falam”,
Cantou “Ciranda da Rosa Vermelha”
A um pequeno “passarinho”
De “codinome beija-flor”
“À sombra de um jatobá”.


AS CANÇÕES DE CAETANO
(Joésio Menezes)

“Desde que samba é samba”,
“Descobri que sou um anjo”
E que tenho o “dom de iludir”
“A filha da Chiquita Bacana”
Com meu “amor mais que discreto”.

Mas “eu não peço desculpa”
Se deixo a “morena dos olhos d’água”
“morrer-se assim” com “dor-de-cotovelo”
Por causa da “dama das Camélias”,
Com quem sou “muito romântico”.

E já que “nosso estranho amor”
É um “eclipse oculto”,
Faço uma “oração ao tempo”
Para que, “sete mil vezes”,
Ela possa me dizer: “eu te amo”.

“Acontece” que é “coisa do destino”
A “incompatibilidade de gênios”
Que há entre “ela e eu”:
Ela curte “blues” e “Peter Gast”;
E eu, as canções de Caetano.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


SUA BOCA
(Rosa Cândida)

Sua boca suave
beijando meu corpo,
delírios,
vontades,
não posso ainda...
Guardo meus desejos
para mais tarde
saborear seu sabor!

Provarei,
de você quero tudo...
Quero sentir seu suor,
seu gemido
de prazer contido.
Você é minha canção...
Durmo no seu embalo
aconchego-me no seu corpo!

Nos meus sonhos sinto você
chegando mais perto
diminuindo essa distância
dos dias que não terminam.
Venha, chegue mais perto,
encoste sua boca na minha,
deposite o seu mel de amor
no pote dos desejos!...


O PAI DE UM NOVO DIA
(Pádua de Queiroz)

Quem traçou a linha do horizonte,
Dividindo assim o Céu e o Mar?
Quem acendeu o Sol tão escaldante,
Que ao nascer da mais vida ao meu lugar?
Quem guia o perdido navegante,
Que num porto seguro deseja atracar?
Quem plantou a Selva verdejante,
Que o nativo insiste em habitar?
Quem inspira o poeta nesse instante,
Para em versos e prosas perguntar?
Quem é este Ser tão importante,
Que nos fez tão somente para amar?

Fez o amor
E do amor Ele fez a vida,
E da vida fez a paz e a harmonia.
Mas existe ainda quem duvida
Que DEUS é o pai de um novo dia?
CRÔNICA DA SEMANA


AH, ANOS 80!...

A repercussão sobre a morte de Michael Jackson me fez voltar aos anos 80, quando ele esteve no auge do sucesso e da fama e ainda longe dos escândalos que cercaram a sua vida pessoal. Confesso que fiquei muito triste com a notícia da sua morte, pois foi ele o meu grande ídolo da música e da dança da época que, para mim, foi o início, o meio e o fim dos “anos dourados” da minha geração.
Em meados dos anos 70 (lembro-me muito bem!) as festas não eram em boates e/ou clubes, mas sim nas casas de amigos ou conhecidos, ou ainda de conhecidos dos amigos ou de amigos dos conhecidos mais próximos. Entretanto, apesar da distância afetiva, as portas ficavam sempre abertas a quem estivesse a fim de se divertir, de dançar, de conquistar uma namorada (na época não existia essa de “ficar”!)... E aos que gostavam de dançar de “rostos coladinhos”, as músicas mais tocadas nessas festas eram “Ben” e “I’ll be there”, dos Jackson Five, grupo que projetou ao mundo o inesquecível Michael Jackson.
Voltando a falar dos anos 80, considero-os “dourados” porque foi naquela época que surgiram as grandes bandas musicais do cenário nacional (Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Titãs, Barão Vermelho, Engenheiros do Hawai, dentre outras) e internacional (U2, The Police, A-Ha, Duran-Duran, Tears For Fears, e outras mais), que ressurgiu o fenômeno Michael Jackson, que se deu fim à Ditadura Militar, que os grandes gênios brasileiros começaram a voltar do exílio, que comecei a namorar minha esposa, que nasceram os meus filhos...
Como se vê, motivos eu tenho de sobra para considerar a década de 80 como “a década” da minha geração, pois foi naqueles anos que, embalado pelas músicas de Michael, vivi os melhores e mais românticos momentos da minha vida, apesar da “melancolia” e das “promessas de amor” cantadas por Raul Seixas em “Anos 80”.
Hoje, eu e meus contemporâneos sentimos saudades daquela época e choramos a morte do grande responsável pela revolução do Show Business mundial, Michael Joseph Jackson.

Terça-feira, Junho 23, 2009

UM DEDO DE PROSA


ENQUANTO ISSO, NO CASTELO DE ABRANTES...

Hoje, mais uma vez assistindo ao “Bom-Dia DF”, fiquei em estado de indignação ao ver a matéria sobre a falta de médicos na Rede Pública de Saúde do DF.
Sei que em todo o país a Saúde (a exemplo do caráter dos nossos políticos) está na UTI, no entanto, o que nos deixa indignados é o fato de o excelentíssimo senhor Governador “Comigo Ninguém Pode” gastar uma quantia fabulosa com propagandas semanais dizendo que fez isso; que fez aquilo; que entregou mais um posto de saúde à comunidade tal; que instalou mais um posto policial; que assinou mais um empréstimo junto ao Banco Mundial (mas com que finalidade não se sabe ao certo!)... Porém, em momento algum eles dizem que está faltando médicos; que os recém-contratados, motivados pelo baixo salário e pelas péssimas condições de trabalho, estão pedindo demissão; que os hospitais estão sucateados; que está faltando remédio nas farmácias públicas e que o povo está morrendo à míngua nas filas dos hospitais. Essas últimas informações não lhes fazem subir nas pesquisas do IBOPE nem lhes garantem votos nas próximas eleições.
Enquanto eles se preocupam com as reformas “faraônicas” dos estádios de futebol que receberão dois ou três jogos de seleções estrangeiras na copa de 2014 e com a construção de viadutos onde o fluxo de veículos automotores não exige tanto, o povo estende as mãos para o céu esperando que venham de lá a cura das suas enfermidades, um pouco de vergonha para os nossos governantes e, quem sabe, uma solução para os problemas de Saúde Ética e Moral por que passam o Senado e as Câmaras dos Desputados e Distrital.
MEUS VERSOS BURLESCOS


PRESERVANDO A NATUREZA
Com o devido respeito àqueles que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo
(Joésio Menezes)

Uma linda garota
Apareceu-me outro dia
Vestida numa camiseta
Com uma frase que dizia:
“Preserve a natureza,
Não coma veado”.
Compreendi o sentido
E a clareza do recado.

Um pingo é letra
Para um bom entendedor.
A jovem estava à procura
De algum caçador,
Para mostrar-lhe a importância
Da natureza e da vida,
E que existe outra carne
Mais saudável a ser comida.

Concordo com a garota
Em número, gênero e grau.
Para quê destruirmos a natureza
Se ela não nos faz mal?
Para quê comermos veado
Se temos ao nosso redor
Alguém que nos ofereça
Uma carne bem melhor?


A COR DO PECADO
(Joésio Menezes)

Se eu estivesse à procura
Certamente não encontraria,
Nas primeiras horas do dia,
Aquela amável criatura.

Mas, foi obra do destino
Mandar-me, elegante e faceira,
Numa manhã de terça-feira
Aquela que me tirou o tino...

De minissaia, mas, com postura
De mulher recatada e madura
Ela sentou-se ao meu lado.

E num movimento inocente
Mostrou-me sua calcinha transparente
Da cor instigante do pecado.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


EM SEUS BRAÇOS
(Zany Lopes)

Me aconchego em seus braços
Tal qual uma borboleta pousa numa flor
Em busca do néctar que a alimenta...

São neles que me embriago
Me perco
Me acho...

São neles que me entrego
Esqueço do tempo
Esqueço de mim...

São neles que eu sonho
Que viajo
Que vivo os momentos mais felizes...

São neles que sou verdadeiramente eu
Sem precisar de mais nada
Apenas de você.


SONETO (SE A VIDA...)
(Miguel Eduardo Gonçalves)

Se a vida passageira é a que vive
Por onde sei que a incerteza se agita
Qual do amanhã segredo em que não estive
Sonhado sonho, brilhante pepita

Neste pensar em que o tempo inclusive
Ao lado inexistente de uma vida
O amor procure como detetive
Por tal trajetória tão perseguida

Como clareia o sol e faz-me crer
Descortina-se um novo amanhecer
Teatro numa nova temporada

Notas que fazem a paixão valer
Que em frasco de perfume raro nada
Um certo olhar que acende a madrugada
CRÔNICA DA SEMANA


APAIXONAR-SE
(Cynara Amâncio)

Muitos veem a paixão como uma coisa boa. Não que eu queira dizer que seja ruim, mas nem sempre é um mar de rosas como pensam. Assim como muitas outras coisas, a paixão também tem dois “gumes”: pode proporcionar-nos momentos felizes bem como infelizes.
Posso afirmar, com todas as letras, que estar apaixonado é maravilhoso, porém, somente quando essa paixão está sendo correspondida. Quando ela não é recíproca, vive-se num mundo de ilusões. Mas, afinal, o que é ilusão?
Quando vamos dormir, encostamos a cabeça no travesseiro e começamos a pensar em tudo que gostaríamos que acontecesse; a fantasiar os nossos desejos, a incorporar nossas fantasias... Pois é, isso é que é ilusão!... Quando estamos apaixonados e não estamos sendo correspondidos, nos tornamos escravos da ilusão e da saudade. Nós guardamos na memória somente as boas lembranças dos momentos que passamos juntos à pessoa amada e, a partir daí, começamos a viver em função de revivermos essas lembranças... E depois, o que acontece? Nada, pois, tudo não passa de pura ilusão!
De repente acordamos e percebemos que nada ocorre do jeito que desejamos, que planejamos, e que muitas vezes é tarde demais para se recuperar o que ficou perdido em meio às ilusões, pois foram desperdiçadas as chances de sermos felizes ao lado da pessoa que de fato gosta da gente, sem ao menos darmo-nos a oportunidade de vir a gostar dessa pessoa, tudo por conta do “fantástico mundo da ilusão”.
É nesse momento de “embriaguês ilusória” que digo: “cuidado com quem você vai se apaixonar, pois muitas vezes pode não ser o que se espera!”.

Terça-feira, Junho 16, 2009

UM DEDO DE PROSA


REALMENTE, A JUSTIÇA É CEGA (MAS QUANDO LHE É CONVENIENTE)!...

No último final de semana, um Subprocurador Geral do GDF dirigia embriagado e envolveu-se num acidente de trânsito, fugindo logo em seguida do local. A condutora do veículo atingido pelo carro do infrator seguiu-o até as proximidades da sua residência e cobrou-lhe explicações além da reparação dos danos. O subprocurador, cheio de "Autoridade", agrediu-a, tanto física quanto moralmente.
A Polícia Militar foi chamada pela vítima e, chegando ao local, tentou fazer o teste do bafômetro com o "Representante da Justiça do DF", que se recusou a fazê-lo. Os policiais deram-lhe voz de prisão. Consternado, o Subprocurador desacatou os PMs e, em seguida, foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos.
Não se dando por satisfeito, o infrator, dizendo ser um Advogado, fez ameaças de morte aos policiais que o prenderam, isso debaixo do nariz do Delegado. Após ser autuado em flagrante, o "meliante" disfarçado de Autoridade Embriagada foi liberado sem pagar fiança.
Depois do ocorrido, a Procuradoria Geral do GDF disse não haver motivos para que o "bom sujeito" seja punido, pois ele não ofendeu, em nada, a Instituição, que é superior a "qualquer ser humano".
Com isso, fiocu provado, mais uma vez, que a Justiça brasileira somente beneficia os "Meretíssimos", os "Doutores", os "Coronéis" e os que têm dinheiro para comprá-la.


MEUS VERSOS LÍRICOS


AO POETA ILTON GURGEL
(Joésio Menezes)

É com grande satisfação
Que venho apresentar
A quem gosta de poesia
Um poeta potiguar
Natural de Caraúbas,
Homem simples, popular...


Homem simples e popular
Em Brasília residente,
Católico carismático,
Casado e pai presente
Na vida dos dois filhos
Que ama incondicionalmente.

Ama incondicionalmente
Também a seu Criador
Que lhe deu tudo na vida:
Saúde, paz, amor
E uma Sagrada família,
Como a de Jesus, o Salvador.

Foi em Jesus, o Salvador,
Que buscou inspiração
Para escrever seus versos
Com esmero e dedicação
E para falar aos amigos
Com a voz do coração.

Com a voz do coração
Ele passa a seus leitores
A palavra do Senhor
Melhor que os Pregadores
Cuja fé afugenta,
Seus fiéis seguidores.

Os fiéis seguidores
Do poeta em questão
Percebem em seus versos
O amor e a devoção
Que o nosso menestrel
Descreve com paixão.

Descreve com paixão
E com fidelidade
A vida do Messias
Na sua totalidade
E através dos seus versos
Conhecemos a verdade.

Conhecemos a verdade
Muitas vezes distorcida
Pelos que leram a Bíblia
Grande parte da sua vida
E ainda não perceberam
Que ela deve ser seguida.

Ela deve ser seguida,
Ainda que nos cause dor,
E mostrada ao mundo
Com sapiência e rigor
Para que a humanidade
Conheça o seu valor...

E conhecendo seu valor,
O poeta potiguar,
Por meio dos seus versos,
Faz questão de relatar
A verdade nua e crua
Sem medo de errar.

Sem medo de errar
O poeta vai seguindo
O que diz seu coração
E os versos vão surgindo
E revelando o artista
A que estou me referindo.

Estou me referindo
Ao nobre menestrel,
Cantador da popular
Literatura de Cordel,
Apresento a vocês
O poeta Ilton Gurgel.


O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


TRADUZIR-SE
(Ferreira Gullar)

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?


TANAJURA
(José Geraldo Pires de Mello)

Por conta de um bom descanso
A que o meu gosto se inclina,
Para o banho de água quente,
Fui procurar a piscina.
Dentro d’água estava bom
Mas vi, na manhã tão linda,
Que a coisa na passarela
Bem melhor estava ainda.

Uma garota maciça
Entre as demais encontrei,
Com trajes tão reduzidos
Que juro que me espantei.
Usava um biquíni escasso,
Do qual, num critério justo,
Uma gravata far-se-ia,
Ligando as peças, a custo...

O sutiã não cumpria
Sua missão, que é de escora:
Escorava o que podia,
Deixando o resto de fora...
E a tanga-miniatura,
Numa dona tão rotunda,
Era assaz incompetente
Para conter tanta bunda...

Melhor de frente ou de costas?
Francamente, eu não sabia,
Porém, na terceira volta,
Jurei que a frente perdia,
Que a dona, pelo argumento
Das ancas fartas e duras,
Devia ser diplomada
- Rainha das Tanajuras!

Deixo o registro fiel,
De todo isento de enganos,
Que a pequena rebolava
Mas não cabia nos panos.
E vendo-a por trás, de novo,
No molejo em que ela ia,
Eu lhe dei, sem duvidar,
O grau dez que merecia!...


CRÔNICA DA SEMANA


UMA CRÔNICA QUALQUER
(Joésio Menezes)

Hoje, eu gostaria de escrever uma crônica. O fato é que não me veio nenhuma idéia do que pretendo falar, apesar de que assunto em nosso país é o que não falta.
O leque de temas e problemas no Brasil é amplo e nos facilita descrevê-los enquanto os escrevemos, mas também nos complica porque, quase sempre, queremos “abraçar o mundo com as pernas”, e “quando muito se quer, pouco se tem”.
É assim comigo e com muitos outros que se atrevem a dar uma de cronista: começamos a escrever sobre algo, de repente não mais é aquilo que queremos falar, pois outro fato nos chamou a atenção. Às vezes, a ideias nem surgem!...
Posso citar o dia de hoje como um bom exemplo ilustrativo do que falei há pouco. Sentei-me diante do computador com uma ideia na cachola e de repente outras surgiram, no entanto, nenhuma delas eu consegui levar adiante. Eu queria ter escrito uma crônica que abordasse um tema não muito específico, mas que prendesse a atenção do leitor.
Primeiro pensei em escrever sobre a estreia do Brasil na Copa das Confederações, mas como não sou cronista esportivo, deixei essa ideia de lado. Depois, tentei enveredar na direção do Voo 477, do Airbus 330 da Air France; achei muito sensacionalismo para um assunto já tão discutido, questionado e longe de ser resolvido. Em seguida, comecei a rascunhar algo a respeito do Subprocurador Geral do GDF, envolvido num acidente de trânsito no último final de semana; também não o levei adiante por achar que minhas palavras a nada levariam. Já no desespero, tentei arriscar alguns vocábulos sobre as eleições do Irã, e mais uma vez abortei a ideia, pois pouquíssimo sei sobre aquele país. Enfim, resolvi falar sobre as sensações libidinosas que se apossam de nós quando sentimos um perfume feminino de aroma afrodisíaco, porém, não me lembrei de como são essas sensações tampouco o motivo do meu esquecimento. Resultado: não tive sobre o que escrever, o que resultou neste texto insosso.
Hoje, eu gostaria de ter escrito algumas linhas; um texto, por mais simples que fosse, ou seja, eu gostaria de ter escrito uma crônica qualquer.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

UM DEDO DE PROSA


PRELÚDIO SOBRE A VELHICE

O tempo é implacável e imparcial.
Implacável porque enquanto seus ponteiros giram numa velocidade incontrolável, os seres (animados ou inanimados) se desgastam a tal ponto de não mais se revitalizarem. Imparcial porque não escolhe sexo, cor, nacionalidade ou classe social.
Tudo nessa vida envelhece com o passar do tempo, a menos que se acabe precocemente. Daí a preocupação de muitos de nós: a velhice, “o último quartel da vida”, pois não sabemos como lidar com ela, o que fazer quando da sua chegada, como nos preparar para essa hora...
Muitos maldizem a velhice devido aos problemas de saúde que vêm junto com ela; e dizem não querê-la, mas só se escapa desse estágio da vida morrendo ainda jovem. Portanto, devemos nos colocar no lugar dos idosos e tratá-los como gostaríamos de ser tratados, pois um dia seremos velhos, a não ser que morramos antes.
E o que mais me preocupa é que em nosso país os idosos não são tratados como merecem: com muita atenção, dedicação e respeito por tudo que eles fizeram em prol da nação e o que ainda podem fazer com a experiência adquirida ao longo do tempo.
Alguns anos atrás, foi criado o Estatuto do Idoso, porém são notórios a desobediência a seus artigos e o desrespeito a seus beneficiários, principalmente por parte do Estado, que nada faz para que o documento criado por ele seja seguido à risca. O abandono e o descaso para com nossos idosos ocorrem, muitas vezes, dentro das suas próprias casas e estende-se por toda a sociedade.
Que bom seria se os idosos de todo o mundo recebessem o tratamento respeitoso que recebem os do Japão!... Lá eles são reverenciados e tratados como mestres pelos mais jovens e, principalmente, pelo Estado, pois são eles ícones da sabedoria e do conhecimento, os quais podem ser repassados aos mais novos.
É como bem disse Séneca, filósofo romano nascido no ano 4 a.C: “quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem, Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres”.
MEUS VERSOS LÍRICOS



SAUDOSA MOCIDADE
(Joésio Menezes))


Às vezes sinto uma insana vontade
De correr os quatro cantos do mundo
Em busca da minha mocidade
Adormecida em seu sono profundo,


Pois dela tenho forte saudade,
Não a esqueço sequer um segundo,
Apesar da dura realidade:
Estou velho, fraco, moribundo...

Às vezes sinto-me invadido
Pelo desejo saudoso e atrevido
De tê-la novamente comigo.

Mas logo esse desejo dá lugar
À certeza de que o tempo vai me dar
O prazer de ser meu fiel inimigo.


*O VELHO E O NOVO
(Joésio Menezes)

Ambos dividem o mesmo espaço...
O novo, com mais ou menos cinco anos,
Sozinho não sabe fazer planos
Ou andar sem qualquer desembaraço.

O velho, representante digno do cansaço,
Envolto em seus maltrapilhos panos
Descansa o corpo em trajes desumanos;
O novo firma-se em suas “pernas de aço”.

O velho, insensível e egoísta que é,
Dorme; e ao seu lado permanece em pé
O novo, que cochila mas não cai...

O velho, também de coração maltrapilho,
Não se lembra que um dia já foi filho
Nem o que é ser protegido pelo pai.


*Soneto escrito dentro do ônibus, às três horas da manhã, quando eu viajava para Salvador (em julho/99) e presenciei, na rodoviária de uma cidadezinha baiana, a cena descrita nos versos acima.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL



O VELHO
(Vivaldo Bernardes de Almeida)


Canta o galo no muro do vizinho,
madrugada surgindo devagar.
No beiral pousa triste passarinho.
Eis que é hora do sono debandar.


Já cansada, encurvada no cantinho
a bengala espera pendurada.
Vai fazer outra vez mesmo caminho
e voltar à parede escavada.

Os seus planos, tecidos com carinho,
são fugazes e são de arribaçã,
só fumaças saídas do cadinho.

Só do hoje imutável vive o velho,
Não tem hoje, não tem nem amanhã.
Diferença não há para o revelho.


ENSAIO SOBRE A VELHICE
(Félix Ventura)

A velhice... não está longe,
não está perto.
Não obedece a cronologias.
Não tem a cor grisalho-acinzentada,
nem rugas, nem doenças.
Apenas, tempo em desinência,
proclamador hirto da descrença
a lançar fagulhas e desilusão,
contra os peitos inocentes.
Se o espírito envelhece
no amargor da juventude,
perde-se na plenitude
desse imenso viver.
Recluso e pequeno,
vive a rastejar,
blasfemar, reclamar.
desgastar a essência
que nos faz sempre jovens.
A velhice está perto dos céticos,
desesperançados...
Perto dos pântanos
e das lamas morais.
Das mentes ígneas
e seus incêndios de insanidade.
Está perto da idade
Onde deixamos de sonhar.
CRÔNICA DA SEMANA


O POETA E SUA MEIGA HEROÍNA
(Joésio Menezes)

Não poderia eu encerrar minhas narrativas sem antes dedicar algumas linhas àquele mineiro de Santa Juliana, ex-seminarista de olhos azuis e amante da filosofia que, em troca de uma paixão arrebatadora pela sua “meiga heroína”, abandonara seus planos de dedicar-se à vida religiosa.
Apesar de as mães do casal serem contrárias à união matrimonial dos dois, pois ambos eram primos e, além disso, o jovem rapaz tinha vocação para padre, eles lutaram, enfrentaram muitos obstáculos e casaram-se. Na época, ele estava com 23 anos; ela, com 17. E mesmo sendo muito jovens, estabeleceram que nunca se separariam e que os filhos que Deus permitisse que tivessem, não importando quantos fossem, todos estudariam e seriam “alguém na vida”.
Sentindo que Santa Juliana ficaria pequena para criar, educar e formar seus filhos, ele mudou-se para Ituiutaba, depois para Uberaba e aqui chegou nos idos de 1968 na companhia da sua jovem esposa e dos filhos que tiverem ao longo das 71 primaveras em que viveram juntos. Na bagagem, trouxe apenas sonhos e projetos traçados quando do seu casamento com a prima e eterna companheira, Thereza.
Incansavelmente, trabalhou até os 88 anos de idade, e durante 33 anos da sua vida ia e voltava de ônibus a Planaltina de Goiás, pois era funcionário da Câmara daquele município. Mas antes de sair para o trabalho preparava o café e o levava para sua “meiga heroína”, na cama. Assim ele fazia todos os dias, durante quase toda a vida em que juntos estiveram.
Além de ser um marido eternamente apaixonado e um dedicado pai, ele era também um semeador de doces e alentadoras palavras, um cultivador de sonhos, um idealizador de fantasias, um realizador de projetos, enfim, um grande e refinado poeta.
Aos 90 anos, um coágulo no cérebro deixou seus firmes passos mais lentos e desequilibrados. Pelo quadro clínico que apresentava, era para nunca mais falar, porém, como se um milagre tivesse acontecido, ele deu uma rasteira no destino, nos médicos e nos prognósticos: falava como nunca. Seus passos não mais eram firmes como outrora, no entanto, a fala parece ter-lhe voltado com mais corda, com mais vigor, de bateria nova...
Em 2008, quis o destino que o acordo estabelecido entre ele e sua eterna companheira, sete décadas antes, fosse quebrado: separaram-se, mas não por muito tempo. Primeiro se foi Thereza, que partiu quando ele mais necessitava dela. Dezoito dias após, ele não resistiu à ausência da amada e partiu ao seu encontro, levando no peito a dor da saudade e a certeza de que a sua “meiga heroína” o esperava de braços abertos.
Hoje, os dois circundam de mãos dadas os bosques e jardins do Paraíso. Ele recitando versos aos querubins e aos anjos da guarda que o acompanharam durante os 71 anos de matrimônio com sua Thereza; ela, espalhando pelas brancas nuvens pétalas de determinação, paciência, dedicação e sabedoria a fim de que elas possam chegar, através da atmosfera do amor, aos corações dos filhos que lhe dera Elpídio da Cunha Rezende, seu fiel amante e inseparável amigo.

Terça-feira, Junho 02, 2009

UM DEDO DE PROSA


MEDO DO SONHO DE ÍCARO

Mais uma tragédia aérea deixa o mundo consternado e em polvorosa. Um Jumbo da Air France, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris na noite do último domingo, levou mais de duzentas pessoas ao último voo de suas vidas, sumindo dos radares poucas horas após a decolagem. Nenhuma notícia se tem sobre o que de fato aconteceu com a aeronave. Sabe-se, apenas, que desapareceu sem deixar sinais.
Ultimamente, está muito difícil assistir aos telejornais visto que uma enxurrada de más notícias jorra pelos nossos televisores: crise econômica, mortes no trânsito, ameaças nucleares, ataques terroristas, enchentes no nordeste brasileiro, acidentes aéreos...
Eu, que jamais viajei de avião, nunca tive a mínima vontade de “voar”, e hoje, diante dos últimos acontecimentos, essa vontade passa a 500 anos luz distante de mim... Vou pedir, inclusive, que meu nome não mais seja listado na “farra das passagens aéreas” promovida pelos nossos parlamentares!... O sonho de voar deixo a cargo de Ícaro; e o ato, aos pássaros.
Prefiro viajar através dos versos que leio e dos que escrevo, pois é bem mais emocionante e seguro, disso tenho certeza.
Eu gosto mesmo é de sentir o chão sob os meus pés!!!
MEUS VERSOS LÍRICOS



CORDEL AUTOBIOGRÁFICO
(Joésio Menezes)

Nasci em Tobias Barreto,
Lá pras bandas do agreste,
Interior de Sergipe,
Terra árida do Nordeste,
Onde os “fio” da seca
São “chamado caba da peste”.

Meu pai era alfaiate;
Minha mãe, “custurera”;
Meu avô fazia de tudo;
Minha avó, “mulé rendera”;
E eu, que “num” fazia nada,
Levava a vida na “brincadera”.

Desde pequeno, inda “minino”,
Eu sonhava ser “dotô”
E minha mãe sempre dizia:
‘Siga os “passo” do seu avô,
Ele fazia de tudo,
Foi um “home trabaiadô”.

Era muito respeitado
E por onde ele “passô”
Tinha fama de “home” sério,
Educado e “respeitadô”.
Era “isperto” e tinha “curtura”,
Porém nunca “istudô”’.

As “palavra” da minha mãe
Inda “soa” nos meus “ovido”,
Mas o que ela me disse
Foi quase tudo perdido,
Pois “num sigui os passo”
Do meu Vozinho querido.

Alguns anos mais tarde,
Quando ainda era “minino”,
“Acompanhano” minha mãe
“Dexei” o solo nordestino
E noutra terra fui morar,
Onde ”iscrivi” o meu “distino”.

“Apiamo” em Brasília,
No Centro-Oste “brasilero”,
Terra “disconhecida”,
Habitada por “forastero”,
Inclusive meus “irmão”
Que aqui “chegaro primero”.

“Viemo” prá Planaltina
E investi nesse chão
Os “sonho” de “minino”
Que habitava meu coração,
Sem “m’isquecê”, porém,
Do meu querido torrão.

Os anos “fôro passano”
E eu “ficano” mais “criscido”;
O bigode foi “nasceno”
E “aumentano” minha libido;
O “amô”, intão, surgiu...
Já era “home maduricido”!

Uma namorada aqui,
Um namorico acolá,
Conheci Benedita
Lá pras bandas do Guará,
“Cum” ela me casei
E vi minha vida “miorá”.

Ela, intão, me deu dois “fio”,
Um casal de bons “minino”,
Hoje já bem “criscidos”
E “traçano” seus “distino”
Prá “tê” uma vida “mió”
Que a do pai nordestino...

Não realizei meu sonho
De me “formá em dotô”,
Mas escrevo alguns versos
Como se fosse “iscritô”
E levanto as “mão” pro céu,
Pois hoje “sô um professô”.
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


EU NÃO SINTO A SOLIDÃO
(Gabriela Mistral)

É a noite desamparo
das montanhas ao oceano.
Porém eu, a que te ama,
eu não sinto a solidão.
É todo o céu desamparo,
mergulha a lua nas ondas.
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.
É o mundo desamparo,
triste a carne em abandono
Porém eu, a que te embala,
eu não sinto a solidão.


SEGREDO
(Mariana Lima)

Não devo te querer, bem sei
Porque não posso te amar;
Ainda que o amor em meu peito
Esteja a dilacerar
Insistindo com o coração
A idéia de te procurar.

O desejo de teus beijos, eu sinto
É uma verdade, não minto
Mas sei que é um amor impossível
É um querer sem razão;
Apenas um sentimento ingênuo
Do meu pobre coração.

Noites sem fim em minha cama
Penso em ti minha dama,
É difícil adormecer!
Não consigo entender
Esse amor que me invade a alma
Tirando-me o sono e a calma.

Ainda assim, preciso ponderar,
Estamos tão longe um do outro
Como o sul está do norte,
Tu, és dama da corte
E eu, um plebeu sem sorte.

Guardarei só para mim
O desejo de te amar,
Não saberás de mim,
Nem das minhas ansiedades
Ficarei no anonimato
Com minha infelicidade.
CRÔNICA DA SEMANA


O AMANHÃ PODE NEM EXISTIR...
(Aíla Sampaio)

Desde criança, eu gostava de coisas boas. Morava no interior do Ceará e meu pai, que criava gado para vender ao FRIFOR, viajava constantemente para a capital e, quando voltava, trazia pacotes de presentes... os mais preciosos eram os de calcinhas “bunda-rica”, acho que nem mais existem hoje. As pessoas da minha época lembrarão que era uma calcinha cheia de babadinhos na parte de trás, em um material delicado, acho que jérssei... eu erguia a peça para a luz e olhava através da malha para identificar se eram ou não da marca Valisére... se não fosse, eu não usava. Os meus cabelos longos eram divididos em duas “Maria-Chiquinhas” amarradas com laços de seda que deveriam ser da mesma cor da calcinha e da meia. Papai ria das minhas manias e repetia: “que menina mais vaidosa!!!”. A mamãe ficava enfurecida. Achava-me exigente demais. Era um vestido para cada dia, todos de cambraia ou organdi, sem uma repetição durante a semana. Lembro muitas vezes que saíamos para o Brejo-Santo, cidade vizinha, para comprarmos roupas na boutique da Pitoquinha. A mamãe não aprovava, porque havia muitas costureiras que poderiam fazer roupas com o preço bem menor lá mesmo em Abaiara. Mas o papai fazia tudo para me agradar. Mesmo assim, eu era uma criança antipática, arredia, não gostava de muito chamego, não suportava pessoas negras dentro de casa... e meu pai era político, gostava de casa cheia. Recebia qualquer pessoa com o mesmo olhar sereno e me apresentava com orgulho: “essa é a Ailinha, minha bonequinha”. Muitas vezes eu saia correndo, com raiva e me isolava. Eu sabia que deixava o papai triste com aquele comportamento, mas agia sempre do mesmo modo. Nunca pedia desculpa... não sabia expressar meus sentimentos, achava que isso me fragilizaria. Era orgulhosa demais, gostava de ser paparicada, que me implorassem as coisas.
À tardinha, eu ficava sempre na minha cadeirinha de balanço, na calçada, a pretexto de olhar a rua, mas ficava mesmo era esperando que ele voltasse da Fazenda. Um dia anoiteceu sem que ele voltasse. Eu já estava impaciente, peguei a biclicleta do meu irmão e sai tentando pedalar, caindo, me arranhando, quando vi um carro estranho parado à porta da nossa casa. Corri para saber a novidade, o coração apertado sem eu saber por quê... Vi minha mãe na sala, com sua barriga de sete meses – carregando a irmãzinha que eu tanto pedia – perguntando como acontecera o acidente. O seu primo dizia onde ocorrera e que devíamos ir vê-lo. Mamãe estava calma, acreditando, mas eu, atônita, gritei: “meu pai morreu, eu sei, eu sinto” e fiquei com aquela dor seca sem conseguir chorar. Naquele momento eu tive a certeza de que havia perdido a pessoa que mais me amou na vida. Todos negaram o fato, afinal precisavam poupar a mamãe. Só no dia seguinte vi seu corpo e despedi-me para sempre. Eu tinha 6 anos e 6 meses...
Hoje, 37 anos depois, guardo seu sorriso limpo, seu olhar de sonho e seu amor. Mesmo com minha mãe e meus irmãos, senti que estava irremediavelmente sozinha. Nunca mais ganhei vestidos de organdi nem calcinhas Valisére... Mas não foi isso o que me fez mais falta na vida, não foi. Carreguei para sempre sua voz me pedindo cafuné e eu correndo pra me esconder, fugindo dos seus abraços, fazendo-me antipática para os seus amigos. A vida foi cruel... não me deu tempo para dizê-lo o quanto ele era importante para mim, o quanto eu o amava, o quanto me orgulhava de sua integridade. Hoje, 14 de fevereiro de 2009, se estivesse vivo, ele faria 75 anos. Vi-me de repente chorando, me sentindo só como quando era criança e ele demorava a voltar. Cresci e ele não viu. Transformei-me numa pessoa mais humana, mais sincera e ele não viu. Hoje, digo que amo quem amo, não perco tempo... abro a minha alma, me desnudo, tentando matar o orgulho e a vaidade, sem medo das consequências de expor o coração, afinal, o amanhã pode nem existir...

Terça-feira, Maio 26, 2009

UM DEDO DE PROSA


“FALEM MAL, MAS FALEM DE MIM”

Confesso que fiquei muito surpreso e chocado com o comentário do(a) leitor(a) I. A. Vilella (postado justamente no dia do meu aniversário, 16/05). Talvez pelo fato de ele(a) sugerir que meus textos sejam engavetados visto que não têm “voz própria” (não conseguem ”livrar-se da tão alardeada angústia da influência”) e “não acrescentam absolutamente nada de novo ao mundo”.
Para quem escreve amadoramente (e não está acostumado a esse tipo de comentário), às vezes, essas críticas vêm como uma bomba. E comigo não foi diferente: a primeira leitura da “crítica” deixou-me em estado de choque e abatimento, pois a rudeza com que o(a) leitor(a) foi sincero(a) me pegou de surpresa.
Apesar do meu amadorismo, escrevo já faz alguns anos, e pela “experiência” que tenho no vasto universo da literatura (primeiro como estudante, depois como professor e, finalmente, como “aspirante a escritor”), já não era sem tempo uma “Crítica” desse nível. Inda mais porque sempre falei aos amigos que meu sonho era ver meus livros nas mãos de um renomado e respeitado Crítico Literário. Se ele os classificasse como sendo “os piores” trabalhos já postos diante dos seus olhos, certamente grande parte dos livros que tenho estocado em casa sairia como água, pois os verdadeiros amantes da literatura buscariam saber o porquê de tão depreciadora crítica.
Publicamente, peço desculpas ao(à) crítico(a) leitor(a) Vilella pela aspereza das minhas palavras, publicadas no texto PREPOTÊNCIA À PARTE (em 19/05), mas reitero aqui o que por mim foi dito naquela ocasião: JAMAIS ENGAVETAREI MEUS ESCRITOS, mesmo não sendo eles unânimes entre os que têm bom-gosto pela leitura... “O que seria do branco se todos gostassem do azul?”
E no embalo das “ponderações”, aproveito a oportunidade para, também, justificar a utilização do termo “jargão” (em vez de “provérbio”, “dito popular” ou “máxima”) cujo significado não me é desconhecido (linguagem própria de certos grupos ou profissionais). O termo foi por mim utilizado no soneto A “NÃO SEI QUEM” VILELLA com o intuito de instigá-lo(a), uma vez que me vi na obrigação de “forçar” uma rima (coração/jargão).
MEUS VERSOS LÍRICOS(?)



MÁXIMAS
(Joésio Menezes)


“Enquanto há vida, há esperança”,
Por isso, “falem mal, mas falem de mim”,
Pois “após a tempestade vem a bonança”
E enquanto ela não vem vou vivendo assim:


“Nem tanto ao mar nem tanto à terra”,
“No meio é que está a virtude”
Dos que fazem versos em vez da guerra
E vivem o amor na sua plenitude.

Então, “é melhor prevenir que remediar”
E “entre mortos e feridos alguém há de escapar”
Dos “males que vêm para o bem”...

E já que tempo me custa dinheiro,
"Farinha pouca, meu pirão primeiro",
Pois “quem dá o que tem, a pedir vem”.


JOSÉ
(Joésio Menezes)

Meu nome é José...
Não sou vagabundo,
Mas sou para o mundo
Um Zé “qualqué”.

Um Zé Ninguém
Sem eira nem beira,
Sem nada na algibeira...
Sem sequer um vintém!

Meu nome é José...
José sem amor, sem paixão;
José sem Deus, sem religião;
José sem credo... José sem fé.

Um José sem moradia,
Sem emprego, sem felicidade,
Sem sorte, sem dignidade,
Sem vida, sem cidadania...

José é o meu nome.
Sem Gênio, sem Fada,
Sem mágicas, sem nada...
Sem ao menos um sobrenome.

Um José que a vida pariu
Sem cara, sem identidade,
Mas o exame de paternidade
Diz que sou José do Brasil!...
O MELHOR DA POESIA BRASILEIRA E UNIVERSAL


DEUS
(Casimiro de Abreu)

Eu me lembro! eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?!”

— Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus
E respondeu: — “ Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! meu filho, é — Deus!”—


LEDA SERENIDADE DELEITOSA
(Luís Vaz de Camões)

Leda serenidade deleitosa,
que representa em terra um paraíso:
entre rubis e perlas, doce riso;
debaixo de ouro e neve, cor de rosa.

Presença moderada e graciosa,
onde ensinando estão despejo e siso
que se pode por arte e por aviso,
como por natureza, ser fermosa:

fala de quem a morte e a vida pende,
rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
repouso nela alegre e comedido.

Estas as armas são com que me rende
e me cativa Amor; mas não que possa
despojar-me da glória de rendido
CRÔNICA DA SEMANA


CÚMPLICES
(Pedro Brasil Júnior)

Fixei meus olhos na folha branca de papel. Branca e pura!
Clamei por palavras... mas nenhuma me ouviu!
Gritei por versos simples! E permaneci enroscado em invisíveis estrofes.
Que fazer? Perguntei-me...
Respirei fundo, olhei pela fresta da janela... Só havia as luzes das ruas rabiscando a escuridão. Mas havia o silêncio... tão profundo que, quase o toquei!
Então acendi um cigarro e fiquei contemplando argolas de fumaça. Uma por uma foram subindo em direção à lâmpada, juntando-se em interessantes elos. Dissipando-se depois da ideia... Ideia! Finalmente uma! E crivei dois pontinhos naquela folha, agora, já não tão pura assim. Opostos naquele retângulo ficaram como eu, esperando por alguma coisa. Então, os liguei, lembrando daqueles exercícios de ligar pontos. Não vi figura alguma!
Mas ... não é que inventei uma linha? Justo eu que nada entendo de geometria?
Bem; agora que já tinha uma linha, podia inventar qualquer palavra, qualquer frase, qualquer estória...
Agora, palavra inventada, éramos, a folha alva, a escuridão e o silêncio, cúmplices de uma emoção: acabara de nascer mais uma parte do meu ser !